quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Brazilìrica Pereira: A Traição das Metáforas



Artur Gomes, feito gume, é máquina devoradora do mundo. 
Mastiga coisas, afetos, pessoas, rumina e afia os elementos 
em sua navalha verbal e os transforma na mais pura poesia. 
Dono de uma criatividade em permanente ebulição, hábil no verbo e na disposição visual do mesmo no espaço do suporte - papel ou pano - bandeira a gotejar palavra que, não raro, é também palco e gesto, (in)cenação a complementar e enriquecer o que a palavra muda já disse, a dizer outra coisa que é também a mesma coisa: poesia. 

Poeta em tempo integral, como poucos ousaram ser, Artur Gomes constrói, sem pressa (os anos não parecem pesar - na carne nem no espírito) a sua delirante e criativa poesia, colagem da colagem da colagem, (re)encarnação mais do que perfeita da antropofagia como nem mesmo o velho Serafim sonhou. Nada, absolutamente nada escapa à sua devastadora e permanente passagem, andarilho de poderosa voz a evangelizar para a poesia.

Este Brazilírica Pereira: A Traição das Metáforas é a continuação de um enredo de há muito ensaiado. Seus atrevidos personagens já apareciam em Vinte Poemas com Gosto de JardiNÓpolis & Uma Canção com Sabor de Campos. Legítimas apropriações retiradas de suas viagens brazílicas, figuras que a sua generosidade literária faz questão de homenagear. Na passarela poética de Artur, tanto podem desfilar Mallarmé, Faustino, Dalí, Oswald, Baudelaire, Drummond, Pound, Ana Cristina César e o sempre lembrado mestre Uilcon Pereira, a quem o novo livro é dedicado, como personagens anônimos encontrados nas quebradas do mundaréu, além dos amigos, objeto constante de sua poesia. 

Neste caldeirão, olho gótico TVendo”, entra até um despudorado acróstico, rimas milionárias em permanente celebração. 

O poeta Artur, disfarçado de concreto, celebra descaradamente a amizade e o lirismo e ri-se de quem tenta classificá-lo. Evoé, Artur!

Dalila Teles Veras
www.alpharrabio.com.br

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