sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

a traição do lirismo



A Traição do LirismoDalila Teles Veras
(orelha do livro)


Artur Gomes, feito gume, é máquina devoradora do mundo. 
Mastiga coisas, afetos, pessoas, rumina e afia os elementos 
em sua navalha verbal e os transforma na mais pura poesia. 

Dono de uma criatividade em permanente ebulição, hábil no verbo e na disposição visual do mesmo no espaço do suporte - papel ou pano -  bandeira a gotejar palavra que, não raro, é também palco e gesto,  (in)cenação a complementar e enriquecer o que a palavra muda já disse, 
a dizer outra coisa que é também a mesma coisa: poesia. 

Poeta em tempo integral, como poucos ousaram ser, Artur Gomes constrói, sem pressa (os anos não parecem pesar - na carne nem no espírito) a sua delirante e criativa poesia, colagem da colagem da colagem, (re)encarnação mais do que perfeita da antropofagia como nem mesmo o velho Serafim sonhou. 

Nada, absolutamente nada escapa 
à sua devastadora e permanente passagem, andarilho de poderosa voz a evangelizar para a poesia.

Este Brazilírica Pereira: A Traição das Metáforas é a continuação de um enredo de há muito ensaiado. Seus atrevidos personagens já apareciam em Vinte Poemas com Gosto de JardiNÓpolis & Uma Canção com Sabor de Campos. Legítimas apropriações retiradas de suas viagens brazílicas, figuras que a sua generosidade literária 
faz questão de homenagear. 

Na passarela poética de Artur, tanto podem desfilar Mallarmé, Faustino, Dalí, Oswald, Baudelaire, Drummond, Pound, Ana Cristina César e o sempre lembrado mestre Uilcon Pereira, a quem o novo livro é dedicado, como personagens anônimos encontrados nas quebradas do mundaréu, além dos amigos, objeto constante de sua poesia. 

Neste caldeirão, “olho gótico TVendo”, entra até um despudorado acróstico,  rimas milionárias em permanente celebração. 

O poeta Artur, disfarçado de concreto, 
celebra descaradamente a amizade e o lirismo 
e ri-se de quem tenta classificá-lo. 

Evoé, Artur!





fulinaíma
meu bem-me-quer meu mal-me-quer 
quantas pétalas ainda hey de desfolhar 
para saber como me quer? 



Artur Gomes 
www.pelegrafia.blogspot.com 






Lilia Diniz na 7ª FELIZ
São Luís - Maranhão 
Filmada por Artur Gomes






a traição das metáforas por onde quer que elas estejam

ando com a dor debaixo do braço coloquei ela no colo depois que tentou me pegar pelas costas não admito traição muito menos de uma dor metida a besta hoje é sexta ontem quinta manhã sábado depois domingo da dor me vingo com uma gargalhada sinistra fulinaíma não me quer fraco cansado entrando no seu fundo mas sou drummundo giramundo um dia ainda vou anoitecer em outra cama quem sabe o mar não seja essa casa água de sal em nossos corpos espermas soltos pelos céus da tua boca/pássaro com asas de Afrodite onde que seja lar um dia em tua lã ainda vou me agasalhar

Artur Gomes
 foto: folhas secas pelo chão/inferno: Artur Gomes





metáfora faustínica

o mundo que venci deu-me uma flor
de lótus
que desfio incontinente de malícias
faíscas na linguagem relâmpagos no meu falo
mesmo em silêncio não calo

por cima de qualquer sonho de grego
por dentro de qualquer fosso complexo
o mundo que venci deu-me uma flor
de cactos
que o relógio do meu tempo não tem hora
troféu perigoso esse vassalo
em chão de céus infernos meus cavalos
amando a fátria que fariu língua senhora


Artur Gomes
In Brazilírica Pereira: A Traição das Metáforas
para Uilcon Pereira In Memórian
www.alpharrabio.com.br






quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro ou está por fora

quem está por fora
não sustenta um olhar que demora
diante do meu centro
este poema me olha



Paulo Leminski






VORAGEM

não tapa
minha cara
que boca
não cala
respiro
profundo
me seca
estressa
com língua
na meta
no poço
te afundo
que forte
me acho
não meço
só faço
respiro meu mundo
não temas
se fraco
não tentes
cansado
entrar
no meu fundo.


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CAMPOS DOS GOYTACAZES

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