fulinaíma

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Dudu em um olhar eterno


Luciana Portinho www.fmanha.com.br

Conversar com Dudu Linhares é aceitar ser encaminhado ao seu universo sensível. Quando a troca acontece em seu ambiente final de criação, um atelier claro e integrado ao jardim, a viagem é completa. O jornalista e fotógrafo, que não vive sem música, e campista — pai, avô e bisavô — é um homem feliz por suas conquistas, inquieto em realizar seus futuros projetos. Seu livro-arte, “Caminhos do Vento” mostra um pouco de sua obra e da visão artística que tem do que lhe cerca. Com noite de autógrafos, o livro foi lançado ontem junto à exposição “Vintage” de fotografias impressas em telas de pintura.
— Esse livro é um pouco da minha trajetória, de como vim ao mundo e do ângulo do meu olhar. É um ato de loucura sã e a sua feitura, tomou-me alguns anos. Até aqui são mais de 30 mil fotografias que tenho arquivadas. E apesar de minha formação ter sido no preto e branco, que tanto valoriza a forma, as cores da natureza chamam a atenção. Minha matéria prima — diz ele se referindo aos insetos e as cenas da natureza que fotografa — é captada ao vivo, não se repete. Uma borboleta não espera. Todas as minhas fotos são finalizadas no computador, é um corte, uma correção de cor ou a retirada de um defeito. Mais do que um registro ao usar a máquina é a visão e a técnica — diz.
Antes de se dedicar em definitivo à fotografia, Dudu — formado posteriormente em jornalismo na primeira turma da Fafic — foi estudar psicologia no Rio de Janeiro. Não se adaptando a morar na capital, retornou a Campos para concluir seus estudos e trabalhou com jornalismo junto a Hervê Salgado. Já formado, deu aula de fotografia na faculdade local. Remonta a essa época a convivência com o pessoal do teatro em Campos como Wiston Churchill Rangel e Orávio de Campos. Foi então que abriu sua agência de publicidade que ele orgulhosamente cita ter emplacado os três primeiros comerciais da então recém-criada TV Norte. Também desse tempo, o início do gosto pela escrita apesar dele não se considerar poeta.
— Foi quando meu pai me chamou para ajudá-lo na usina. Aí vendi tudo, fechei a agência. Anos depois, observando as orquídeas que minha mãe cultivava é que voltou a minha vontade de fotografar. Vem deste momento o início de minha intimidade com o computador; dei-me conta de que “o bicho ia pegar”. Comecei a entrar em sites, era o começo do desenvolvimento da computação no PC, da fotografia digital a qual, na minha visão, produziu uma revolução nas artes, em especial na arte de fotografar e no cinema — comentou o fotógrafo.
Ft. Phillipe Moacyr
Dudu Linhares esclarece que apesar de também expor sua arte em forma de quadros, ele não pinta, “todo meu trabalho é fotografia”. O que ele faz é introduzir texturas, manipulando propositalmente as imagens, brincando com elas ao envelhecê-las. Depois as imprime em tela de pintura para criar o efeito final de um quadro único.
“Fotografar é olhar para sempre”, assim Dudu Linhares finaliza o seu livro de 204 páginas. É uma bela síntese de seu trabalho voltado para o mundo da macro-fotografia, um convite ao mundo da beleza natural que acompanha a todos.
Novos projetos para fotografia em mente
A mostra “Vintage” exibida na noite de ontem junto ao lançamento do livro “Caminhos do Vento” foi composta de nove trabalhos de autoria de Dudu Linhares. Para alinhavar a composição da noite, ao fundo, uma seleção musical de jazz especialmente produzida para quem adquiriu o livro.
Dudu é um fotógrafo integrado ao ambiente de sua ar-te. Recentemente, no mês de outubro, foi classificado em primeiro lugar pelo blog FotoGlobo. Das 11 edições de 2012, ele participou em pelo menos oito delas. Agora, ele irá participar do Encontro de Fotógrafos de “O Globo”, que acontecerá neste mês de dezembro. Lá será lançado, também no Rio, o livro “Caminhos do Vento”.
— É importante o feedback dos colegas. Com eles aprendemos. Travo permanente troca com gente na Noruega, nos EUA e com brasileiros que residem no estrangeiro — diz o fotógrafo.
Dudu tem projetos futuros  claros em sua mente, entre eles, um livro de histórias infantis ludicamente ilustrado de fotografias.De sua mente criativa há ainda o desejo de transmitir seu conhecimento aos amantes da imagem fotográfica. “Muitos me pedem para ensinar, mas, não quero ensinar de um a um e sim coletivamente através de um blog que criarei e pelo qual avançaremos na mesma linguagem”, diz um Dudu que aos 61 anos se diz no lucro. “Nasci de sete meses, sem unha, nem um fio de cabelo, nada. Uma parteira me botou para fora”.

Nenhum comentário:

CAMPOS DOS GOYTACAZES

Quem sou eu

Minha foto
meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná