quarta-feira, 11 de julho de 2012

Quando dois e dois são cinco



Sempre que me vejo frente ao descaso que as instituições governamentais dão ao estado caótico em que se encontra o Brasil eu costumo resumir a solução a uma palavra: educação.

Simples como dois e dois são quatro. 

Há os que dirão imediatamente que pode não ser quatro. Talvez três e meio, por razões nunca claras; talvez cinco, com os juros a serem considerados, ou vinte e dois, se mudarmos de estratégia e, em vez de somarmos, colocarmos os números em sequência. Em resumo: quando não se quer usar uma lógica única e óbvia qualquer resultado apresentado será viável. E é dessa falácia que vivem os que têm seus próprios interesses e procuram evitar que se tomem atitudes para se avançar com rapidez e eficiência. Esclarecendo: quando alguém tem interesses em que algo não ocorra, fará tudo para que não aconteça, mesmo que represente uma perda enorme para uma infinidade de pessoas.

Que a educação é algo indispensável à evolução de qualquer povo, isso é incontestável, mas investir nessa necessidade já são outros quinhentos. Problemas, é claro, de interesses.


A educação promove abertura de visão, eleva o senso crítico, qualifica o indivíduo, prepara-o melhor para a vida, mas também o arma para combater o abuso contra si próprio, contra as tramas da sociedade onde ele está inserido, para exigir remuneração digna pelo seu trabalho, para início de conversa.

E aí começa a queda de braço! Povo educado, mão de obra cara.


O país vem vivendo há muito tempo do aproveitamento de mão de obra barata. Escravos, imigrantes com pouca instrução, povo pouco aculturado... As empresas, principalmente, as estrangeiras que se bandeiam para o país (e nos trazem lucros internos, é verdade), precisam de mão de obra barata para sobreviver às exigências empregátícias criadas pelo governo e para lucrar muito. Se educarmos o povo isso se tornará inviável. E povo educado é povo que vota consciente e para muita gente isso também não é interessante. 

O governo nos cobra impostos numa porcentagem que nos leva quase a metade do que produzimos, ou seja: somos escravos (os que produzem e os que trabalham), principalmente, da máquina de governo que paga fortunas para seus dirigentes e legisladores. E o que vemos? Falcatruas, armações, superfaturamentos, abuso de poder, desrespeito público e o pior: corrupção total e sem freios. Quem julga quem? Quem pune quem, num jogo de absoluta falta de ética e, na maioria das vezes, de cartas marcadas?...

Em outra vertente, aos ganhos de capital não interessa que sejam feitos gastos com investimentos fora do seu âmbito de ação, exceto se os donos do capital participarem com empréstimos, a peso de ouro.

Nesta mistura de interesses, a educação não pode ser o objetivo principal. Como investir em educação se ela não interessa a ninguém? Como fazer da educação a meta a alcançar?

Numa estrutura que vem mantendo um retorno econômico fabuloso! Isso mesmo. Apesar de todo esse atentado contra o povo brasileiro, o planejamento de crescimento do país é soberbo. O país está crescendo, sim. O país dá lucro, sim! Mas este lucro fica restrito a poucos. E esse crescimento deve ser pequeno e a conta-gotas para que o processo de avanço educacional seja também minguado e a capacidade crítica não interfira nas loucuras que vão acontecendo nos subterrâneos do governo e do que o cerca. E quando falo governo não falo do partido A ou do partido B. Falo da estrutura montada para o ganho fácil e de grupos articulados. O pior é que isso abraça todos os níveis de gestão e todos os órgãos de controle e justiça.

Há homens de bem? Claro!!! Ou seríamos uma podridão à deriva.

Mas só haverá avanço de qualidade na educação, com suas consequências na ética, quando os professores tiverem remuneração digna, superior a ascensoristas de parlamentares e outros desqualificados bem remunerados. Só quando as escolas estiverem em funcionamento, as estratégias de educação premiarem a qualidade e o direito universal à educação isso passará a ser possível. Nada de cotas! Educação para todos! Absoluta, qualitativa e irrestrita. Em todos os níveis.

Ver, diagnosticar e apontar soluções é muito simples. Implementá-las, extremamente complicado.

Este é o preço do sonho! Será que algum de nós verá isto acontecer, ainda nas próximas décadas?

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