fulinaíma

terça-feira, 27 de setembro de 2011

congresso brasileiro de poesia - 3 a 8 de outubro - bento gonçalves


Desde 1996 quando pela primeira vez, convidado por Ademir Antônio Bacca fui ao Congresso Brasileiro de Poesia, que Bento Gonçalves faz parte anualmente da minha agenda na primeira semana de outubro. A experiência vivida na cidade, falando poesia nas ruas, nas praças, nas Escolas no Hospital e no Centro de Recuperação Psiquiátrica, além do convívio com os mais de 100 poetas brasileiros que lá comparecem a cada edição do evento é indescritível.

Lá estaremos mais uma  vez ao lado de Jiddu Saldanha, Tanussi Cardoso, Ronaldo Werneck, Rodrigo Mebs, Claudia Gonçalves, Laura Esteves, Jorge Ventura, Telma da Costa, Eduardo Tornagui, Dalmo Saraiva, Glauter Barros,  Renato Gusmão, May Pasquetti, e tantos outros poetas brasileiros, chilenos e uruguaios.

Lá conheci minha parceira de palco May Pasquetti e com ela venho desenvolvendo desde 2006 as performances com as quais me apresento no Congresso. Este ano vamos focar poeticamente a loucura e suas múltiplas facetas no recital O Delírio é A Lira do Poeta se O Poeta Não Delira Sua Lira não Profeta, com poemas da minha lavra, além de Torquato Neto, Adélia Prado, Sérgio Sampaio, Eliakin Rufino e Affonso Romano de Sant´anna, o homenageado deste ano.


jura secreta uma outra

deitada e nua nessa areia quente
o sangue corre pela veia rente
e teu  cio é flora como flor de lótus
sendo flor teu sexo em minha língua agora
nesse mar de búzios quando em qualquer hora
como fosse fogo sendo tudo festa
que o amor concebe por desejo e sanha
fosse mar de espanha eu te vestisse em algas
e as estrelas todas cintilando   as águas
com  meus dedos/lápis escrevendo as juras
que o secreto ato de te ter na praia
fosse só procura de uma  musa laia
que pensei clarice fosse apenas ana
ou muito mais que eu disse


Artur Gomes

conexões urbanas - último sábado no ciep clóvis tavares



O projeto conexões urbanas faz no próximo sábado sua última rodada no ciep Clóvis Tavares no Parque Esplanada/Leopoldina. A partir do sábado 8/10 conexões urbanas estará acontecendo em Ururaí. Conexões Urbanas é uma realização do Sesc Rio executado por sua unidade de Campos, tem coordenação de Helô Landin e produção de Nelsinho Martins(Meméia) e tem  em sua equipe de professores Jhony Nunes(grafite), Tim Carvalho(dança), Luciano Paes(skate) e Jorginho(basquete de rua).

mala da fama

Ministério das Comunicações e entidades públicas vão capacitar profissionais de rádios comunitárias



uma iniciativa do ministério das comunicações, em conjunto com entidades públicas de comunicação, entre elas a empresa brasil de comunicação (ebc), e com a associação das rádios públicas do brasil (arpub), permitirá que comunicadores de rádios públicas e comunitárias recebam capacitação profissional.

Os acordos de cooperação foram assinados hoje (26) pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, pela presidenta da EBC, jornalista Tereza Cruvinel, e pelo presidente da Arpub, Mario Sartorello, no Espaço Cultural da EBC, em Brasília. Esta foi a primeira vez que Bernardo visitou as novas instalações da empresa, que administra oito rádios públicas, a TV Brasil e a Agência Brasil.
O ministro destacou que a iniciativa permitirá que a experiência acumulada pelos profissionais dos veículos públicos “bem estruturados e com boas condições de funcionamento” ajudem as rádios comunitárias, “que têm carências que todos conhecemos”.
De acordo com o ministro, a presidenta Dilma Rousseff cobrou medidas para reforçar a atenção do governo federal às rádios comunitárias. Segundo ele, o ministério já lançou um plano de outorgas que deverá habilitar 500 novas rádios comunitárias até o fim do ano.
Ainda segundo o ministro, outro projeto prioritário do governo federal é fortalecer a EBC. “Ouvimos [da presidenta Dilma] uma orientação clara para fortalecermos a EBC, melhorando suas condições de funcionamento e aumentando sua abrangência territorial. Isso é um projeto prioritário do governo.”
Comunicação pública
A presidenta da EBC disse que a adesão à iniciativa simboliza o compromisso com a comunicação pública. Segundo Tereza Cruvinel, a comunicação pública envolve um vasto conjunto que “tem feito com que hoje comece a haver equilíbrio entre o que é estatal, o que é público e o que é privado, cumprindo o que prevê a Constituição Federal”, ou seja, a complementaridade entre os três sistemas de comunicação.
A capacitação dos comunicadores públicos e comunitários, acrescentou o presidente da Arpub, Mário Sartorello, é fundamental para que “possamos prosseguir com o processo de democratização da comunicação no país”.
A parceria prevê, conforme a minuta do acordo assinado com a Arpub, que o ministério ficará encarregado de desenvolver, elaborar e dar apoio técnico aos cursos de capacitação, acompanhando e avaliando os resultados. Além disso, organizará as inscrições dos interessados em participar dos eventos de capacitação, entre outras providências.
As rádios do sistema EBC promoverão oficinas de qualificação no Rio de Janeiro e em Brasília nas áreas de gestão, produção de conteúdo e tecnologia, informou o superintendente de Rádio da Empresa Brasil de Comunicação, Orlando Guilhon.
A Arpub ficará responsável por mobilizar as rádios públicas para aderir à iniciativa e formular os eventos de capacitação em conjunto com o ministério e com as emissoras públicas. As ações de qualificação profissional devem estar voltadas prioritariamente à diversidade cultural e à democracia.
As primeiras entidades a aderir à iniciativa foram, além da EBC, o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), as fundações Aperipê, de Sergipe; de Telecomunicações do Pará (Funtelpa); Cultural Piratini, do Rio Grande do Sul e a Universidade Federal de São Carlos (Ufscar).
(Agência Brasil - reportagem:Alex Rodrigues / edição: João Carlos Rodrigues)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Jefferson Manhães Azevedo


No vídeo acima Jefferson Azevedo Diretor do Câmpus 
Campos - Centro do IFF fala sobre Inclusão Digital

a flor da pele - pontal foto grafia


pontal.foto.grafia


1.                  Aqui,
redes em pânico
pescam esqueletos no mar 
esquadras – descobrimento
espinhas de peixe 
convento
cabrálias esperas 
relento 
escamas secas no prato
e um cheiro podre no 
AR 

caranguejos explodem 
mangues em pólvora 
Ovo de Colombo quebrado
areia branca inferno livre
Rimbaud - África virgem – 
carne na cruz dos escombros
trapos balançam varais 
telhados bóiam nas ondas 
tijolos afundando náufragos 
último suspiro da bomba
na boca incerta da barra 
esgoto fétido do mundo
grafando lentes na marra
imagens daqui saqueadas 
Jerusalém pagã visitada 
Atafona.Pontal.Grussaí 
as crianças são testemunhas: 
Jesus Cristo não passou por aqui 

Miles Davis fisgou na agulha
Oscar no foco de palha 
cobra de vidro sangue na fagulha 
carne de peixe maracangalha 
que mar eu bebo na telha
que a minha língua não tralha? 
penúltima dose de pólvora
palmeira subindo a maralha
punhal trincheira na trilha
cortando o pano a navalha
fatal daqui Pernambuco 
Atafona.Pontal.Grussaí 
as crianças são testemunhas:
Mallarmè passou por aqui 

bebo teu fato em fogo 
punhal na ova do bar
palhoças ao sol fevereiro 
aluga-se teu brejo no mar 
o preço nem Deus nem sabre
sementes de bagre no porto
a porca no sujo quintal
plástico de lixo nos mangues 
que mar eu bebo afinal?

Artur GomesIn carNAvalha Gumes
http://pelegrafia.blogspot.com

negro olhar

conexões urbanas - tô na rua na cidade e na periferia


Esse Filme Eu Já Vi

Luiz Melodia


Tô na rua fim de semana
Não venha me por medo
Eu já saio um rochedo
Não te vi, não te conheço
Você tá falando grego
Esse filme eu já vi
Em toda esquina tem cenário
E eu visível de otário
Eles servindo a nossa dor
Na minha tela otário
Pode apagar ser barco a vela
Que esse filme eu já vi
Amanheceu lá na calçada
Morreu de amorou cráqueada
De porrada ou viciada
Passo eu a navalha na noite
Esse filme eu já vi
Anoiteceu na minha garganta
Um mistério afogado
Frente a luz, frente ao estado
Frente a cara do guri
Dei mais dois pra não sorrir fumei
Esse filme eu já vi
Dei mais dois pra conhecera vida
Esse filme eu já vi

 A Traição das Metáforas - Poema 1

debaixo da sacada a escada trota
pássaro sem teto acima do delírio
coração de porco crava no oco da noite
a faca cega, punhal de cinco estrelas
na constelação do cão maior
por onde úrsula nua passeia
dédala de dandi deusa de dali lua de dada
no coração do pintor sem fronteiras
acima do pé de abóbora
embaixo do pé de cajá
malásia não é aqui
espanha não além mar
salvador não é dali
a mulher que eu quero mesmo
e uma dedé que não dada
bia de dante do inferno itamarati itamaracá
constelação ursa maior
pra dada meu coração pra dedé não sou cantor
quando quero quero mesmo
espuma nylon pele tecido isopor

arturgomes

sábado, 24 de setembro de 2011

Luta e prazer


Sexo diário continua sendo o melhor remédio
Quem ama não adoece, quem tem tesão não tem tédio
Não mato cobra por que sou ecologista
Nem mostro o pau por que não sou exibicionista
Eu não escrevo teses, eu só escrevo tesões
Não faço subversinhos, só faço subversões
O que importa agora é o que nós vamos fazer daqui pra frente
O que fizeram do mundo? O que fizeram d´a gente?
Por isso eu vou dizer o que que eu acho
Ou a gente parte pra cima ou a gente fica por baixo
Sexo diário continua sendo o melhor remédio
Quem ama não adoece, quem tem tesão não tem tédio
De tanto puxarem meu tapete
Aprendi a pilotar tapetes voadores

Eliakin Rufino - poeta e filósofo

Ditados Impopulares



Ditados Impopulares 
(Eliakin Rufino)



sem essa de dizer que a pressa
é inimiga da perfeição
eu sou amigo da pressa
perfeição me interessa,
não me interessa não


o que é perfeito está morto
eu quero o falho o feio o torto
quero os pecados da alma
e as imperfeições do corpo


se a pressa
é inimiga da perfeição
é amiga da mudança
irmã da revolução


boca fechada não entra mosca
mas também não sai palavra
quem cala consente
quem sente fala


o silêncio pode ser uma jaula
o mundo sem palavras é quadrado
é preciso estar atento
é preciso ter cuidado
uma coisa é ser silêncio
outra é ser silenciado


lei do silêncio não faz sentido
o mundo sem palavras é quadrado
boca fechada não faz meu tipo
meu estilo é ser articulado

ReVirando a Tropicália



Trilhos urbanos

Fui internado ontem na cabine 103

Bode eu não quero este bode

Eu sou aquele que disse

Tropicália

Caetano Veloso


Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés os caminhões
Aponta contra os chapadões
Meu nariz
Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento
No planalto central do país
Viva a Bossa, sa, sa
Viva a Palhoça, ça, ça, ça, ça
Viva a Bossa, sa, sa
Viva a Palhoça, ça, ça, ça, ça
O monumento
É de papel crepom e prata
Os olhos verdes da mulata
A cabeleira esconde
Atrás da verde mata
O luar do sertão
O monumento não tem porta
A entrada é uma rua antiga
Estreita e torta
E no joelho uma criança
Sorridente, feia e morta
Estende a mão
Viva a mata, ta, ta
Viva a mulata, ta, ta, ta, ta
Viva a mata, ta, ta
Viva a mulata, ta, ta, ta, ta
No pátio interno há uma piscina
Com água azul de Amaralina
Coqueiro, brisa e fala nordestina
E faróis
Na mão direita tem uma roseira
Autenticando eterna primavera
E no jardim os urubus passeiam
A tarde inteira entre os girassóis
Viva Maria, ia, ia
Viva a Bahia, ia, ia, ia, ia
Viva Maria, ia, ia
Viva a Bahia, ia, ia, ia, ia
No pulso esquerdo o bang-bang
Em suas veias corre
Muito pouco sangue
Mas seu coração
Balança um samba de tamborim
Emite acordes dissonantes
Pelos cinco mil alto-falantes
Senhoras e senhores
Ele põe os olhos grandes
Sobre mim
Viva Iracema, ma, ma
Viva Ipanema, ma, ma, ma, ma
Viva Iracema, ma, ma
Viva Ipanema, ma, ma, ma, ma
Domingo é o fino-da-bossa
Segunda-feira está na fossa
Terça-feira vai à roça
Porém...
O monumento é bem moderno
Não disse nada do modelo
Do meu terno
Que tudo mais vá pro inferno
Meu bem
Que tudo mais vá pro inferno
Meu bem
Viva a banda, da, da
Carmem Miranda, da, da, da, da
Viva a banda, da, da
Carmem Miranda, da, da, da, da

Começo aqui uma investigação sobre a Tropicália, que vai culminar com uma performance poética dias 26 e 27 de outubro a partir das 19 horas no Espaço Plural do Sesc Campos com a participação especialíssima de Dizzy Ragga. A investigação além de ter o objetivo de reVirar a Tropicália pelo avesso, tentando mostrar o seu Lado B, aqui que não se viu, leu ou ouviu mas que também foi parte integral dela, tem também a intenção de verificar de alguma forma se Hayan Rubia realmente nasceu de dentro Dela. 

Federico Baudelaire me afirma que, tendo Hayan Rubia nascida em BH em 1972 naturalmente seria fruto D. como Torquato Neto descreveu no poema: Todo dia é Dia Dela pode ser pode não ser abro a porta ou a janela todo dia é Dia D. Há urubus no telhado a carne seca é servida um escorpião encravado na sua própria ferida não escapa só escapo pela porta de saída. Todo dia mais um dia de amar-te a morte morrer todo dia mais um dia menos dia dia D.

Além de ter a intenção de reVirar a Tropicália pelo avesso sempre tive grande admiração por Sérgio Sampaio, compositor capixaba de Cachoeiro do Itapemirim, que deixou pelo menos uma dezena de pérolas musicais, mas que poucos conhecem, e ouviram, e é ele autor de uma música emblemática da décad de 70: Eu quero Botar Meu Bloco na Rua. Então, de uma certe forma ReVirando a Tropicália, ale, de re-Ver a poesia do Torquato Neto de Leminski, é também, uma espécie de tributo a Sérgio Sampaio.

Verdura

Paulo Leminski
Musicado e gravado por Caetano Veloso



De repente me lembro do verde
Da cor verde a mais verde que existe
A cor mais alegre, a cor mais triste
Verde que veste, verde que vestiste

No dia em que te vi
No dia em que me viste

De repente vendi meus filhos
Pra uma família americana
Eles tem carro, eles tem grana
Eles tem casa e a grama é bacana
Só assim eles podem voltar
E pegar um sol em copacabana
Pegar um sol em copacabana


ArturGomes

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

dani rauen lançamento

conexões urbanas




Neste sábado mais uma rodada do projeto conexões urbanas no ciep Clóvis Tavares das 14 as 17h com oficinas de gravite, skate, basquete de rua e dança de rua, com Jhony Nunes, Luciano Paes, Jorginho e Tim Carvalho. O Conexões é um Projeto do Sesc Rio executado aqui através do Sesc Campos, com coordenação de Helô Landin e produção de Nelsinho Martins (Meméia).

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

jiddu saldanha entrevista may pasquetti


May Pasquetti é atriz, poeta e completará sua formação em biologia este ano. É Gaúcha de Bento Gonçalves, a cidade que realiza o Congresso Brasileiro de Poesia a quase 20 anos. Atualmente vive e estuda em Porto Alegre. 

Escolhida para protagonizar o primeiro filme do Projeto Cinema Possível em HD, uma produção de 2011; May Pasquetti não é só um rosto bonito das terras gaúchas, mais que isso, ela é uma pessoa que transborda humanidade e inspiração. Sensível, debochada, brincalhona, tem o toque mágico das atrizes de cinema.

May Pasquetti. Um passeio pela cidade de Paris - 2010.
Cinema Possivel – Fale um pouco da sua vida, sua história, as lembranças da cidade de Bento Gonçalves, sua terra natal.

May Pasquetti - Vivi em Bento durante toda a minha infância e adolescência, até os 17 anos. Tenho milhares de lembranças sobre a cidade, de todos os tipos. Bento é uma cidade muito bonita; diria que em uma primeira impressão seria arrumada e aconchegante. É um lugar ótimo para conhecer e passar um tempo, mas sempre tive dificuldades para ver a cidade como minha casa. Imagino que essa sensação tenha relação com a falta de oportunidade para minhas áreas de interesse (artes e biologia) e com o aspecto provinciano da cidade.

A colonização prioritariamente italiana dá um tom conservador e muito ligado as aparências e isso me incomoda! A parte isso, tive uma ótima infância: brinquei muito na rua, subi em árvores, vivia com as pernas roxas! Adorava correr pelo “calçadão”, como chamamos a praça do chafariz de vinho, em frente à prefeitura. Passei boa parte da minha adolescência no shopping Bento com a “galera da lan house”, onde conheci meu primeiro namorado e fiz bons amigos. Não era muito próxima dos meus colegas da escola, na verdade fiquei mais amiga dos meus professores! Enfim, tenho carinho pela cidade, retorno pra lá mais ou menos a cada 15 dias para visitar meus pais, e tenho sim boas lembranças de lá. Recomendo muito para conhecer e realmente há vinhos ótimos e vinícolas lindas! E claro, no Congresso de Poesia, Bento Gonçalves se transforma!

CP – Como foi que você se interessou pela poesia.

MP - Meus pais sempre me incentivaram a ler. Desde pequena fui uma grande devoradora de livros. Descobri alguns poetas nas aulas de português/literatura do colégio, mas o interesse de conhecer mais veio por conta própria. E claro, desde que venho participando do Congresso de Poesia de Bento Gonçalves, e que comecei a me arriscar a escrever, tenho cada vez mais contato.

CP – Quais são seus poetas preferidos, vivos e mortos. Você tem alguma predileção?

MP - Nossa! Posso fazer uma lista enorme. Não tenho predileções. Acho que um dos pontos altos da poesia é justamente o fato dela ser mutável: cada vez que leio um poema surge uma nova interpretação. Então, os meus poetas prediletos acabam variando muito de acordo com o momento em que estou vivendo. Não vou citar nome de amigos pra não esquecer alguém! Mas pra citar alguns dos clássicos adoro Vinícius de Moraes, Mário Quintana, Mário de Andrade, Drummond, Neruda, Torquato Neto, Arnaldo Antunes, Baudelaire, Leminski, Ferreira Gullar, Florbela, Augusto dos Anjos, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Rimbaud e muitos outros.

os sons lépidos
das palavras sórdidas
de um convite rápido
com desejos tórridos

depois cálida
flutuo límpida
me sentindo única
nos teus braços súbitos

(May Pasquetti)

 CP – No congresso de Poesia, em Bento, você é conhecida por dominar uma parte do repertório do poeta Artur Gomes, como foi que você se aproximou da poesia dele?

MP - Durante o Congresso Brasileiro de Poesia os poetas visitam as escolas da cidade fazendo apresentações e palestras, e a minha foi uma dessas. Lembro de irem dois anos seguidos Artur Gomes, Nayman, Christian (acho que era esse o nome, um menino moreno bem novo, não vi ele nos últimos congressos) e o próprio Jiddu Saldanha (que eu ajudei numa mímica, algo como segurar um copo imaginário que ele enchia). Depois disso procurei o Artur na internet (acho que ele colocou o orkut e o blog dele no quadro) e começamos a conversar. Um dia, perto de julho de 2006, ele me enviou umas cenas de teatro dele, e disse que queria encená-las no Congresso e eu me convidei para participar. Naquele ano Artur foi uma semana antes pra Bento para ministrar uma Oficina de Poesia Falada, da qual também participei, e ensaiamos. Desde então venho participando com ele do Congresso de Poesia. Também fizemos um recital juntos na Fenavinho Brasil 2007 e participamos do III VMH New Scene, no Rio.

May Pasquetti, meio musa, meio poeta, gente por inteira!
CP – Atualmente na universidade, você está estudando em Porto Alegre, fale um pouco da sua formação, projetos para o futuro e possibilidades dentro do mercado de trabalho.

MP - Estou terminando o curso de Licenciatura em Ciências Biológicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. As possibilidades no mercado dentro de Biologia são bastante amplas, o curso permite desde a docência em escolas de Educação Básica até a pesquisa de ponta em grandes empresas e Universidades. Eu pretendo seguir estudando na área de Bioquímica. Vou me formar no final deste ano (2011) e entrar para o Mestrado.

tempo
grandeza vã

capaz de se perder
no espaço
esfacelar-se em pó

dono de longos
e ligeiros passos
faz-se ausente
até deixar-nos
sós

(May Pasquetti)


CP – Como surgiu teu interesse pelo Cinema Possível.

MP - Sou uma grande admiradora de todos os tipos de arte. Conheci o Jiddu no Congresso de Poesia faz 5 anos, e desde então temos feito alguns pequenos filmes, que rodam pelo Youtube. Já vi vários filmes produzidos pelo projeto e achei todas as idéias do Cinema Possível incríveis. Agora em 2010 surgiu essa idéia do curta e Jiddu me convidou para filmar com Artur e Jorge. E tem sido ótimo! Agora não paro mais!

CP – Quem é Mayara Pasquetti por Mayara Pasquetti?

MP - Uma doida responsável, extremamente determinada e persistente, que adora arte de todos os tipos e que tenta fazer as outras pessoas gostarem também, uma (quase) bióloga, alguém que tenta ajudar os amigos sempre que pode, uma aprendiz de poeta, uma chata perfeccionista pra caramba, mas acho que antes de tudo sou alguém em constante aprendizado, que tenta tirar o máximo de todas as situações e que ainda tem muito pra aprontar por aí!

Marisa Vieira comenta May Pasquetti.

A primeira vez que assisti uma apresentação de May Pasquetti fiquei impressionada com tamanho talento de uma moça tão jovem. Praticamente uma "Pagu" da nova geração.

May tem uma ousadia de misturar o sagrado com profano e ainda te deixar com o gostinho de querer beber mais de sua poesia.

No palco é singular, consegue ser várias e ao mesmo tempo uma só, uma atriz revelação, dividir o palco com May Pasquetti foi e sempre será uma grande honra!

Fico por aqui torcendo que o "Brisa" possa soprar aos quatro cantos do mundo e todos possam conhecer o talento e poesia de May Pasquetti.

Navegue no blog de Marisa Vieira - Clique aqui
Conheça a página dela no Alma de Poeta clicando aqui

CAMPOS DOS GOYTACAZES

Quem sou eu

Minha foto
meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná