sábado, 3 de novembro de 2012

Caboca Goyá


(Para minha bisavó e minha filha Valéria Amor-in)

Perdida nas sombras tortas
do cerrado 

catando gravetos
folhas secas
flores murchas
um resto qualquer
de cigarra morta
que negue essa aldeia
a pulsar ancestralmente
na batida do meu peito

Goyá! Goyá! Goyá!
Goyá! Goyá! Goyá!
Goyá! Goyá! Goyá!

Buscando uma erva
que cure de vez
a dor de uma ausência
das fogueiras que jamais
me esquentaram os pés

Goyááááááááááááá!

Sugando o encarnado
das caliandras
para tingir meu sangue
de outro vermelho
mais luz
menos dor
mais planta
menos eu





Lilia Diniz

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CAMPOS DOS GOYTACAZES

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