fulinaíma

segunda-feira, 30 de julho de 2012

cezzane não pintava flores



cezzane não pintava flores
montado em teu cavalo alado
despejava tintas
no corpo da mulher amada
com os pincéis
encravados entre as coxas
transformou hollandas
em quintais de vento
re-inventou o tempo
na hor ade pintar

arturgomes

pontal atafona



foto: aluysio abreu barbosa

Conhecido cientificamente como transgressão marinha, desde que o avanço do mar teve início, ainda nos anos 60 do século passado, na praia de Atafona, no município de São João da Barra, muitas são as saudades que nem o oceano Atlântico conseguiu submergir. A última delas, começou a bater ontem, junto com a força das ondas que destruíram o piso do Bar do Bambu, instalado há cinco anos e meio na antiga casa de barco da família Aquino, última construção que ainda se mantinha de pé no Pontal, mágica faixa de areia entre o oceano Atlântico e o rio Paraíba do Sul, famosa por reunir no mesmo espaço veranistas, pescadores, beberrões, famílias, amantes e poetas.

Desde que Neivaldo Soares, o "Bambu", se instalou de mala e cuia na construção, há cinco anos e meio, para lá instalar sua casa e seu bar, o local serviu como ponto de encontro obrigatório e libertário para todos que buscavam o Pontal para apreciar sua inigualável beleza natural, beber uma cerveja gelada, desgutar peixe ou camarão sempre frescos e fritos na hora, além de ouvir as muitas histórias contadas pelo dono do estabelecimento. Quase sempre verborrágico, sobretudo quando aditivado por uma caninha, mesmo quando fantasiava, Neivaldo, como genuíno poeta de vida, endossava Cazuza, poeta da vida e do verbo: "Mentiras sinceras me interessam".

Foi com a poesia, aliás, que o Bar do Bambu teve seu ponto alto. No verão de 2010, com a peça "Pontal", dirigida por Kapi, interpretada por Yve Carvalho, Sidney Navarro e Artur Gomes, com poemas de Aluysio Abreu Barbosa e Adriana Medeiros (além dos próprios Kapi e Artur), com patrocínio da Prefeitura de São João da Barra, o estabelecimento conheceu seu maior público, com média de 80 pessoas por cada apresentação de quinta a domingo, que se estendeu por um mês. A partir dali, de lugar alternativo, majoritariamente buscado por jovens, o espaço passou a ser também a ser frequentado por famílias e casais de meia idade, seduzidos pela beleza natural do lugar, pela decoração originalíssima do bar, com cascos de tartaruga, mandíbulas de tubarão e ossos de baleia, e pelo papo de Neivaldo.

Despejado pelo mar, o projeto de Neivaldo agora é atravessar o rio, se mudando mais uma vez de mala e cuia para a casa que já comprou na ilha do Pessanha, segundo ilhota da foz do Paraíba, depois da ilha da Convivência, ambas pertencentes ao município vizinho de São Francisco de Itabapoana. Quanto às ondas nascidas da cruza entre Netuno e Iemanjá, que ontem encerraram o fim da sua era no Pontal, seu último filósofo respondeu com a mesma generosidade com que sempre acolheu os fregueses do seu bar: "A natureza é singular e soberana. Continuo adorando ela!"

Aluysio abreu Barbosa

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Jataí - O Disco da Década



O DISCO DA DÉCADA
ADEMIR ASSUNÇÃO - Escritor

Jataí: o novo disco de Edvaldo Santana é de uma beleza que dá vontade de chorar. Fazia tempo que eu não ouvia tanto um disco. Ouvir até furar, até riscar o disco, até estragar a agulha – como se dizia nos velhos tempos dos vinis. Parece que Edvaldo conseguiu sintetizar todas as suas raízes e antenas. É um disco mameluco, cafuso, mulato, preto-velho, índio-sábio, negro-blues, popular até a medula. É a síntese do Brasil. Aqueles momentos raros que um artista consegue dizer quase tudo. Com beleza. Com contundência. Mas uma contundência que vai entrando pelos ouvidos e se espraiando pelas veias, entrando na corrente sanguínea. Escute: Edvaldo está dizendo verdades em seus poemas cantados. Verdades cristalinas.

Com uma sonoridade belíssima (não há outro adjetivo para traduzir esse disco). Com suas fusões de blues com baião, de samba com balada, de xote com rock’n’roll, com gaitas e pianos que dão vontade de botar o pé na estrada para ouvir e conversar com os malucos iluminados que zanzam pelas esquinas desse mundo. É daqueles discos que se ouve uma vez e já se impressiona. E a cada audição vão surgindo novas camadas, novas percepções, novos significados. Eu fico ouvindo esse disco e pensando no grande país que o Brasil poderia ser e que consegue desperdiçar incrivelmente as chances. Quando digo “grande país” não estou falando em oitava economia do mundo, em carros do ano parados no trânsito, em torres de luxo deformando os bairros, em ilusões para novos ricos, nem tão ricos assim. Estou falando de um país onde borbulhe inteligência, criatividade, generosidade, alegria de viver, compreensão de que a vida é mais, muito mais, do que a ganância insana pelo dinheiro.

Edvaldo vem da periferia desse Brasil e traz a música e os poemas mais sábios, simples e elaborados que ouvi nos últimos tempos. Mais sentidos na pele, no corpo, nas veias, no sangue. Não tenho palavras para traduzir o que esse disco significa. Viva Edvaldo. Viva Luiz Waack, produtor de altíssima competência e sensibilidade. Viva os músicos que emprestam suas habilidades. Jataí é o disco do ano. É o disco da década. É um disco que já está na história da música e da cultura brasileira. Do mundo. É um disco que está nas nossas vidas. Na minha e na sua, mesmo que você o desconheça. Jataí. Jataqui. Jatalá. Da próxima vez que alguém vier me dizer que não está acontecendo nada na música brasileira eu vou sacar esse disco e dizer simplesmente: então, escuta aí, meu irmãozinho. Tire seu aparelho de surdez e escuta. E vou até o boteco mais próximo festejar a existência rara dessa música e dessa poesia.

fonte: www.edvaldosantana.com.br


Parceiro de poetas como Leminski,  cantor Edvaldo Santana lança o sétimo CD 
Teresa Albuquerque - Correio Brasiliense - fonte: www.edvaldosantana.com.br


Edvaldo Santana é camarada de Tom Zé e Arnaldo Antunes. Assim como foi de Paulo Leminski, Haroldo de Campos e Itamar Assumpção (só para citar seus parceiros mais famosos). Cantor e compositor paulistano que há 35 anos leva a carreira em esquema independente, ele está lançando seu sétimo disco solo, Jataí, o primeiro em que assina todas as faixas sozinho. Achava que as letras chamavam a atenção porque eram escritas pelos parceiros? Que nada. As letras do novo CD (que vem com bela capa do artista Elifas Andreato) são muito boas. E as "alquimias", como ele chama as misturas que faz — de blues, reggae, baião, xote, música cubana e o que mais vier à cabeça — continuam lá, assim como a voz rouca, ainda que em tom mais suave.


"Jataí tem uma sonoridade diferente dos outros discos que lancei. É semiacústico, mais baseado no meu violão. E a voz não está tão alta, dei uma suavizada", compara o cantor. "Continuo compondo com parceiros, claro. Mas, às vezes, as parcerias não batem com o momento que estou vivendo e acabam entrando em outro disco. Desta vez, quis gravar coisas bem minhas. Jataí tem muito do que estou pensando, do que estou sentindo." 


Das 13 faixas, 12 foram compostas nos últimos dois anos. E quatro são homenagens. Aí Joe, que cita o Bloomsday (a celebração de Ulysses, o clássico de James Joyce), no Finnegan's Pub, em São Paulo, é dedicada a Waldir Aguiar, "empresário, agente, produtor, faz-tudo, grande camarada", morto há um ano e meio. Outras duas foram feitas para amigos de Itu (SP), onde o cantor vive atualmente: A poda da rosa, para o jardineiro Valdemar; e Seu Ico, para o poceiro que Edvaldo descobriu ser um ótimo tocador de viola. Foi ele, aliás, quem produziu o primeiro álbum de Seu Ico, aos 65 anos (o violeiro já lançou três). Já Eva Maria dos Anjos, a sexta música do CD, gravada com a participação da cantora Fabiana Cozza, leva o nome da avó paterna.


Filho de pai piauiense e mãe pernambucana, nascido e criado em São Miguel Paulista, um bairro de nordestinos na Zona Leste de São Paulo, Edvaldo Santana conheceu a avó quando tinha 6 anos. "Meu pai era um operário ligado a movimentos políticos e, como a situação não estava boa aqui, ele levou a gente para o Piauí. Mas o sertão estava brabo também. E minha avó ajudou muito a gente", conta ele, o mais velho dos oito filhos, que na letra de Eva Maria dos Anjos diz ter uma foto da avó, "cabocla tupi", mas na verdade nem tem. "É liberdade de criação do poeta, me lembro dela vagamente", ele ri. 


Em movimento


Simpático, bom de bola e sempre na ativa ("quem se movimenta recebe, quem se desloca tem preferência", gosta de dizer), Edvaldo começou a trabalhar aos 12 anos e, aos 20, já tinha a música como profissão. Com sua primeira banda, a Caaxió (depois rebatizada de Matéria Prima), chegou a ter 10 músicas censuradas num show no Teatro de Arena, em 1974. Ligado a movimentos universitários, viajou Brasil afora, acompanhou as primeiras ocupações do que viria a ser o Movimento dos Sem Terra (Piá, a única antiga do novo disco, é dessa época, foi composta à beira de um rio em Ponta Grossa, no Paraná). "Sempre fui envolvido com esse lado social, porque venho do povo, das dificuldades", justifica. 


A voz rasgada (ele tem calo nas cordas vocais) lhe rendeu dois apelidos: Pato Rouco e Tom Waits da Pauliceia (ele ri dos dois). Também o aproximou um pouco mais do blues, marcante em seu trabalho desde o primeiro disco solo (Lobo solitário, de 1993). "Na verdade, o blues veio mais pela ligação com os renegados, e isso tem a ver tanto com os negros americanos quanto com o povo nordestino", comenta. "Se pegar o que Luiz Gonzaga canta — A volta da Asa Branca, por exemplo — e diminuir o beat, deixar mais lento, você vai ter a linha de blues, até harmonicamente."


Edvaldo cresceu ouvindo Gonzagão, Jackson do Pandeiro, Pixinguinha, Waldir Azevedo e toda aquela diversidade musical dos programas de televisão dos anos 1960 e 1970 (Wilson Simonal, Elis Regina, Roberto Carlos, os festivais etc). Na lista de influências, também entram Jimi Hendrix, Janis Joplin, Carlos Santana, Raul Seixas, os tropicalistas, Bob Marley… E, claro, seus parceiros famosos, como Tom Zé, Leminski e Arnaldo Antunes, com quem teve "experiências fantásticas". 


Aos 56 anos (o aniversário é em 17 de agosto), o alquimista segue circulando (a turnê de Jataí começa em setembro e ele sonha tocar um dia em Brasília), compondo sem parar. "É meu grande trunfo. Porque a gente pode não ter dinheiro, mas se tem arte, está bom, né?"


JATAÍ


Sétimo disco solo de Edvaldo Santana. Lançamento independente, com distribuição da Tratore, 13 faixas. Preço médio: R$ 20. **** 




Edvaldo Santana 

Daniel Brazil - Revista Música Brasileira


Edvaldo Santana é um veterano trovador dos palcos brasileiros. Surgiu na década de 70, com sua peculiar mistura de blues com música urbana. De lá pra cá, comeu muito pó da estrada. Filho de nordestinos, saiu da Zona Leste de São Paulo e se mudou para o interior. Não largou o blues, como demonstram as primeira faixas do seu novo CD, Jataí, mas incorpora influências violeiras inusitadas, que se juntam às sonoridades nortistas e latinas, decantadas pela voz inconfundível.


Edvaldo soa mais sereno, mais musical, mais brasileiro nesse novo trabalho, mas não oferece apenas o mel da abelha que dá nome ao CD. O cara continua colocando doses certeiras de veneno em suas letras. Produzido pelo guitarrista Luiz Waack, o CD conta com participações muito especiais de gente como Fabiana Cozza, Daniel Szafran e o argentino Mintcho Garramone. Ouça com atenção.





De afetos e de doces lembranças, álbum já nasceu clássico 
Jotabê Medeiros - Estado de São Paulo – Caderno 2


Profundamente autobiográfico, o álbum Jataí (lançamento Tratore) encontra seus melhores momentos justamente na memória de Edvaldo Santana. Para a avó, ele compôs Eva Maria dos Anjos, cantada com o elegante apoio da sambista Fabiana Cozza, e o resultado é altamente refinado, clássico. "Não vou dizer que sou santo nem vou falar que não presto/Não vou cultivar desencanto nem me gabar do sucesso/Vou encontrar um atalho e desviar meu destino".


Edvaldo não se prende a fórmulas, é um artista livre que se dispõe a embarcar de peito aberto nos atalhos da música. "Se o rock and roll já foi blues na encruzilhada/Samba de roda também foi do candomblé", canta, no blues Há Muitas Luas. 


O cantor vive no mundo real, não se tornou um desses astros virtuais do star system nacional. "Você tá envenenada pela mina da novela/E pela Cinderela que ainda mora com você/Reclama que cansou de partilhar a mortadela/E que ultimamente nada mais lhe dá prazer", brada, sob o cobertor da guitarra de Luis Waack e o baixo de Paulinho Lepetit.


Jataí, sob sanfona, rabeca, gaita, triângulo e pó de estrada, é Edvaldo levando o ouvinte a um mergulho musical por todo o País, de Caruaru a Porto Alegre. Cronista da vida simples e da sabedoria matuta, Edvaldo enxerga um País sem máscara. E o canta como quase nenhum outro atualmente. "Sem arreio, sem projeto e sem contrato/Vou tirar a viola do saco e cantar pra esse mundão".






Edvaldo Santana lança seu sétimo disco, Jataí   
Kiko Ferreira  - Estado de Minas - Divirta-se


Jataí, a espécie de abelha sem ferrão que dá título ao sétimo álbum de Edvaldo Santana, lembra a mosca de Walter Franco. A insistência em fugir da mesmice e bradar suas ideias com voz rascante e violão primo do rock e do blues remete, de alguma maneira, à mosca na sopa de Raul Seixas. 


O paulistano, filho de nordestinos, já ostenta seu otimismo blueseiro na faixa de abertura, Quando Deus quer, até o diabo ajuda. Depois de dizer que “estava certo que eu era um sujeito que veio no mundo para dar errado”, trata do privilégio de mudar a sina pelo álibi da lua que o inocenta e “o desejo de ser protegido pelo índio rindo em câmera lenta”. 


Criticando a alienação da mídia e os podres do mercado e do poder (Nada no mundo é igual, Sem cobiça), encoraja o ouvinte a sair do rebanho (Você pode fazer) e, depois de se definir como “um cara estragado pelo vício e pelo susto” (Amor é de graça), reafirma a independência em Há muitas luas: “Não levo jeito para ser um popstar/ bem que tentei mas foi difícil me enquadrar”. 


A voz rouca que lidera um som sem firulas, baseado em violão, guitarra e percussão, busca em exemplos alheios a esperança de um mundo que se salva pela qualidade dos indivíduos. Do jardineiro que tira espinhos das rosas para não machucar as crianças na escola (A poda da rosa) ao amigo que fechava bares com ele, tratando de poesia (Aí Joe), ele celebra a avó e a infância (Eva Maria dos Anjos) e faz uma viagem pelos sabores musicais e pela baixa gastronomia que experimentou nas andanças pelo país (Jataí). E fala da homenagem que Sérgio Sampaio um dia fez para Luiz Melodia em Sampaio melodia e do samba de raiz de Seu Ico, que tem o violão incluído na faixa. 


Com capa de Elifas Andreato, o CD inclui participações especiais do baixista argentino Mintcho Garramone, da cantora Fabiana Cozza, do sanfoneiro Antonio Bombarda e dos teclados de Adriano Magôo e Daniel Szafran. Todos colaborando para aumentar a palheta de cores e ampliar a fluência das faixas. Sem aquela música com jeito de hit de rádio, nem possível tema romântico de novela, Jataí é mais um capítulo coerente na carreira do cantador estradeiro que rima a carreira com integridade.







Edvaldo Santana - Jataí


“Quem se movimenta recebe, quem se desloca tem preferência” é com essa sabedoria da linguagem futebolística que podemos compreender a ginga inquieta e ousada por onde se desenvolve a obra de Edvaldo Santana. Em seu sétimo álbum solo chamado “Jataí”, interpreta músicas inéditas e flerta com a arte em sua gestação primitiva. Em busca da simplicidade, a concepção musical do álbum, está baseada na estrutura que traz a execução instrumental e a sonoridade da voz para bem perto do ouvinte, criando intimidades entre o som o ouvido a mente o coração, para isso abrindo mão de algumas perfumarias tecnológicas como a reverberação de duração longa e o uso excessivo de compressores. Há nesse trabalho uma estética contemporânea que reflete a música criada por paulistanos com ancestrais nordestinos, os tons e timbres são peculiares e sutis na sua dimensão urbana, inventando novos códigos de relacionamento dentro da música produzida no mundo.
Produzido em parceria com o guitarrista e amigo Luiz Waack, em Jataí o bardo paulistano expõe seus sentimentos de periferido, com a sapiência dos caboclos e a alma dos negros, fazendo suas alquimias com a música dos renegados, contribuindo no envolvimento estético entre o blues o samba o country o mambo o bolero o baião o rock o reggae a guarania o xote a toada, incorporando nas suas idéias as referencias artísticas de Adoniran Barbosa, Robert Johnson, Luiz Gonzaga, Tom Waits, Jackson do Pandeiro, Woody Guthrie, Cartola, Bob Marley, Jorge Benjor, Buena Vista, Dorival Caymmi, Tibaji, Miltinho e Gilberto Gil.

Jataí tem momentos de banjo, gaita, violão e voz grave, como tem levadas inventivas de congas, bateria, baixo, guitarra e sanfona, é variado, mas se mantém íntegro, inteiro em seu conceito musical.

Nas letras os temas também são diversos, vão desde “A Poda da Rosa”, escrita para um jardineiro que evitou o ferimento de crianças na saída da aula escolar, como em “Quando Deus quer até o diabo ajuda”, onde Edvaldo reforça sua condição otimista diante da vida que leva. Na linguagem das palavras há invenções singulares onde as tonalidades e rimas do universo cordelesco se encontram fragmentadas na gíria da periferia urbana, que em contato com elementos da cultura negra e indígena, proporcionam a liberdade dos movimentos fonéticos.

Os músicos Reinaldo Chulapa-Baixo, Ricardo Garcia-percussão e Luiz Waack-guitarra, juntamente com o violão de Edvaldo formaram a base musical do álbum e foram incumbidos de produzir espaços para a letra e servir de cama harmônica e rítmica para os músicos convidados, criando arranjos com atmosferas sonoras determinantes no conceito semi-acústico do cd.

Vários convidados dão brilho especial a Jataí- de Buenos Aires baixou Mintcho Garramone músico argentino que gravou a sua participação na terra de Astor Piazzola. Também tem os paulistanos da vanguarda Paulo Lepetit no baixo e Marco da Costa na bateria que tocaram em “Nada no mundo é igual” e em “Sem Cobiça”, Kuki Stolarski doou sua batida preciosa . Edvaldo Santana homenageia Waldir Aguiar amigo e produtor em “Aí Joe”, canção onde brilha o piano acústico de Daniel Szafran. Canta seus ancestrais em “Eva Maria dos Anjos” um samba- morna-ijexá com as participações especiais de Fabiana Cozza na voz e Simone Julian na flauta. A sanfona jazzística de Antonio Bombarda está presente em “Jataí”, xote-reggae que dá título ao álbum e em “Há muitas luas” a gaita do curitibano Bené Chiréia aproxima o baião do rock e do blues. Ainda no campo das participações vale destacar o piano elétrico suingado de Adriano Magôo em “Amor é de Graça”.

A capa é uma criação de Elifas Andreato sobre a Jataí espécie de abelha sem ferrão, que possui no mel que produz, além do sabor especial, varias propriedades medicinais de cura.


são salvador - avelino ferreira


quinta-feira, 26 de julho de 2012

terra



entre/aberto
em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha

amada
de muitos sonhos e pouco sexo
deposito a minha boca no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio

o que me dói
é ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos
por fidelidade

ó terra incestuosa
de prazer & gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro a fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante

arturgomes

quarta-feira, 25 de julho de 2012

pic nique na criminosa



nesta última segunda feira estive filmando um pic-nique com os amigos  pescadores e catadores de caranguejo de Gargaú, na boca da barra, lugar por eles denominado  de criminosa,  onde todas as segundas sem lei eles costumam reverenciar a memória de uma mulher da vida que foi assassinada pelo amante no início do século passado, coisa comum no sertão de São João da Barra nesta época. o pic-nique foi regado a cerveja, 51, camarão, peruá e caranguejo, além de muita cantoria e contação de lendas folclóricas como as do seu Jorge, pescador de Atafona que pescava tubarão a unha, segundo ele mesmo faz questão de afirmar. Além de testemunhar Fabiano catando caranguejo na toca, tive a grata surpresa de vê-lo soltando a voz com algumas pérolas sertanejas do repertório de Chitãozinho e Chororó.

arturgomes - sampleAndo
www.artur-gomes.blogspot.com

tecidos sobre a terra





terra
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua da minha boca
não cubra mais tua ferida


arturgomes
http://valepoetico.blogspot.com.br/2012/07/tecidos-sobre-terra.html

terça-feira, 17 de julho de 2012

a flor da pele ainda sangra



para ana claudia Lobo

quixaba uma palavra estranha
assim como katchup guanabara guaxindiba
guarapari lembra-me índio capixaba
goiaba carne vermelha
teu corpo nu diante do espelho
página do livro onde te grafitei
em couro cru & carne viva
alga marinha nascida em mar de angra
a flor da pele ainda sangra
como último beijo mordido na boca
sem sinal de despedida

arturgomes
www.artur-gomes.blogspot.com

MORTE SÚBITA




o acaso dispara uma frase
e atrás dela partem outras

letras-estrelas luzes ideogramas
serpentes trocando de escamas

galáxias se expandem signos explodem
palavras subvertem o instante

contra a morte dos nove sentidos
chuva de flechas xavantes

mas nem toda a arte (visagem)
desarma a realidade-bomba

na barra da guerra funesta
uma rajada inverte a paisagem

e o acaso dispara uma bala
e atrás dela partem outras

o anjo balança suas asas
na face ferida da tarde

o sol esquartejado (negra miragem)
espalha seu sangue na água

o olho cerrado embaralha as imagens
e entre o azul e o fim agora sabe

:nada será como antes
no quartel de abrantes

Ademir Assunção
Poema extraído do Livro
A voz do ventríloquo.
página 77

segunda-feira, 16 de julho de 2012

quarta tem sarau no quarto


o Tropicalirismo de Artur Gomes
com Mário Pirata - participação especial: May Pasquetti
Dia 18 de julho de 2012 às 19h
4º andar - Sala o Retrato
Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo
Rua dos Andradas, 1223 - Porto Alegre-RS

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Palhaçada Federal


foto: Adilson Felix

Grupo Os Panthanas apresenta espetáculo circense que fala sobre eleições esse fim de semana gratuitamente em Santos


Sinopse:
Dois palhaços tradicionais circenses, cansados com as dificuldades da vida artística, tentam encontrar uma forma de sobreviver. Fuxico, de olho nos altos salários e facilidades, convence Chevete que a melhor solução está na carreira política e decide se candidatar a presidência da república. Nesta sátira a trajetória da campanha é apresentada criticando os corruptos, à situação política do Brasil e evidenciando a função do artista na sociedade.

Sobre o tema:
Tendo como tema central o cenário político brasileiro e as eleições, os atores criadores Junior Brassalotti e Sidney Herzog se utilizam da estrutura dramatúrgica de circo teatro e da máscara cômica para a composição dos palhaços Fuxico e Chevete.

Baseado nas características do palhaço e com olhar sobre o dia a dia da política no Brasil, utilizamos como base para a pesquisa cadernos de política, imprensa escrita, virtual e televisiva que expõem alguns fatos e situações que serviram como fonte para os assuntos apontados na montagem. A linguagem do palhaço com um roteiro de pesquisa de acontecimentos do cotidiano, para a dupla, é sempre o ponto de partida.


 Sobre o grupo:
Os Panthanas – Núcleo de Pathifarias Circenses é o primeiro grupo da Baixada Santista de pesquisa da linguagem circense, nasceu na Escola Livre de Circo em Santos em Abril de 2005.

 Essa oficina, ministrada pelo Núcleo Pavanelli de São Paulo, teve como objetivo implementar na cidade através da Oficina Cultural Regional Pagu uma Escola de Circo com aulas permanentes e que proporcionasse aos participantes uma capacitação profissional, para execução de números circenses, espetáculos e formação de instrutores.

 Formaram no início de 2005 o grupo Os Panthanas, foram mais de 100 apresentações por todo a Baixada Santista e Estado de São Paulo, em ruas, palcos, praças e festivais, que conferiram ao grupo experiência e maturidade artística e a convicção pela opção de levar o circo para as praças e palcos do Brasil.

 O grupo ganhou em 2010 o Prêmio Plínio Marcos de Melhor Grupo Circense e de Melhor Espetáculo de Circo para “Brasileirinho”, seu 1º espetáculo que também deu ao grupo o 2º lugar no Festival Nacional de Teatro de Rua de Mogi das Cruzes.

O espetáculo estreou em Março em Santos, já se apresentou no Estado do Rio de Janeiro e está com apresentações agendadas em São Paulo em Julho.


 Ficha técnica:
Direção: Marcos Pavanelli e Simone Brittes Pavanelli

Elenco e dramaturgia: Sidney Herzog e Junior Brassalotti

Fotos: Adilson Felix

Serviço:
Espetáculo: Uma palhaçada federal

Grupo: Os Panthanas – Núcleo de Pathifarias Circenses

Local e data: Sábado, dia 14 de Julho, na Conselheiro Nébias com a Praia no Boqueirão e Domingo, dia 15 de Julho, na Feirart em frente ao SESC Santos

Espetáculo com entrada franca

Horário: 18hs

Classificação etária: Livre

No caso de chuva a apresentação será transferida para uma outra data.
Realização: Prefeitura Municipal de Santos, Secretaria Municipal de Cultura.
Apoio Cultural: Athos – Núcleo Artístico, Espaço Teatro Aberto, Núcleo Pavanelli, Associação Cultural Olhar Caiçara, Santos Convetion & Visitours Bureau, A Confraria Produções e Oficina Cultural Pagu.
Maiores informações sobre o Grupo, visite nosso Blog: http://ospanthanas.blogspot.com.br/


@curtasantos
55- 13- 3018 90 20 
junior@curtasantos.com.br
msn: contaprojr@hotmail.com
@jrbrassalotti
Skype: junior.brassalotti1
Facebook.com/Junior.Brassalotti

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Quando dois e dois são cinco



Sempre que me vejo frente ao descaso que as instituições governamentais dão ao estado caótico em que se encontra o Brasil eu costumo resumir a solução a uma palavra: educação.

Simples como dois e dois são quatro. 

Há os que dirão imediatamente que pode não ser quatro. Talvez três e meio, por razões nunca claras; talvez cinco, com os juros a serem considerados, ou vinte e dois, se mudarmos de estratégia e, em vez de somarmos, colocarmos os números em sequência. Em resumo: quando não se quer usar uma lógica única e óbvia qualquer resultado apresentado será viável. E é dessa falácia que vivem os que têm seus próprios interesses e procuram evitar que se tomem atitudes para se avançar com rapidez e eficiência. Esclarecendo: quando alguém tem interesses em que algo não ocorra, fará tudo para que não aconteça, mesmo que represente uma perda enorme para uma infinidade de pessoas.

Que a educação é algo indispensável à evolução de qualquer povo, isso é incontestável, mas investir nessa necessidade já são outros quinhentos. Problemas, é claro, de interesses.


A educação promove abertura de visão, eleva o senso crítico, qualifica o indivíduo, prepara-o melhor para a vida, mas também o arma para combater o abuso contra si próprio, contra as tramas da sociedade onde ele está inserido, para exigir remuneração digna pelo seu trabalho, para início de conversa.

E aí começa a queda de braço! Povo educado, mão de obra cara.


O país vem vivendo há muito tempo do aproveitamento de mão de obra barata. Escravos, imigrantes com pouca instrução, povo pouco aculturado... As empresas, principalmente, as estrangeiras que se bandeiam para o país (e nos trazem lucros internos, é verdade), precisam de mão de obra barata para sobreviver às exigências empregátícias criadas pelo governo e para lucrar muito. Se educarmos o povo isso se tornará inviável. E povo educado é povo que vota consciente e para muita gente isso também não é interessante. 

O governo nos cobra impostos numa porcentagem que nos leva quase a metade do que produzimos, ou seja: somos escravos (os que produzem e os que trabalham), principalmente, da máquina de governo que paga fortunas para seus dirigentes e legisladores. E o que vemos? Falcatruas, armações, superfaturamentos, abuso de poder, desrespeito público e o pior: corrupção total e sem freios. Quem julga quem? Quem pune quem, num jogo de absoluta falta de ética e, na maioria das vezes, de cartas marcadas?...

Em outra vertente, aos ganhos de capital não interessa que sejam feitos gastos com investimentos fora do seu âmbito de ação, exceto se os donos do capital participarem com empréstimos, a peso de ouro.

Nesta mistura de interesses, a educação não pode ser o objetivo principal. Como investir em educação se ela não interessa a ninguém? Como fazer da educação a meta a alcançar?

Numa estrutura que vem mantendo um retorno econômico fabuloso! Isso mesmo. Apesar de todo esse atentado contra o povo brasileiro, o planejamento de crescimento do país é soberbo. O país está crescendo, sim. O país dá lucro, sim! Mas este lucro fica restrito a poucos. E esse crescimento deve ser pequeno e a conta-gotas para que o processo de avanço educacional seja também minguado e a capacidade crítica não interfira nas loucuras que vão acontecendo nos subterrâneos do governo e do que o cerca. E quando falo governo não falo do partido A ou do partido B. Falo da estrutura montada para o ganho fácil e de grupos articulados. O pior é que isso abraça todos os níveis de gestão e todos os órgãos de controle e justiça.

Há homens de bem? Claro!!! Ou seríamos uma podridão à deriva.

Mas só haverá avanço de qualidade na educação, com suas consequências na ética, quando os professores tiverem remuneração digna, superior a ascensoristas de parlamentares e outros desqualificados bem remunerados. Só quando as escolas estiverem em funcionamento, as estratégias de educação premiarem a qualidade e o direito universal à educação isso passará a ser possível. Nada de cotas! Educação para todos! Absoluta, qualitativa e irrestrita. Em todos os níveis.

Ver, diagnosticar e apontar soluções é muito simples. Implementá-las, extremamente complicado.

Este é o preço do sonho! Será que algum de nós verá isto acontecer, ainda nas próximas décadas?

curtas de artur gomes com pescadores de Gargaú



Jogo de Búzios



ogum não permitiu que iansã
doasse o coração para xangô
e deu-se num trovão pela manhã
o seu amor oxossi em cada um
exu de sangue e ferro
então mandou cortar meu coração
em mais pedaços
assim se fez sem nenhum berro
por isso tens-me aqui entre os seus braços
oxalá então cantou vendo a magia
fez a terra estremecer de africania
américa quem sabe porque canto de alegria
quando choram nos meus olhos
todos mares da Bahia
fazendo um doce mar ficar oxum
um velho doce mar ficar oxum

arturgomes/paulo ciranda




Todo o Amor Que Houver Nessa Vida
Cazuza/Frejat
Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia
E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria
EntriDentes


queimando em mar de fogo me registro
bem no centro do teu íntimo
lá no branco do meu nervo brota
uma onde que é de sal e líquido
procurando a porta do teu cais

teu nome já estava cravado nos meus dentes
desde quando sísifo olhava no espelho
primeiro como mar de fogo
registro vivo das primeiras eras
segundo como flor de lótus
cravado na pele da flor primavera
logo depois gravidez e parto
permitindo o Logus quando o mar quisera

arturgomes

CAMPOS DOS GOYTACAZES

Quem sou eu

Minha foto
meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná