fulinaíma

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

jura secreta 14


eu te desejo flores lírios brancos
 margaridas girassóis rosas vermelhas
e tudo quanto pétala 
asas estrelas borboletas 
alecrim bem-me-quer e alfazema
eu te desejo emblema deste poema desvairado 
com teu cheiro teu perfume
teu sabor teu suor teu sabor tua doçura 
e na mais santa loucura 
declarar-te amor até os ossos
eu te desejo e posso
:
palavrArte até a morte
enquanto a vida nos procura 


Entridentes

queimando em mar de fogo me registro
bem no centro do teu íntimo
lá no branco do meu nervo brota
uma onde que é de sal e líquido
procurando a porta do teu cais

teu nome já estava cravado nos meus dentes
desde quando sísifo olhava no espelho
primeiro como mar de fogo
registro vivo das primeiras eras
segundo como flor de lótus
cravado na pele da flor primavera
logo depois gravidez e parto
permitindo o Logus quando o mar quisera


Desejo a todos um 2012 pleno
de muita luz amor saúde sucesso e paz

arturgomes

Dilma coleciona vitórias no Congresso; 2012 terá oposição acuada


Em seu primeiro ano, Dilma Rousseff vale-se de base parlamentar inédita para aprovar o que quis e barrar as CPIs que não quis. Econômica nas MPs como Lula e FHC não foram, favorecida por desidratação extra de adversários pelo PSD e com a "sorte" da saída de Antonio Palocci, que contribuía para tensão com aliados, Dilma entrará em 2012 vendo oposição acuada pelo fantasma da CPI da Privataria.

BRASÍLIA – Com uma base de apoio parlamentar de tamanho inédito desde o fim da ditadura militar, em 1985, o governo Dilma Rousseff teve, em seu primeiro ano, uma vitoriosa relação com o Congresso. Ganhou quase todas as votações, viu sair das entranhas adversárias um partido "independente" que esvazia ainda mais a oposição, conteve o apetite inimigo por CPIs contra o governo, resistiu ao forte lobby do judiciário por aumente de salário. 

Um sucesso que a presidenta deixou passar sem registros no pronunciamento de fim de ano em cadeia de rádio e TV que fez na última sexta-feira (23).

Uma coincidência delimita o caminho vencedor do governo no Congresso em 2011. Em cada uma das extremidades, encontra-se a palavra “salário”. 

O primeiro grande desafio da recém-empossada presidenta foi a definição, em fevereiro, do salário mínimo de 2011, que teve reajuste pouco generoso (7%) por causa do crescimento zero de 2009 – uma regra de correção do piso tornada permanente até 2015 prevê aumento com base no crescimento econômico de dois anos antes. Dilma não cedeu a apelos de aliados por reajuste maior.

Teve a mesma postura na última votação do ano, que aprovou orçamento federal de 2012 faltando dez minutos para o início do recesso parlamentar. Não aceitou nem dar aumento real para aposentado que recebe mais de um salário mínimo, nem para juízes e trabalhadores de tribunais pelo país, que tiveram no presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, um atuante "sindicalista" durante o ano.

O jogo duro de Dilma com Judiciário e aposentados tinha exatamente o objetivo de garantir que o governo conseguiria bancar em 2012 um reajuste de 14% do salário mínimo sem comprometer recursos destinados a outras áreas. 

Para o governo, um piso mais robusto no ano que chega será fundamental para o país atravessar a crise econômica global sustentando uma trajetória de crescimento que levou o país ao posto de sexto maior produto interno bruto (PIB) do planeta em 2011. Mais salário deve alavancar o consumo.

As medidas que o governo chamou de anti-crise são uma boa ilustração da força e do sucesso que Dilma conquistou na relação com o Congresso. E isso fica ainda mais evidente, quando se pensa no que passaram países ricos atolados da crise. 

O presidente norte-americano Barack Obama lutou – e sangrou – para aumentar o teto da dívida doméstica. Na Europa governos ditos progressistas sucumbiram e foram substituídos por tecnocratas, pacotes de austeridade fiscal foram aprovados com muito custo, plebiscitos morreram no nascedouro.

Enquanto isso, no Brasil, o governo aprovava um pacote de incentivo fiscal à indústria. Arrancava autorização para controlar a especulação com dólar no chamado “mercado de derivativos”. Renovava até 2015 mecanismo que, se existe há bem mais bem mais tempo do que a crise global, é considerado essencial agora - ajuda a pagar a dívida pública sem levantar desconfiança no “mercado” de que o país vai se “europeizar”, a chamada Desvinculação das Receitas da União.

“O Congresso teve maturidade política", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em café de fim de ano com jornalistas no último dia 22. Em pronunciamento de fim de ano levado ao ar por emissoras de rádio e TV na véspera, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), fez questão de registrar a cooperação com o governo, ao contrário de Dilma, que não mencionou o assunto. “Trabalhamos em sintonia com o governo federal para evitar que essa turbulência freie o crescimento”, afirmou.

Palocci sai: inflexão
Entre as duas coincidências temáticas que demarcam o bem sucedido ano parlamentar do governo, uma mudança no coração do governo contribuiu para melhorar essas mesmas relações. A substituição daquele que, no início da gestão Dilma, era visto como uma espécie de primeiro-ministro todo poderoso, Antonio Palocci, ex-chefe da Casa Civil.

Alvejado por denúncia de enriquecimento ilícito, Palocci balançou por três semanas no cargo, até deixá-lo – porque “quis sair”, Dilma fez questão de dizer também em café da manhã de fim de ano com jornalistas, dia 16. Até aquele momento, Palocci era o operador de uma estratégia de “jogo duro” político do governo com o Congresso, combinada com Dilma. 

Uma estratégia que previa liberação a conta-gotas de dinheiro para obras incluídas no orçamento a pedido de deputados e senadores, as emendas. Que implicava usar ao máximo todos os instrumentos internos do governo para mudar a legislação sem depender do Congresso – e, portanto, de votações que sempre custam algum tipo de negociação (e concessão) política.

Dilma recorreria o mínimo possível às medidas provisórias (MPs), para reduzir ao máximo o número de votações. Não por acaso, Dilma encerra o ano tendo assinado uma comparativamente baixa quantidade de MPs. Até esta segunda-feira (26), tinha baixado 34. O ex-presidente Lula abriu o primeiro mandato com 157 e o segundo, com 69. No último ano da gestão Fernando Henrique, o primeiro com as MPs obedecendo às regras atuais, foram assinadas 81.

Palocci também foi protagonista em uma votação complicada não pode exatamente entrar na conta das vitórias do governo, embora também não possa ser considerada uma derrota. O novo Código Florestal, para cujo debate o governo foi arrastado por sua numerosa fatia de aliados ruralistas, só será votado em definitivo no ano que vem. 

Como sabe que não tem nada a ganhar, do ponto de vista da imagem pública, com a aprovação da nova lei bem no ano em que o país sediará um grande encontro planetário sobre desenvolvimento sustentável, a Rio+20, Dilma preferia sancioná-la ainda este ano e livrar-se de vez do assunto. Não poderá porque a votação enroscou na Câmara, ainda sob a articulação de Palocci, precisou de seis meses para “desenrolar” no Senado, e o resultado é que os deputados só vão voltar a mexer no projeto na volta das férias.

O mesmo acontecerá com outro projeto que o governo queria começar a votar na Câmara ainda em 2011 mas terá de se contentar em discuti-lo após o recesso. É o que estabelece novas regras para aposentadorias de funcionários públicos. O governo deve realizar concursos públicos em 2012 e gostaria de contratar os servidores já dentro das novas regras. Não conseguirá.

CPIs, não
Palocci inaugurou uma longa série de ministros que viriam a ser denunciados por desvio ético em reportagens da imprensa, numa escalada que animaria os adversários do governo Dilma a adotar a mesma postura vista com o antecessor dela, Lula. 

A cada acusação nova, um pedido novo de CPI, às vezes sob um batismo genérico de “CPI da Corrupção”. Seis ministros caíram por suposta corrupção, mas nenhuma comissão parlamentar de inquérito foi instalada.

Anêmica, a oposição a Dilma não consegue aglutinar um terço dos deputados ou dos senadores para emplacar uma CPI. O ano termina com os três principais partidos anti-Dilma com 88 deputados, mais ou menos a metade do tamanho que precisariam ter para abrir uma CPI. Juntos, PSDB, DEM e PPS perderam 21 deputados desde a eleição de 2010. 

No Senado, os três têm 15 parlamentares - teriam de ser ao menos 27 para abrir CPIs, algo que não conseguem nem contando com dissidentes entre partidos governistas.

Desfalcada desde as urnas em 2010, no enfrentamento com o popularíssimo Lula, a oposição sofreum um baque adicional onze meses depois, quando, em setembro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou a criação do Partido Social Democrático, o PSD do prefeito paulistano Gilberto Kassab. 

A sigla nasceu como a quarta maior do Congresso, atrás apenas de PT e PMDB, que dividem o governo com Dilma e o vice dela, Michel Temer, e os tucanos. 

Tucanos que terminam o ano na mira da CPI que tanto cobraram contra Dilma, uma comissão destinada a apurar se houve mesmo bandalheira em privatizações da administração Fernando Henrique, como diz o livro-denúncia A Privataria Tucana.

Com o principal adversário acuado pela expectativa de uma CPI, o governo Dilma tem tudo para começar o ano legislativo mais forte do que o vitorioso 2011.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

boi pintadinho


O
Boi
Pintadinho
                           
... E
lá vai o boi
com seus olhos tristes
feito mãe cansada
da estrada e da vida,
vai carregando dor nos olhos,
cabisbaixo
com medo de levantá-los
e ser o primeiro
a enfrentar a faca
ou quem sabe,
a forca.

Lá vai o boi de arado
boi de carro
boi de carga
boi de cerca
boi de canga
boi de corda
boi de prado
boi de corte.
Boi preto
boi branco

lá vai o boi pintadinho...

lá vai o boi
na tua consciência
triste e solitária
olhando os que passam
com medo de levantar a voz
e colocar o seu mugido
na consciência dos outros.

Lá vai o boi
no teu passo manso,
dança na contra-dança
com certeza que a esperança
é muito mais do que aquilo
que já te foi predestinado.
Lá vai o boi-pintadinho...

lá vai o boi...
boi Antônio
boi Joana
boi Maria
boi João.
Boi Thiago
Boi Ferreira
Boi Drummond
e Boi Bandeira,
e tantos outros bois
que conheci por este país afora...
que sabendo ou não sabendo
cada boi tem sua hora.

Lá vai o boi
com teu jeito manso
no equilíbrio manco
que me inspira e desespera...

vai para o cofre,
ele sabe disso.
Vai para o açougue
ele sabe disso.
Vai pra balança
e nem parece equilibrista
mas já conhece o seu destino.

Lá vai o boi –pintadinho...

E lá vai o boi
atravessando as ferrovias
nos vagões de ferro.
Vai carregado
de marcas pelo corpo
e agonia até a alma.

Levanta meu boi levanta
que é hora de viajar
acorda boi povo todo
povo e boi tem que lutar...

Levanta meu boi operário
boi do martírio e do salário
boi da enxada e do horário
boi da cangalha no pescoço
boi de carne, boi de osso
servindo o prato da serpente
boi da lama
boi do fosso
boi indgesto e indigente.

levanta meu boi de fardo
boi de cerca
boi de carga
boi de canga
boi de corda
boi de força
boi de farça
boi de farra
boi de forra
boi de festa
boi de ferro

levanta meu boi de sina
boi de pavio
espantalho
boi de pano
levanta meu boi de palha
boi de circo
boi de sonho
boi selvagem
boi de plano

levanta meu boi de barra
boi de birra
boi de barro
boi de berro.

Levanta meu boi pintado
homem palhaço mascarado
máscara de animal e desengano
mas homem nenhum desalmado
se mostrará com a nossa face
se cobrirá com os nossos panos

Levanta meu boi de prata
boi de prato
boi de pranto
boi de prego
boi de arame farpado
boi de carga e de arado
boi joão desempregado
de terno inferno e gravata
boi sem livro
boi sem ata
boi de safra
boi de cofre
boi de carta
boi de corte:
boi de carne ferida
mugindo de sul a norte,

boi que nasce pra vida
e a gente engorda prá morte.


Artur Gomes
In auto do Boi Pintadinho
Prêmio Mec - 1980

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

1º Festival Nacional de Cinema do IFF (Instituto Federal Fluminense de Ciência e Tecnologia)



3 filmes com direção de Jiddu Saldanha meu grande parceiro e responsável pela minha introdução na aventura do áudio visual quando juntos começamos a filmar em Cabo Frio em 2007.

um múltiplo olhar sobre tudo o que é arte. vídeo.arte, vídeo.teatro, vídeo.cultura, vídeo.clipe, vídeo.vida, vídeo.poesia, uma viagem por estradas sem fronteiras inter-vias festival de cinema do IFF imagens para o além-mar da menina dos olhos de quem olha e aprende a v(l)er.

Artur Gomes
ao meu saudoso e eterno Mestre Uilcon Pereira
In memória

“a memória é uma ilha de edição”
Wally Salomão

A pedra filosofal do 1º Festival Nacional de Cinema do IFF a ser realizado de 16 a 20 de abril de 2012, será lançada com a Mostra Curta IFF no pátio do Campus Campos Centro no período de 14 a 16 de março de 2012 com a exibição de vídeo.arte, vídeo.teatro, vídeo.poesia, vídeo.cultura, vídeo.cripe, vídeo.vida. além da produção da Oficina Cine Vídeo e Outros Baratos Afins

O Regulamento do FESNAC IFF estará disponível no blog Oficina Cine Vídeo a partir do dia 10 de janeiro de 2012. Portanto galera mãos a massa. 


saiba mais sobre o Projeto Cinema Possível de Jiddu Saldanha aqui http://curtabrisa.blogspot.com





1º Festival Nacional de Cinema do IFF

gabriela azevedo - foto: artur gomes


Você que produz vídeo com câmera celulares ou câmeras fotográficas digitais, ou pretende fazê-lo, agora você tem canal aberto para Mostrar a sua produção áudio visual:
       
Mostra de Curtas do IFF de 14 a 16 de março de 2012 no Campus Campos Centro, onde além de proporcionarmos visibilidade para um grande público para a sua produção, de acordo com a qualidade que ela atingir você poderá ser premiado no 1º Festival Nacional de Cinema do IFF, que acontecerá no período de 16 a 20 de abril de 2012.

Se o seu vídeo foi produzido entre os anos de 2010  a fevereiro de 2012, você poderá inscrevê-lo, enviando-o em arquivo AVI, MPEG ou DVD para Oficina Cine Vídeo do IFF – Rua Dr. Siqueira, 273 – Parque dom Bosco – Campos dos Goytacazes – RJ – cep. 28030-130 acompanhado da Ficha de Inscrição, até o dia 1º de Março de 2012.

Se você é aluno do IFF ou morador de Campos dos Goytacazes, poderá fazer a inscrição diretamente na Oficina Cine Vídeo. Lembramos ainda que a partir de abril de 2012 a Oficina Cine Vídeo do IFF estará aberta não só para estudantes do IFF , mas também para toda comunidade externa da cidade de
Campos dos Goytacazes interessada em ingressar nos mistérios da produção áudio visual.

Maiores informações:
Artur Gomes
Professor da Oficina Vne Vídeo
(22)9815-1266

Conta do face book artur.gumes@gmail.com fulinaimagem2

Ficha de Inscrição

Nome:­­­­­­­­­­­__________________________________________________

Título do Filme:____________________________________________
Categoria:  (   ) Câmera de Celular     (   ) Câmera Fotográfica Digital
Outros tipos de Câmeras    (    )

Endereço:________________________________________________

Cidade: ___________________________Estado: ______________­­­__

Fone:______________________

e-mail______________________

Página na internet.:_________________________________________

Estudante:?_______(sim)             (não)

Se estudante -  Qual Instituição: ________________________________ 

Jiddu Saldanha e o Cinema Possível em Cabo Frio


Noélia Albuquerque
Jiddu se preparando para encenar mais um número de mímica, um de seus talentos
1
joao xavi · São João de Meriti, RJ
9/7/2009 · 18 · 2
Jiddu Saldanha é uma daquelas figuras inspiradoras, que em uma breve conversa nos traz uma série de reflexões e novas perspectivas para questões gritantes aos dias que vivemos hoje (da forma como produzimos e consumimos cultura, até a maneira que nos relacionamos como sociedade)

Graças à sorte ou a uma justiça divina (escolha aqui sua fé, e siga em frente!) tive a chance de conhecê-lo na primeira etapa das Oficinas Humano Mar em Cabo Frio. Inquieto, o curitibano que atualmente mora na Região dos Lagos tem uma longa vivência artística e toca vários projetos instigantes, sempre de olho no diálogo, no encontro e na troca.

Desta sede de realizar, Jiddu constrói filmes feitos com câmera fotográfica e editados em programas simples. Além de produzir de forma avassaladora ele ainda encontra tempo pra articular exibições de cinema nas casas das pessoas. Conheça um pouco da história de Jiddu lendo sobre tudo isso e mais um pouco nesse bate papo que tivemos via MSN.
(Entrevista por Igor Barradas, Paulo Mainhard e João Xavi)

Como foi sua trajetória até chegar ao Cinema Possível? 
Jiddu: Sempre fui cinéfilo, em Curitiba fui ao cinema pela primeira vez ver um filme chinês chamado DRAGÃO CEGO CONTRA O LOBO BRANCO... eu tinha 8 anos de idade! O Nome do cinema era ARLEQUIM, foi meu irmão mais velho que me levou e o porteiro deixou a gente entrar de graça porque ficou com pena da gente... Andamos 8 km para chegar ao cinema que ficava no centro da cidade!

Começamos bem...
Jiddu: Foi paixão à primeira vista, eu fazia de tudo para ver um filme! Inclusive apresentava números de dança para os porteiros, cantava músicas americanas num inglês fingido, qualquer mico era melhor do que ter que suportar a infância abandonada dos anos de chumbo! Eu fiquei famoso na minha comunidade por que tinha o hábito de contar filmes para os amigos... era um jogo interessante, no fundo os filmes não existiam, minha cabeça era muito fantasiosa e todo mundo gostava de me ouvir contar filmes!

Depois veio o teatro amador e então um encontro com dois cinéfilos doentes que foram meus primeiros professores de teatro. O Professor Mario Belino e o Jairo Lourenço...

Mário disse para mim que se eu não assistisse pelo menos um filme do Pasolini que não o procurasse mais! Por sorte vi no Corujão da Globo, na casa de uma suposta namorada Mama Roma! E aí pronto... o cinema virou um sonho inatingível mas autêntico... Já nos anos 80, na faculdade de teatro todos os atores iam ao cinema ao invés de teatro e só aí é que pude conhecer, de fato, o cinema Nacional... Inclusive, neste período virei mímico por causa do cinema (Chaplin,Buster KeatonMazzaropi...)


E que impressão você teve quando conheceu o cinema nacional? 

Jiddu: O Primeiro filme brasileiro que vi não lembro o nome, mas era de um personagem famoso lá no sul chamado TEIXEIRINHA! Acho que o nome do filme era VERIDIANA, era um filme caipira, ao estilo Mazzaropi mas com o toque mais ao sul do Brasil, Teixeirinha era um ídolo, que fez a famosa música "Coração de Luto", que é também conhecido como CHURRASQUINHO DE MÃE...
Depois, claro, vi todos os filmes dos Trapalhões e Mazzaropi! Até verVereda da Salvação, com o Raul Cortez, um puta filme!

E o cinema novo ou marginal paulista, chegava até você?
Jiddu: Por incrível que pareça não! Consegui ver o filme da Carla Camuriti, com música do Arrigo Barnabé, que acho que se chamava NOITE, se não me engano... A gente via mesmo é o cinema Carioca! O Rio de Janeiro era um mito na cabeça de qualquer curitibano... São Paulo soava mais operária e o Rio tinha uma imagem de prazer por causa da poesia do Vinícius e as novelas da Globo!

O nome do filme era Cidade Oculta, estamos no inicio dos anos 80, certo?
JidduCidade Oculta, isso mesmo! Mas quando vi A Idade da Terra, do Glauber, enlouqueci de vez! Entrei em transe!

O mais louco dos filmes do Glauber, o mais transgressor...
Jiddu: Com certeza, eu trabalhava num banco, fui do comitê de greve e o Gerente me ofereceu a oportunidade de sair sem ser demitido por justa causa. Recebi a rescisão do contrato de e o fundo de garantia. Pequei essa grana e comprei meu primeiro Vídeo-Cassete e aí botei pra quebrar! Vi toda a obra do Kurosawa,BergmanPolanski...

Em Curitiba quase não havia Cinema Nacional mas consegui ver os clássicos da AtlântidaCinédia Vera Cruz! Inclusive o famosoPagador de PromessaO Cangaceiro entre outros!

E como era viver isso tudo em Curitiba?
Jiddu: Devido à influência Imigrante de Curitiba eu vi muito cinema Italiano e Alemão! Até hoje as pessoas estranham como eu, com essa cara de brasileiro puro, falo do cinema alemão com tanta naturalidade. Muito simples: Curitiba nos anos 70 pululava de descendentes de imigrantes alemães, poloneses e italianos, então, vi o neo-realismo italiano como quem vê um filme do Mazzaropi!

A tecnologia trouxe a possibilidade de se fazer cinema com um celular, mas isso traz consigo uma poluição audiovisual. Como navegar nessa nova realidade? Qual é a responsabilidade dos cineastas de hoje diante dessa realidade?
Jiddu: Concordo com você, inclusive no começo do meu projeto eu tinha consciência de que estava contribuindo muito mais para a poluição visual do que para o cinema em si. Mas acho que havia uma possibilidade! Que não era bem o discurso que os agentes que produzem cinema davam...

Eu acho que nós, no Brasil, temos que aprender a realizar primeiro e para que isso aconteça é necessário ter coragem de se expor! Acho hoje meus filmes melhoraram muito, e agora eu entendo exatamente a extensão do risco que corri! Mas parece que o projeto foi se salvando pelas minhas escolhas e também pela minha intenção!

Um processo de formação, até meio autodidata...
Jiddu: Isso mesmo! Eu assumi a minha condição terceiromundista, a minha probreza... Na verdade eu sou inspirado por um cineasta de São Paulo de quem nunca vi nenhum filme mas só de saber da história dele me emociono. O Ozualdo Candeias! Dizem que ele foi o único cineasta brasileiro que terminava de fazer um filme e voltava pra vidinha pobre dele onde faltava tudo. Na verdade ele foi um exemplo de que o sonho do cinema não podia ficar restrito à classe média que tem acesso ao estudo e aos equipamentos mais caros! Então, nesse sentido, o cinema foi um encontro da inspiração com a possibilidade!

Quanto tempo o cinema possível tem de estrada e quantos rebentos ele já produziu?
Jiddu: Bom, eu produzi muitos filmes mas, claro, meu projeto está numa fase de triagem e dos quase 100 filmes que fiz nos últimos 2 anos e meio consideram pelo menos uns 20. Sendo que eu faço vários experimentos, pois, meu objetivo principal é entender o processo de um filme... então, eu faço vários tipos de audiovisual: documentários, clipes, ficção, cinepoema... e muito material experimental!

E onde é que esses filmes vão parar?
Jiddu: Pois é, pouca gente sabe que sou publicitário de formação. Então, meus filmes são muito mais assistidos do que parecem! Eu tenho os canais de usuário no Youtube, são 6 ao todo, onde classifico os filmes por estilo. Mas também já participei de diversas mostras no Rio Grande do Sul, no Amapá, No Rio de Janeiro e aqui em Cabo Frio meus filmes foram mostrados no Cine Tribal e no meu cineclube itinerante, o Cine Mosquito. O que eu evito são os festivais competitivos!


Por que evita os festivais competitivos?

Jiddu: Percebi que os filmes feitos com baixar resolução ainda não são levados muito a sério nos festivais!

É verdade. Será preconceito? Burrice? Elitismo?
Jiddu: É complicado mostrar o filme se ele não for contextualizado antes! Aí fica parecendo que a gente não sabe fazer e na verdade não é esta a discussão que me interessa. O cinema de baixa resolução é uma estratégia de inserção social e aí entra o projeto que desenvolvi na ONG CECIP durante um ano!

Fala mais sobre o trabalho no CECIP...
Jiddu: Ensinei a técnica de Cinema Possível para professores da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro, e fizemos duas mostras, tudo através do CECIP.

E que técnica é essa?
Jiddu: A idéia é convencer o professor a editar seu próprio acervo. Numa primeira fase a gente não entra com o discurso do OLHAR, e sim com a estratégia de implementar um novo hábito nas pessoas de editar seu próprio material audiovisual!

Reciclagem audiovisual...
Jiddu: É importante construir esse hábito e ensinar o pessoal a trabalhar com software simples... e o mais simples de todos é o MOVIE MAKER. Só então, numa segunda faze entramos com o discurso cinematográfico de fato!

Como é o seu processo de trabalho?
Jiddu: Meu processo começou muito compulsivo, tive que aprender tudo sozinho! Filmava tudo o que via, fazia um filme e depois avaliava o resultado. Quando conseguia a chegar numa síntese chamava um ator para fazer um filme com ele!

Não entendi, explica melhor...
Jiddu: Eu experimentava as linguagens de cinema, e ao mesmo tempo estudava o limite técnico da máquina, do programa de edição e só fazia um filme quando tinha o domínio técnico do que eu queria dizer! É por isso que o cinema possível não gera filmes em grande quantidade porque ele contém uma estratégia de experimentação auto-didática! Anoto tudo, inclusive fiz uma apostila do método...

100 filme em 2 anos não é uma grande quantidade?
Jiddu: Como eu te disse antes, não considero 100 filmes como produto e sim, algo em torno de 20 filmes!

Mesmo assim Jiddu, é quase um filme por mês!
Jiddu: Coloco como resultado específico em 2 anos algo em torno de 20 filmes onde considero o resultado. Mas acho que teu processo não engloba as fazes do cinema possível, acredito que seja uma outra filosofia! No meu caso existe uma investigação e experimentação muito aberta onde a quantidade é muito necessária nesta fase!

Mas na prática Jiddu, como que é? Que câmera você usa, em que condições você produz? Com que equipe?
Jiddu: Pois é, você tocou num assunto polêmico! Eu não considero a tecnologia um fator limitante, mas sim instigante. Então eu trabalho atualmente com uma câmera fotográfica de 10 megapixels... Não estamos falando de um cinema convencional, mas de um cinema que se apóia na precariedade e na invenção de si mesmo!

O cinema sempre foi visto como uma arte coletiva, e agora esta se tornando uma arte individual. Como vc vê isso? Quem faz o cinema possível, o Jiddu e mais alguém?
Jiddu: Tudo no cinema possível é fruto de trabalho de que envolve muitas pessoas, mas não existe a organização clássica do cinema indústria! Nos meus filmes eu trabalho com músicos, atores, a diversos tipos de apoio... OS APOIOS POSSÍVEIS!

O que acontece é que o fator coletivo no cinema depende de diversas questões! O Cinema Possível não é um coletivo de 10 ou 20 pessoas, mas nenhum filme que faço é solitário, entende?
Quando fui estudar na Darcy Ribeiro eu tinha uma produção e queria discutir o caminho que tava trilhando, a professora, Inez Cabral, foi muito aberta e entendeu profundamente minha intenção...

E o Cine-Mosquito, ver filme juntinho é mais gostoso?
Jiddu: Pois é, o Cine Mosquito é mais um passo para romper com a solidão e preconceito. Muitos dos filmes produzidos no Brasil, não só meus, não têm como ser mostrado!
A idéia de um cineclube itinerante que vai na casa das pessoas gerou bastante audiência para filmes de muitos cineastas... inclusive o filme Curtindo a Vida Armado foi mostrado em 3 sessões para públicos diferentes dentro de Cabo Frio, tendo chegado a um público de aproximadamente 60 pessoas. Esse número parece que não é nada se pensarmos no cineclube tradicional ou na sala de exibição, mas é um número que aponta para uma tendência que pode mudar a forma de ver cinema nacional.

Como funciona o Cine-Mosquito?
Jiddu: Na verdade não existe nenhuma novidade em se mostrar filmes na casa das pessoas mas o Cine Mosquito tem algo de novo que é dar um caráter organizacional para a coisa!
Uma delas é a curadoria dos filmes, os critérios de escolha que devem ser discutidos com o dono da casa, a outra é evitar transformar o encontro num evento com telão e tal. Queremos ver os filmes na TV normal que as pessoas possuem em suas casas. E o evento só acontece quando alguém oferece sua casa. Este ano eu realizei apenas um no Amapá, dentro de uma universidade. O conceito ainda está sendo implementado, por isso, é difícil dar uma definição técnica. Mas se tivermos 12 convites durante um ano, teremos um Cine Mosquito por mês, até agora fizemos 6, todos os eventos são catalogados no blog.

Tá, então convido você para uma exibição na minha casa!
Jiddu: Seria ótimo! Existe uma questão de hábito aí e é onde o projeto ganha! No futuro as pessoas vão receber dinheiro para exibir filmes na sua casa! Essa é uma tendência... não sou eu que digo isso e sim o DOMÊNICO DI MASI

Mas se a casa é minha e a curadoria também, qual é o diferencial?
Jiddu: A Curadoria não é sua apenas é nossa! Existem critérios para que uma exibição na sua casa possa se chamar Cine Mosquito, entende?

Quais os critérios?
Jiddu: Estou tentando explicar o que é que acontece e porque o Cine Mosquito ainda não é uma idéia usual, depende de muita reflexão, diálogo e por isso ainda não temos como garantir uma programação mais continuada do evento!

A TV é um aparelho que compramos para exibir filmes consensuais. Ela é um terminal periférico para a exibição de conteúdos veículados não necessariamente por nós!

A discussão que o Cine Mosquito levanta é a apropriação desse objeto caseiro para a exibição de filmes escolhidos pelo dono da casa e direcionada ao público que ele quer mostrar!
A idéia parece simples mas não é, porque é um conceito amparado numa mudança da forma como nos apropriamos das imagens produzidas no planeta!

Cabo Frio tem uma perspectiva particular?
Jiddu: Com certeza Cabo Frio é uma surpresa no que tange ao fazer cinema! A cidade teve a sorte de ter um festival de cinema e o trabalho do Observatório Humano Mar que canalizou um momento e, modestamente, me permito dizer que o cinema possível ajuda muito a cidade! Assim como está sendo muito bom pra cidade o trabalho feito pelo Observatório, que sabemos, está mudando o destino de muita gente, inclusive posso afirmar que, devido a uma antena que tenho ligada no meu instinto de sobrevivência, o Cinema Possível também bebeu na fonte deste projeto.

Nos Cine Clipes você usa músicas de compositores famosos. Como você vê a questão dos direitos autorais? Hoje, o que é respeitar o autor?
Jiddu: Todas as músicas que uso são autorizadas! É um trabalho de parcerias, apesar de alguns músicos serem conhecidos, muitos nunca tiveram um Cine Clipe falando de sua obra.

Eu acho importante respeitar os direitos autorais, isso é fundamental! Mas eu desenvolvi técnicas de abordagem para chegar nesses profissionais e convencê-los a fazer o Cine Clipe. É importante que eles vejam que o paradigma da produção musical mudou no Brasil e a parceria é importante para que todo mundo possa ter visibilidade!

O Brasil é um país de concentração de renda, poder e saber. De vez em quando precisamos ter idéias e parcerias inovadoras para evitar que só alguns ganhem enquanto os outros ficam à margem!

E as perspectivas, o futuro?
Jiddu: Eu sou bem otimista. O projeto DO GIZ AO PIXEL, realizado na ONG CECIP foi um grande sucesso! A própria ONG quer dar continuidade e já me chamou pra conversar. Este ano tenho alguns convites para viajar e falar deste projeto, é um trabalho de formiguinha e ainda muito solitário, mas já está dando frutos!

Site do Jiddu:
http://www.jiddusaldanha.com/

Canal do Cinema Possível no Youtube:
http://www.youtube.com/user/cinemapossivel

Cinema Possível no Orkut:
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=55087

Cine Clipe no Youtube:
http://www.youtube.com/cineclipe

Blog do Cine Mosquito:
http://www.cinemosquito.blogspot.com/

ORIGINALMENTE PUBLICADO EM:
http://www.humanomar.com.br

CAMPOS DOS GOYTACAZES

Quem sou eu

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meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná