quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

poéticas




poética 37
para Laís Tavares

tínhamos um encontro
marcado
datado com dia e hora
agora
os segundos passam
mais depressa
a hora é essa
não importa
se o trem passou
não acredito
baby
que fim tem data marcada
que nada
baby
tudo ainda nem começou




poética 38
para may pasquetti

ela me espora
explora o corpo nu
agora e sempre
lambe a pele das palavras
lavras
do meu ser em pêlo
em arcozelo
vi teu olho azul
de mar
oceano entrando
gasômetro
cais do porto
no meu corpo dentro
barco em movimento

fato
que descortina
a sina
de amar-te em parte
pela arte
de saber-te minha
e então deixar-te
em febre
pele músculos pela noite
nossa
o que quer que eu possa
quando o corpo clama
toda água ou sangue
mesmo em santa ceia
quando a carne chama
tudo está na veia







poética 39

e se eu te amasse
de outra forma
e não essa
jura secreta em segredo
se comesse
em tua língua
bebesse em tua boca
lambesse toda carne
nua e crua
como a lua
que ora tece luz
entre teus poros
onde tudo é prece
entre os sentidos
dos desejos
onde te beijo
oculto e como
a maçã
que te revela
minha fome
de manhã
se me tecesse em tua lã
me cobrisse com teu linho
e na carne
uva e vinho
pra desfazer meu desalinho
quando me deito
em teu divã


poética 40
para Thaís Fernandes

embora agora
seja outra
a coisa
te quero centro
entro
pela porta de frente
rente ao teu olho esquerdo
beijo
o que se abre
para mim
assim de vez
em quando
a fala
surge mansa
sob a lua quente
nessa língua
solta
pelos céus da boca
de não ter mais fim



poética 41

ela de repente some
e não come
o que ofereço
chocolate ou pêssego
partes do fruto proibido
maçã que não tem preço
nem se despede
ou pede para ir
quem fica aqui
como fica
se desejo já estar ali
além da blusa dela
em teus olhos
de aquarela
em teus dedos magrelinha
em por o sol
nos teus cabelos
e passear sobre teus pelos
até que a noite
se desfaça
pela manhã em outro dia
estar em tudo
eu queria
qualquer hotel
cabe meus sonhos
entre teus selos
me proponho
para compor
um blues ou rock
como um beijo
ou como toque
grafar poema em teus ouvidos
até quem sabe teus sentidos
queira-me mais
por alguns segundos


Poética 42

facas
perto das frutas
risco que corro
de repente
de cortá-las
chupá-las
comê-las
até engravidá-las
com minha fome
de sê-las



poética 43

esse verde mar
que vejo
ondas em mim
teu beijo
pacto de amor eterno
tenho os pés
aqui na terra
e a língua no inferno




poética 44

não sou minimalista
nem pretendo
entendo
que a coisa mínima
para muitos é muito
muitos para mim
são poucos
prefiro os loucos
de plantão pelos hospícios
desde muito aprendi
mergulhar nos precipícios
lidar com esmeril
poema pode ser fuzil
                 navalha
pra estraçalhar sua mortalha
e você pensar que é carnaval 




poética 45

rompi com amizade
saudade tenho de nada
nada tenho
pra te oferecer
o meu poema é erva
meu bagulho é bravo
o meu deus é o diabo
giramundo do meu ser

arturgomes
      poéticas fulinaímicas




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