quarta-feira, 31 de julho de 2013

oficina de poesia falada



Oficina de Poesia Falada


Exercícios:

1. Mergulhar no texto até que seja possível compreender todo o seu universo dramático. Perceber as nuances de cada verso ou de cada palavra, para a partir daí ter condições de criar uma forma adequada de interpretação através da fala.

2. Respiração:
Respirar calmamente para relaxar antes de cada leitura até sentir o corpo leve, e através da leitura silenciosa, observar espaços rítmicos do texto para melhor executar a respiração dentro desses espaços que devem ser explorados intensamente.

3. Memorização:
Executar a leitura silenciosa até ter certeza que o texto está completamente compreendido em todos os seus códigos e significados. A partir daí, começar a executar uma leitura em voz alta, frente ao espelho de preferência, procurando verificar se verso por verso já está grudado na ponta da língua e na pele da memória.


OBS.: Essa Oficina de Poesia Falada pode ser oferecida a adomicílio, a acompanhada de uma Oficina de Produção de Vídeo, com tem sido realizada em São Conrado e Copacabana, no Rio de Janeiro, com aulas de duração mínima de 2 horas. Custo a combinar.



As musas de Ignacio

a mesma língua fala
quando deitamos palavras duras
a vida crua sobre o corpo do texto
e do teu poema
partilhamos a busca do mesmo céu
de língua e dentes em viva dança
não mais de veia bailarina
querendo escrever tanto ao mesmo tempo
sobrepomos ao risco da morte nossos textos
pactos de carícias entre fonemas
sons dançantes que saem além da boca
sedução de risos no imaginário
do menininho que admirava a brancura
da pele da primeira musa
e matava os anões com as palavras
creme de champion envenenados
colhidas nas florestas de outro tempo
risos emoldurados em boca e janelas
lá pelas terras de Araraquara
12 anos antes do nascimento
da estrela mágica
do beijo que não vem da boca
lá onde eu poderia ter escrito
o meu primeiro poema
cantando língua e beijo
ao vento dos ventiladores

Cristina Grando




Poética 72

a relva ainda molhada
a neve renova a pele
fosse Londres logo ali a dentro
LUAna me morderia a língua
até sangrar de susto
lamberia o sal da carne até
cessar a fome
foi ali que Ana se desfez da vida
para sempre
e
da janela voou para o infinito
ainda tenho seus pés aqui
cravados nos dentes da memória
era setembro de 83 e o Vapor Barato
rodava no vinil da loja aqui do centro
com um buraco negro no peito
que chegava a osso




Poética 73

assim como se tanto
te queresse e não pudesse
essa tensão levar-te a cama
a dama se desfaz
mesmo não sendo
um blues rasgado
ou rock and roll
na língua solta
pela pele em tuas costas
lambendo as curvas
por detrás da tua orelha
vermelha a blusa agora despe
baton saliva tudo como em tua boca
pode ser som de bolero
quando um beijo quero quero
a vida é muito curta pra ser pouca

arturgomes



Fulinaíma Produções
Contatos: portalfulinaima@gmail.com

(21)6964-4999 (22)9815-1266

terça-feira, 30 de julho de 2013

O Amor é Cruel

 Luyzz Sérgio Máximo e Sérvulo
Sérvulo Luizz e Armandinho



o amor é cruel

me pinte um retrato
vou lhe mostrar uma fotografia
o vento vai sussurrar no seu ouvido
o amor é cruel
o amor é cruel
quase sempre assim
o amor é cruel
quando chega ao fim

caco de vidro pés descalços
agora um aviso uma visão
com tudo o que sei mas eu divudo
o amor é o céu
amor é o céu
quando chega ao fim

o amor é cruel


Luizz Ribeiro


segunda-feira, 29 de julho de 2013

inquisição: uma outra


Inquisição:

Por sermos duas metáforas novas, frescas, gostosas, desoprimidas e sem qualquer pseudo complexo de fidelidade é que estamos aqui em brazilírica pereira, por sugestão da uilcona biúka diante desta outra inquisição. Não, ainda não fomos apresentadas a lady federika bezerra. Mas, a conhecemos pela sua fama internacional de porta/bandeira. Macabea não pode se sentir frustrada pela nossa decisão de estarmos aqui neste confessionário. primeiro porque não temos, e nunca tivemos nenhum compromisso com ela. Segundo, é que alinhamos em outra frente liberal, e desfrutamos de todo direito de ir e vir, ter e dar prazer, gozar da forma que melhor nos convir. sexo? É uma opção de gosto mesmo. até no palco por quê não? irônicas? sim, nosso mestre serAfim nos ensinou que do sarcasmo nasce a grande arte. mas o importante é que nós metáforas não precisamos estar somente em entre/linhas, estamos também nas entre/tuas, entre/minhas, e não se trata de traição, procuramos fazer algo diferente, por exemplo, do que já vimos em filmes de godard, construídos em larga medida só com citações e referências. apoiamo-nos nas coplagens como elementos básicos para ultrapassá-los e transcende-los. Agimos como uma espécie de conspiradoras conscientes dos bens culturais e materiais que nos pertencem como patrimônios da humanidade.


Inquisição uma outra

não deveria, portanto, macabea vociferar aqui sua ira, acusando-nos veladamente de traidoras, sem assumir de fato em atitude pública a destilação desse veneno como palavra que não entra em cena.

as belas letras, para nós, começaram através das letras belas, narcisas pelos próprios nomes: metáforas, e por fidelidade a federika não traímos macabea, apenas não fazemos parte de uma mesma concepção de que a palavra parte, e as letras que pretendemos belas não são simplesmente nossas, muito menos dela. podemos constatar com gratidão que emergiram das lendas, fábulas, crônicas e contos, poemas de uma visão de mundo bem nítida e pessoal. 

Talvez, quiçá, quem sabe única reflexão de ruidurbanos, restos de gravuras e resíduos tipográficos. ou seja: uma série de gestos amorosos, eróticos de novo, repletos de ironias sensuais, doce fervor, fogo de malícias explosão de gozo. por sinal, diga-se de passagem, que essas dimensões éticas, jurídico-morais, nunca nos interessaram. nossas relações com a propriedade privada, em todas as suas formas e cristalizações históricas, sempre foram tranquilas e sem remorsos.

Artur Gomes
In Brazilírica Pereira: A Traição das Metáforas

quarta-feira, 24 de julho de 2013

4º Circuito de Arte Entre Povos




Finalmente Jiddu Libera:

POESIA PROIBIDA, o filme sobre Artur Gomes, que ninguém ainda viu, integralmente na rede, contando todos os podres do POETA!


Carne Proibida

o preço atual
proíbes que me coma
mas pra ti estou de graça
pra ti não tenho preço
sou eu quem me ofereço
a ti: músculo e osso
leva-me à boca
e completa o teu almoço

Artur Gomes

fulinaíma produções
entre curta compartilhe





DEFINITIVO

estou sempre
definitivo até o próximo instante
e me consolido
ao ser o que não sou

a arte
é toda feita de contrastes
também
- a ourivaria do efêmero – 

o sol é o mesmo
o amanhecer não

há algo que se rompe
e algo que se estanca
há revolução e calmaria
em cada olhar
que cruzo comigo

não há muito o que fazer
só resta acreditar
no que é seu
e duvidar do mundo
Pedro Tostes 
In Descaminhar – SP – 2008

http://www.youtube.com/watch?v=fQfcOcABqpU&feature=youtu.be

sexta-feira, 19 de julho de 2013

I Seminário Extensão Universitária


Oficina de Edição de Vídeo - CCH _ UENF 
- fotos: Priscilla, bolsista do projeto


I SEMINÁRIO
"EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA EM DEBATE"
DATA: 24 de julho de 2013 (quarta-feira), de 14 às 18h.
LOCAL: CCH/UENF
SALA MULTIMÍDIA
 PROGRAMAÇÃO:
14h. Mesa abertura: Extensão no contexto universitário: percalços, conquistas e desafios
15h e 30min: Apresentação dos projetos de extensão do CCH (cada professor/coordenador e bolsista/s terá 10 minutos para fazer uma síntese do projeto em desenvolvimento)
17h. Encerramento (apresentação de propostas/sugestões para a Extensão Universitária na UENF)

Oficina de Produção de Vídeo
Coordenação do Projeto: Drª Wania Mesquita
Direção da Oficina: Artur Gomes

quinta-feira, 18 de julho de 2013

O Duelo entre a Musa Psicóloga e o Poeta Cinegrafista



O Duelo entre a Musa Psicóloga e o Poeta Cinegrafista


procura-se duas jovens mulheres bonitas e talentosas que queiram estrelar o curta O Duelo Entre A Musa Psicóloga e o Poeta Cinegrafista - roteiro de Artur Gomes baseado no poema Fulinaimagem com referências a Freud e Pessoa. Quem se arrisca? contatos pelo e-mail portalfulinaima@gmail.com

Fulinaimagem

1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais
e essa lua mansa fosse faca
a afiar os verso que ainda não fiz
e as brigas de amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto
que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim admirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos


2

o que trago embaixo as solas dos sapatos
é fato
bagana acesa sobra o cigarro é sarro
dentro do carro
ainda ouço jimmi hendrix quando quero
dancei bolero sampleando rock and roll
pra colher lírios há que se por o pé na lama
a seda pura foto síntese do papel
tem flor de lótus nos bordéis copacabana
procuro um mix da guitarra de santana
com os espinhos da rosa de Noel





arturgomes

terça-feira, 16 de julho de 2013

poéticas fulinaímicas

                             praia de Ubatuba - foto: Artur Gomes


Jura Secreta 18

te beijo vestida de nua

somente a lua te espelha
nesta lagoa vermelha
porto alegre caís do porto
barcos navios no teu corpo
peixes brincam no teu cio
nus teus seios minhas mãos
as rendas íntimas que vestias
sobre os teus pelos ficção

todos os laços dos tecidos

e aquela cor do teu vestido
a pura pele agora é roupa
e o sabor da tua língua

e o baton da tua boca

tudo antes só promessa
agora hóstia entre os meus dentes

e para espanto dos decentes

te levo ao ato consagrado
se te despir for só pecado
é só pecar que me interessa



Artur Gomes







guaraná com isso aí

anote book
onde diz livro e vá pra New York
se enforque nos braços da liberdade
que auto se proclama
way of life mas your life
é sempre uma knife
de dois gumes
e aproveite
a nova liberdade
troque suas havaianas
por um nike
de um rolê no central park
e esqueça o ibirapuera
pela quimera
tua afro-tupy brasilidade
que vire cherock
e num big macand chery-cok
e à vontade
e aos domigos
lembre os sambas mais antigos
e escute apenas o som dos gringos
again to play in your head
assim aprende bem a língua
enquanto míngua e aí my brother
da tua língua mother
só restará a palavra saudade!

rodrigo mebs



para Danielle Morreale


Dani-se
se ela me pisar nos calos
me cumer o fígado
me botar de quatro
assim como cavalo
galopar meus pêlos
devorar as vértebras



Dani-se
se ela me vier de unhas
me lascar os dentes
até sangrar meu sexo
me enfiar a faca
apunhalar meus olhos
perfurar meus dedos



Dani-se
se o amor for bruto
até mesmo sádico
neste instante lírico
se comédia ou trágico
quero estar no ato
e Dani-se o fato
deste sangue quente
nas veias dos infernos
deixa queimar os ossos
eexplodir os nossos
poemas
pós modernos



a vida pesa quando vale
Dani-se: Morreale








In versos

A gente inventa tudo
Mas de repente
A coisa se inverte
E tudo se inventa.
Fico vesga no engenho de idéias
Eu dentro dele
Ele dentro de mim
Os sentimentos são as portas
O meu corpo só a casca
Tudo entra e tudo sai
O que mata me nasce
Como o que nasce me mata
Fico miúda para ver o alto
Lá de cima avisto o espaço
Se quero ver o plano
Fico gigante para
olhar pra baixo

Dani Morreale



guarapari verão de 2006 - foto: Artur Gomes



gosto de cumer

a traça
e se és parte da raça
nesta selva
vira caça
se és humana
e ultrapassa
a espécie
do que caço
estás salva
dos meus dentes
mas se ainda
és curuminha
por onde vais e caminha
entre a cidade
e o matagal
pode inspirar
meu samba/enredo
e desfilar
entre os meus dedos
onde tudo é carnaval







CAMPOS DOS GOYTACAZES

Quem sou eu

Minha foto
meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná