segunda-feira, 28 de maio de 2012

Rio + 20



vejo o Rio aqui de cima
copacabana ali em frente
botafogo lá em baixo
pão de açúcar do lado
os carros na avenida
andam quase parados
barquinhos na enseada
peixes morrendo afogados

arturgomes

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Artur Gomes a poética do nosso Tempo


Escritos na década de 80 do século 20 e publicados no livro Couro Cru & Carne Viva em 1987, primeiramente pensei que estes poemas de Artur Gomes ficassem marcados como expressão datada visto as mudanças que se descortinavam no país a partir de 1985 quando depois de décadas de Ditadura Militar, um civil novamente ocuparia a Presidência da República. Mas que numa jogada do destino o Brasil foi doado de bandeja a José Sarney, então vice de Tancredo Neves que falecera antes mesmo de se empossado.
E o que esperar de um país que tem no mínimo uns 50 anos de história sendo conduzida pelo político maranhense que até hoje dá as cartas no Senado?

No seu prefácio para o livro Couro Cru & Carne Viva, o historiador e pesquisador Aristides Arthur Soffiati indaga: isso é um poema ou é uma navalha? Pois o poeta afia a sua arma branca: a palavra, como poucos poetas até então fizeram. Basta ler o que segue abaixo para chegarmos a conclusão que este conjunto de poemas/faca ou como o próprio autor passou a chamá-los de CarNAvalha, para chegarmos a conclusão que eles continuam mais atuais do que nunca, e a atuação dos nossos representantes na Câmara dos Deputados e no Senado é um verdadeiro atestado aos poemas que seguem.

Federico Baudelaire
Paris – maio de 2012



ao batizarem-te
 deram-te o nome: puta
posto que a tua profissão
é abrir-te em camas
dar-te em
ferro
ouro
prata
rios
peixes
minas
mata
deixar que os abutres
devorem-te na carne
o derradeiro verme

salve-lindo pendão que balança
entre as pernas abertas da paz
tua nobre sifilítica herança dos rendevouz
de impérios atrás

meu coração é tão hipócrita
que não janta
e mais imbecil que ainda canta:
ou
viram no Ipiranga
 às margens plácidas
uma bandeira arriada
num país que não levanta.

fosse o brazil mulher das amazonas
caminhasse passo a passo
disputasse mano a mano
guardasse a fauna e a flora
da fome dos tropicanos
ouvisse o lamentos dos peixes
jandaias araras e tucanos
não estaríamos assim
condicionados
aos restos do sub-humano

desfraldando a bandeira tropicalha
é que a gente avacalha com as chaves dos mistérios
desta terra tão servil:
tirania sacanagem safadeza
tudo rima uma beleza
com a pátria mãe que nos pariu

bem no centro do universo
te mando um beijo ó amada
enquanto arranco uma espada
do meu peito varonil
espanto todas as estrelas
dos berços do eternamente
pra que acorde toda esta gente
deste vasto céu de anil
pois enquanto dorme o gigante
esplêndido sono profundo
não vê que do outro mundo
robôs te enrrabam ó mãe gentil!

telefonaram-me
avisando-me que vinhas
na noite uma estrela
ainda brigava contra
a escuridão
na rua sob patas
tombavam homens indefesos
esperei-te 20 anos
até hoje não vieste à minha porta
- foi u m puta golpe

o poeta estraçalha a bandeira
raia o sol marginal Quinta feira
na geléia geral brazileira
o céu de abril não é de anil
nem general é my brazil

minha verde/amarela esperança
portugal já vendeu para a frança
é o coração latino balança
entre o mar de dólar do norte
e o chão dos cruzeiros do sul

o poeta esfrangalha a bandeira
raia o sol marginal Sexta feira
nesta porra estrangeira e azul
que a muito índio dizia:

meu coração marçal tupã
sangra tupi & rock in roll
meu sangue tupiniquim
em corpo tupinambá
samba jongo maculelê
maracatu boi bumbá
a veia de curumim
é coca cola e guaraná

o sonho rola no parque
o sangue ralo no tanque
nada a ver com tipo dark
muito menos com punk
meu vício letal é baiafro
com ódio mortal de yank

ó baby a coisa por aqui não mudou nada
embora sejam outras siglas no emblema
espada continua a ser espada
poema continua a ser poema

In Couro Cru & Carne Viva

quarta-feira, 23 de maio de 2012

a barra da poesia


 em 1972 a barra
não era assim barra bonita
muito menos de barro
a barra era de chumbo
a barra era de ferro
tudo estranho falso escuro
de concreto apenas o muro
à nossa frente
e rente outro que invisível
se erguia às nossas costas
ao lado um cão de guarda
pronto para matar
qualquer palavra ainda vida
em nossos dentes
e a língua amordaçada
podia apenas soletrar
a palavra: M O R T E

artur gomes
no link abaixo matéria sobre a Barra da Poesia

terça-feira, 22 de maio de 2012

20 de fevereiro



O genial Itamar Assumpção e Isca de Polícia ao vivo em 1983. Parte 1
O show tem por base os dois primeiros discos de Itamar: "Beleléu, Leléu, Eu" e "Às Próprias Custas". E viva a Vanguarda Paulistana. Fantástico!

fosse quântico esse dia
calmo claro intenso inteiro
20 de fevereiro
sendo assim esperaria

mesmo que em meio a tarde
TROVOADAS tempestades
insanidades guerras frias
iniqüidade
angústia
agonia
mesmo assim esperaria

20 horas
20 noites
20 anos
20 dias

até quando esperaria?
até que alguém percebesse
que mesmo matando o amor
o amor não morreria 

arturgomes

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Kucinski: 'Jorrou dinheiro empresarial à repressão política'



O depoimento de Claudio Guerra, em "Memórias de uma guerra suja", detalha o envolvimento de empresários com a ditadura. Esse é o aspecto que mais impressionou ao escritor e jornalista Bernardo Kucinski. Sua irmã, Ana Rosa Kucinski, e o cunhado, Wilson Silva, foram sequestrados em 1974 e integram a lista dos desaparecidos. Bernardo atesta: "Está tudo lá: empresas como Gasbras, White Martins, Itapemirim, grupo Folha e o banco Sudameris; o dinheiro dos empresários jorrava para custear as operações clandestinas e premiar bandidos com bonificações generosas".

São Paulo - O livro 'Memórias de uma guerra suja', depoimento do ex-delegado do DOPS, Claudio Guerra, a Marcelo Netto e Rogério Medeiros, foi recebido inicialmente com certa incredulidade até por setores progressistas. Há revelações ali que causam uma rejeição visceral de auto-defesa. Repugna imaginar que em troca de créditos e facilidades junto à ditadura, uma usina de açúcar do Rio de Janeiro tenha cedido seu forno para incinerar cadáveres de presos políticos mortos nas mãos do aparato repressivo. 

O acordo que teria sido feito no final de 1973, se comprovado, pode se tornar o símbolo mais abjeto de uma faceta sempre omitida nas investigações sobre a ditadura: a colaboração funcional, direta, não apenas cumplicidade ideológica e política, mas operacional, entre corporações privadas, empresários e a repressão política. Um caso conhecido é o da 'Folha da Tarde', jornal da família Frias, que cedeu viaturas ao aparato repressivo para camuflar operações policiais. 

Todavia, o depoimento de Guerra mostra que nem o caso da usina dantesca, nem o repasse de viaturas da Folha foram exceção. Esse é o aspecto do relato que mais impressionou ao escritor e jornalista Bernardo Kucinski, que acaba de ler o livro. Sua irmã, Ana Rosa Kucinski, e o cunhado, Wilson Silva, foram sequestrados em 1974 e desde então integram a lista dos desaparecidos políticos brasileiros. Bernardo atesta:' Esta tudo lá: empresas importantes como a Gasbras, a White Martins, a Itapemirim, o grupo Folha e o banco Sudameris, que era o banco da repressão; o dinheiro dos empresários jorrava para custear as operações clandestinas e premiar os bandidos com bonificações generosas'.

No livro, Claudio Guerra afirma que Ana Rosa e Wilson Campos - a exemplo do que teria ocorrido com mais outros oito ou nove presos políticos -tiveram seus corpos incinerados no imenso forno da Usina Cambahyba, localizada no município fluminense de Campos.

A incredulidade inicial começa a cair por terra. Familiares de desaparecidos políticos tem feito algumas checagens de dados e descrições contidas no livro. Batem com informações e pistas anteriores. Consta ainda que o próprio governo teve acesso antecipado aos relatos e teria conferido algumas versões, confirmando-as. Tampouco o livro seria propriamente uma novidade para militantes dos direitos humanos que trabalham junto ao governo. 

O depoimento de Guerra, de acordo com alguns desses militantes, teria sido negociado há mais de dois anos, com a participação direta de ativistas no Espírito Santo. A escolha dos jornalistas que assinam o trabalho - um progressista e Marcelo Netto, ex-Globo simpático ao golpe de 64 - teria sido deliberada para afastar suspeitas de manipulação. Um pedido de proteção para Claudio Guerra já teria sido encaminhado ao governo. Sem dúvida, o teor de suas revelações, e a lista de envolvimentos importantes, recomenda que o ex-delegado seja ouvido o mais rapidamente possível pela Comissão da Verdade.

Bernardo Kucinski, autor de um romance, 'K', - na segunda edição - que narra a angustiante procura de um pai pela filha engolida no sumidouro do aparato de repressão, respondeu a quatro perguntas de Carta Maior sobre as "Memórias de uma Guerra Suja":

Carta Maior Depois de ler a obra na íntegra, qual é a sua avaliação sobre a veracidade dos relatos?

Kucinski - As confissões são congruentes e não contradizem informações isoladas que já possuíamos. Considero o relato basicamente veraz, embora claramente incompleto e talvez prejudicado pelos mecanismos da rememoração, já que se trata da confissão de uma pessoa diretamente envolvida nas atrocidades que relata.

CM - Por que um depoimento com tal gravidade continua a receber uma cobertura tão rala da mídia? Por exemplo, não mereceu capa em nenhuma revista semanal 'investigativa'. 

Kucinski - Pelo mesmo motivo de não termos até hoje um Museu da Escravatura , não termos um memorial nacional aos mortos e desaparecidos da ditadura militar, e ainda ensinarmos nas escolas que os bandeirantes foram heróis; uma questão de hegemonia de uma elite de formação escravocrata. 

CM - Do conjunto dos relatos contidos no livro, quais lhe chamaram mais a atenção?

Kucinski - O episódio específico que mais me chamou a atenção foi a participação direta do mesmo grupo de extermínio no golpe organizado pela CIA para derrubar o governo do MPLA em Angola, com viagem secreta em avião da FAB. 

CM - O que mais ele revela de novo sobre a natureza da estrutura repressiva montada no país, depois de 64?

Kucinski - Fica claro que as Forças Armadas montaram grupos de captura e extermínio reunindo matadores de aluguel, chefes de esquadrões da morte, banqueiros do jogo do bicho, contrabandistas e narcotraficantes. Chamaram esses bandidos e seus métodos para dentro de si. Esses criminosos, muitos já condenados pela justiça, dirigidos e controlados por oficiais das Forças Armadas, a partir de uma estratégia traçada em nível de Estado Maior, executavam operações de liquidação e desaparecimento dos presos políticos, o que talvez explique o barbarismo das ações. Também me chamou a atenção a participação ampla de empresários no financiamento dessa repressão, empresas importantes como a Gasbras, a White Martins, a Itapemirim, o grupo Folha - que emprestou suas peruas de entrega para seqüestro de ativistas políticos -, e o banco Sudameris, que era o banco da repressão; dinheiro dos empresários jorrava para custear as operações clandestinas e premiar os bandidos com bonificações generosas . Está tudo lá no livro.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Festival Curta Santos abre inscrições para Mostras Competitivas

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Ao completar 10 anos de existência, o Festival homenageia o Futebol Arte

Curta Santos – Festival de Cinema de Santos completa uma década de existência dedicada às produções audiovisuais brasileiras, em especial àquelas produzidas no litoral de São Paulo. Este ano o tema que norteia as homenagens realizadas durante o evento é o Futebol Arte: Centenário do Santos Futebol Clube. 

As inscrições para as oito mostras competitivas já estão abertas somente pela internet, no site www.curtasantos.com.br.

Sempre alinhado ao contexto caiçara, típico do litoral, este ano o Festival presta homenagem aos 100 anos do Santos Futebol Clube, peça mais do que importante na divulgação da escola do futebol brasileiro pelo mundo. O tema da nossa 10ª edição já estava definido há dois anos. 

Mostras competitivas

As mostras de filmes voltadas à competição dobraram este ano, quando o Curta Santos – Festival de Cinema de Santos, completa 10 edições. De quatro, agora são, ao todo, oito. Olhar Caiçara, Videoclipe Caiçara, Novos Olhares, Mostra Curta Santos F.C. e Mostra Minuto são as nacionais

As mostras direcionadas aos realizadores do Litoral de São Paulo são a Olhar Caiçara, Videoclipe Caiçara Curta Escola.

Mostra Olhar Brasilis e Mostra Videoclipe Brasilis, são nacionais e de livre temática

A Mostra Curta Santos F.C. e Mostra Minuto, são, por sua vez, comemorativas e voltadas ao Santos Futebol Clube: a primeira para produções com duração de até 10 minutos e a segunda é para o torcedor fanático que quer expressar a paixão pelo time em até 60 segundos (um minuto).

Já a Mostra Novos Olhares, ainda nacional, aceita somente produções realizadas por meio de captação digital (câmeras, celulares, tablets e semelhantes - em alta ou baixa resolução), com duração máxima de 5 minutos.

As regionais são a Mostra Olhar Caiçara e Mostra Videoclipe Caiçara. Elas são voltadas a realizadores de todo o litoral de São Paulo. E com o intuito de encontrar novos e promissores talentos no audiovisual, chega a nova Mostra Curta Escola, destinada a produções de até 10 minutos (sem tempo limite) realizadas por alunos doEnsino Fundamental de Escolas da região. Para todos, nesta categoria, a temática é livre.

Sobre o tema

Dos gramados para as telas dos cinemas. A história do Santos F.C. se mistura com a sétima arte desde a fundação  do clube, ocorrida em 14 de abril de 1912. Desde que Pelé chegou à Vila Belmiro, na década de 60, o Santos F.C. pintou sua marca de ‘time de ouro’ na história do futebol brasileiro e mundial. Com o Rei e Coutinho na linha de frente, o Santos apresentava seus gols e jogadas, como se estivesse obedecendo a roteiros cinematográficos.

Como o próprio Rei do Futebol gosta de dizer, o Santos parou uma Guerra. Em 1967, a equipe comandada pelo técnico Lula fez uma excursão para África: foi em Lagos (Nigéria), que o time de Pelé jogou e causou um cessar fogo de 48 horas na Guerra Civil daquele País. Enredo para diretor nenhum botar defeito.

O reconhecimento do Santos time e do Santos Cidade se consolidaram ao longo dos anos, cada qual pela sua história. Mais jovem, porém não menos importante, é o Festival Curta Santos, que decidiu reunir em sua 10ª edição, produções audiovisuais sobre o Clube que tantas alegrias deu à sua terra Natal e aos brasileiros. Antes com os gols de Pelé, hoje com os dribles do jovem Neymar.

O Festival

O 10º Curta Santos – Festival de Cinema de Santos será realizado no mês de setembro e contará com cinco dias de programação totalmente gratuita. Além de romper paradigmas, rever conceitos e estimular novos caminhos para o audiovisual – premissas adotadas desde a primeira edição –, o Festival tem como objetivo fundamental oferecer ao público sessões gratuitas  de curtas, médias e longas-metragens mais mesas redondas, oficinas e debates com profissionais da área.

Em nove anos de trajetória, o Festival já contou com a participação de grandes nomes do cinema nacional, como José Wilker, Matheus Nachtergaele, Paulo César Pereio, Paulo José, Ney Latorraca, Ana Lucia Torre, Dira Paes, Christiane Torloni, Nuno Leal Maia, Betty Faria, Leona Cavali, Sergio Mamberti, Bete Mendes e Eva Wilma, além de cineastas como Carlos Manga, Carla Camurati, Zita Carvalhosa, Eliane Caffé, Ewaldo Mocarzel, Jose Mojica Marins, Beto Brant, Lírio Ferreira, Carlos Reichenbach, Allan Fresnot, Tata Amaral, Allan Sieber e Toni Venturi, dentre outros.

Realização

A direção geral do 10º Curta Santos é de Ricardo Vasconcellos, com direção de produção de Junior Brassallotti. 

 O 10º Curta Santos - Festival Santista de Curtas Metragens é realizado por Olhar Caiçara e Associação dos Artistas do Litoral Paulista; conta com a parceria da Prefeitura Municipal de Santos, Sistema A Tribuna de Comunicação, TV Tribuna, Rádio Jovem Pan Santos, Cine Roxy e Sesc Santos; e apoio das Oficinas Culturais Pagu e Governo do Estado de São Paulo.

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Junior Brassalotti

Diretor de Produção - X Curta  Santos
Festival Santista de Cinema
@curtasantos

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Barra da Poesia


Barra da Poesia IIIº
Dia 26 de maio – das 20h às 23h
Creperia e Drinkeria ZOOOM IN
Av. Sernambetiba, 5200 – Orla
Barra da Tijuca - Rio de Janeiro
Com Marisa Vieira +Artur Gomes + Rejane Luna
e participação especial de Eurídice Espanhol

Artur Gomes entrevista Junior Brassalotti

Sidney Herzog e Junior Brassalloti - foto: Artur Gomes

Os atores santistas Junior Brassalotti e Sidney Herzog passaram por Campos dos Goytacazes no último final de semana com o sensacional espetáculo Palhaçada Federal, provocando gargalhadas gerais no Teatro do Sesc onde foi apresentado na última sexta feira 11.

Junior, além de ator e produtor cultrual é Diretor de Produção do Festival Curta Santos, que este ano chega a sua décima edição com uma homenagem ao futebol arte em suas várias Mostras, que será realizada de 17 a 23 de setembro.

Além disso Junior tem sido um grande parceiro na divulgação do Festival de Cinema do IFF. Aproveitando sua estada entre nós, o levamos para conhecer os Espaços do Campus Campos Centro, onde começamos a aprofundar uma parceria onde breve possamos ter em nosso campus uma Retrospectiva de várias Edições do Curta Santos.

A seguir um bate papo com Junior Brassalotti sobre Teatro e Cinema
1. Como começou o Festival Curta Santos?
Começou como todo bom projeto de cultura: numa mesa de bar! Num bate papo logo após o encerramento de um festival estadual de teatro que organizávamos aqui, Bete Mendes e o escritor e cineasta José Roberto Torero, que eram homenageados no evento, comentaram que poderíamos fazer um festival de cinema, que a cidade era ideal para isso e etc. Ficou por ai a ideia mas a vontade surgiu. No ano seguinte, recebemos uma ligação do Torero que tinha marcado uma reunião com a produtora dele de São Paulo, a Zita Carvalhosa, que é a diretora do festival Internacional de Curtas Metragens de São paulo, um dos 5 maiores do mundo e lá fomos nós conhecê-la. Trouxemos uma mostra itinerante do festival pra Santos aquele ano, 2002 e tínhamos uma mostra de filmes regionais, a mostra Curta Santos - Olhar Caiçara, apareceram 26 curtas, que exibimos sem seleção a titulo de incentivo, na edição do ano passado tivemos mais de 180 trabalhos produzidos pela Região... e o mais interessante não é o crescimento numérico, e sim qualitativo.
 2. Como é você um homem de teatro estar a frente de um Festival de Cinema?
   
É unir o útil ao agradável. Comecei no teatro pois era apaixonado por cinema, não sabia que um dia iria conseguir trabalhar com cinema, ainda mais na produção de algo que me possibilita ser o elo de ligação  de obras fantásticas com o público. Ao pensar cultura, penso em acesso, filmes são feitos para serem vistos, é um orgulho poder ajudar tantos filmes a circular e encontrar suas platéias! Fora que podemos brincar todo ano com o fazer teatral nas nossas aberturas, onde não seguimos o padrão dos festivais, que é exibição e falas institucionais, fazemos grandes e elaboradas  encenações, homenagens ensaiadas com grupos de teatro, bailarinos, bandas, fazemos um show realmente onde os palcos dos teatros celebram a eternidade que o cinema dá ao trabalho dos artistas.
3. Como você vê a perspectiva de uma parceria do curta Santos com o Festival de Cinema do IFF?

É algo muito rico e que deve servir de exemplo pra tantas instituições e festivais. Desde sempre nós tentamos achar parceiros criativos, com os quais possamos realizar ricos intercâmbios e trocas de experiências onde quem sai ganhando, mais uma vez é o publico e o realizador, que vê sua obra indo ao  quatro cantos através de parcerias como essa. Fora que tive o prazer de conhecer  os espaços da IFF e ver a estrutura física fantástica de lá e a provocação e formação de cidadãos criativos e pensantes que, com certeza, farão diferença na sociedade.
4. Recentemente você e Sidney Herzog, passaram por Campos dos Goytacazes apresentando o espetáculo Palhaçada Federal no Teatro do Sesc  seguido de um bate papo descontraído comum grupo de estudantes. Para vocês houve alguma novidade na colocação deles sobre a problemática que o espetáculo coloca em discussão?

Houve sim, na medida que estávamos em outra cidade com uma configuração política diferente (ou igual?) a nossa aqui em Santos. Aliás, adoramos nossa passagem por Campos, publico atento, vivo, participativo, que interagiu, riu, dialogou. Muito gostoso mesmo! Tivemos várias impressões, subjetivas e objetivas a respeito do espetáculo e principalmente sobre o tema, pudemos entrar em contato com pessoas que se indignam com os absurdos dos nossos representantes eleitos e propor um ágora, um espaço de discussão, não apenas estética, mas de ideias, de troca de angústias e de utopias possíveis. Voltamos pra Santos repensando várias coisas a partir do papo com a plateia de Campos, o que só enriquece nosso trabalho.
5. A opção por uma linguagem circense no Palhaçada Federal, foi a forma encontrada para que vocês pudessem apresentar ao público de uma forma bem humorada, um conteúdo tão sério, como a corrupção política no país? 

Sim, o circo é a maneira que esse coletivo encontrou para dialogar com sua plateia. Utilizamos a linguagem circense para ajudar a contar nossa história, e através da poesia visual e lúdica do circo e do riso do palhaço, botar o dedo em algumas feridas do Brasil, em especial na corrupção na política brasileira, que tem a capacidade de nos surpreender a cada dia, quando pensamos que já vimos tudo... lá vem eles com um estratagema novo! E lá estamos nós, atentos. Queremos sim o riso, é nossa função, mas o riso acompanhado da reflexão, afinal a raiz do riso é sempre a lágrima.

terça-feira, 15 de maio de 2012

O que é e para que serve a Arte


Vênus de Milo


Programação:

08 a 21/05/2012
Exposição: Linha do Tempo
apresentação: Hip Hop – 10/05 – 18:30h
Documentários: Reflexões sobre a Arte

22/05 a 01/06/2012
Exposição: Papel Maché/Projeto Espiral
Apresentação: Grupo de Dança do Campus Bom Jesus
22/05 – 18:30h
Teatro de Bonecos – Prof. Bricio Silva
23/05 – 16h
Oficina: Papel Maché
24/05 – Das 14h às 18h
Documentários: Dança e Teatro

04/06 a 20/06/2012
Exposição: Esculturas em Cerâmica – Mario Evangelista
Apresentação: Projeto Sidharta (música eletrônica) com Álvaro Manhães e Harlen Pinheiro e poesia com Artur Gomes
05/06 – 18:30h
Oficina: Stop Motion
14/06 – 14h às 18h
Documentários: Musicais

21/06 a 09/07/2012
Exposição de Fotografia: Um olhar sobre o espaço urbano – Alunos do curso de Geografia do Campus Campos Centro e Minha cidade escreve assim – Alunos do ensino médio do Campus Campos Centro
Apresentação: Sarau (Semana de Arte Moderna de 22)
26/06/18:30h
Oficina: Fotografia – Prof. Diomarcelo Pessanha
28/06 – 14h às 18h
Documentários: Semana de Arte Moderna de 22

10/07/ a 31/07/2012
Exposição: Francisco Rivero (Artista Plástico Cubano)
Apresentação: Grupo de Poesia do Campus Bom Jesus
17/07 – 18:30h
Documentário: Sobre o Artista Francisco Rivero

01/08 a 15/08/2012
Exposição: Pauline Pessanha (Artista Plástica)
Apresentação: Nós do Teatro – 07/08 – 18:30h
Documentários: Sobre a Artista Pauline Pessanha

MINICURSOS

07 de junho de 2012 – das 14h às 18h
Estética
Prof. Márcio Vianna Lima – Pró-Reitor de Ensino do IFF

14 de junho de 2012 – Das 14h às 18h
A arte das palav ras
Profª Vania Cristina Alexandrino Bernardo – Diretora do Ensino Médio do Campus Campos Centro

21 de junho 2012 – das 14h às 18h
O que é e para que serve a arte na educação
Profª Danuza Rangel – Coordenadora pedagógica do Pólo Regional Arte na Escola da UENF

05 de julho de 2012 – das 114h às 18h
Música na Escola
Profª Beth Rocha – Professora da Oficina de Música do Campus Campos Centro

09 de agosto de 2012 – das 14h às 18h
Teatro na Escola
Profª Kátia Macabú – Coordenadora de Arte e Cultura do Campos Campos Centro


Local: Espaço Raul Linhares
Curadoria Educativa – Márcia Rangel

Instituto Federal Fluminense – Campus Campos Centro
Rua Dr. Siqueira, 273 – Parque Dom Bosco - Campos dos Goytacazes – RJ –www.iff.edu.br/campus/campos/centro

segunda-feira, 14 de maio de 2012

ARIANO SUASSUNA FAZ AULA ESPETÁCULO EM EVENTO EM FEIRA DE SANTANA NA BAHIA


“Escritor falou de sua trajetória em evento gratuito em Feira de Santana.”

Por Elenilson Nascimento 
Inacreditável, o escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna ministrou uma “aula-espetáculo” (*não gosto muito desse termo) neste último domingo, 06/05, no Centro de Cultura Amélio Amorim, em Feira de Santana, a cerca de 110 quilômetros da capital baiana.

Suassuna falou um pouco sobre sua infância e juventude vividas no sertão de Cariri, além de ter feito fortes críticas à atual produção literária no Brasil. Vale lembrar aqui que, no ano de 2003, eu fiquei muito “puto da vida” com o escritor, aliás, com a Fundação Casa de Jorge Amado, que na época havia organizado um concurso com o intuito de publicar nomes não muito conhecidos. 

Enviei o meu livro “Diálogos Inesperados Sobre Dificuldades Domadas”, em coautoria com Anna Carvalho e, sem explicação, a Fundação do pai de Tieta eliminou todas obras inscritas e utilizou a verba para fazer uma homenagem ao Suassuna. Só consegui publicar esse livro de contos e crônicas dois anos depois, com força, coragem e sem paitrocínio.    

Contudo, não sei quantas vezes já li “O Auto da Compadecida” (*e não gostei do filme), mas sei que foram muitas. Uma das obras mais incríveis e divertidas da literatura brasileira, escrita pelo Suassuna. Agora, os feirenses tiveram a oportunidade de conferir de perto as ideias do pai do João Grilo, Chicó, Mulher do Padeiro, Cangaceiro, Demônio e muitos outros.   

A “aula-espetáculo” fez parte da Celebração das Culturas dos Sertões promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (*até que enfim a inútil paisagem fez algo realmente convincente), onde o escritor, com muito bom humor e em meio a muitos causos em que o sertanejo era sempre o protagonista, proferiu naquela noite mágica a celebração da palavra.

O espaço físico do teatro ficou pequeno diante da multidão ávida por ouvir atentamente umas das principais referências intelectuais na defesa da cultura dos sertões. O escritor falou também sobre futebol, televisão, moda, música e literatura, entre outros assuntos. Ele destacou a importância das obras que têm como pano de fundo a fortaleza do sertanejo. “Este é um momento muito importante para mim, como sertanejo que sou. Não existe arte universal, todas as grandes obras que conheço são obras locais universalizadas pela qualidade e pela quantidade de sonho humano que existe ali. Então quando se dá importância a essa cultura feita pelo povo brasileiro, quando eu ou músicos como Elomar e Fábio Paes dão importância, é porque nós sabemos que essa cultura produz em vários momentos obras da maior importância”.
Na plateia, gente de todas as idades, muito riso e satisfação com a fala do escritor. Irreverente, o escritor contou muitos causos, da infância em Taperoá, na Paraíba, e das muitas histórias como ícone da literatura que foca os sertões. Apaixonado, partiu em defesa do povo brasileiro. “O Nordeste é o coração, osso e nervo do Brasil. E o sertão é o coração, osso e nervo do Nordeste”, disse lembrando ao público a necessidade de dar real importância à sua cultura e valores.

E foi justamente nesse Teatro Municipal de Feira de Santana que também já ficou em cartaz, repetidas vezes, a encenação do “Auto da Compadecida”E ao recordar aqui algumas cenas, acabei caindo no riso novamente. Essa sim deveria ser uma obra super recomendada para adolescentes, pois é uma isca, uma excelente “armadilha” para aprisioná-los no mundo da literatura, ao invés de somente lerem Harry Potter e vampiros que mais parecem fadinhas.
*Ariano Suassuna (João Pessoa, 16 de junho de 1927) é um dos maiores defensores da cultura nordestina. A sua obra é toda marcada pela riqueza das personagens e das muitas histórias que povoam o universo e o imaginário sertanejos. O bacana foi que teve uma transmissão ao vivo e nós que moramos no cu do mundo ou em outros Estados do Brasil podemos também conferir no site da Irdeb.


CAMPOS DOS GOYTACAZES

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