fulinaíma

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Sarau Baião de Dois - SINASEFE


Sarau Baião de Dois – Dia 26 de setembro - SINASEFE
Rua Álvaro Tâmega, 132 – Campos dos Goytacazes-RJ

Programação:
19h – Mostra de Curtas
Waterkis – cine denúncia
Curta com depoimentos de estudantes do IFF Campos – Campus Centro – Déh Tavares e Silvio Ribeiro de Castro – imagens captadas em Manguinhos, Campos e Bento Gonçalves-RS – trilha sonora: Engels Espíritos e Riverdies – concepção & direção: Artur Gomes – Fulinaíma Produções 

20h às 22h – Primavera dos anos 60
Re-Virando a Tropicália com a poesia de Torquato Neto
Cia Desafio de Teatro -
Blues Poesia – Reubes Pess, Dalton Freire e Artur Gomes
Clube do Vinil - Wellington Cordeiro e Marcio Aquino

Loucos Somos Nós – campanha em prol do Abrigo João Vianna – ingresso: material de limpeza e higiene pessoal 
Projeto Ocupação Arte Cultura

Fulinaíma Produções
Artur Gomes – Diretor de Produção e Arte
Rachel Loubach – Assistente de Produção
Contato: portalfulinaima@gmail.com (22)99815-1266

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Mostra Cine Vídeo - Curtas - SINASEFE

May Pasquetti - atriz nos curtas: 
Brisa, direção: Jiddu Saldanha
 Um Exercício do Olhar, direção: Artur Gomes

Mostra Cine Vídeo Curtas – SINASEFE
Rua Álvaro Tâmega, 132 – Campos dos Goytacazes-RJ

Como Participar? Envie seu curta para
Fulinaíma Produções
Rua Voluntários da Pátria, 479/101 – Ed. Evidence
Campos dos Goytacazes-RJ – 28030-260
Até o dia 20 de outubro

Fulinaíma Produções
Artur Gomes – Diretor de Arte e Produção
Rachel Louback – Assistente de Produção

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Projeto Ocupação Arte e Cultura


Projeto Ocupação Arte e Cultura - SINASEFE
https://www.facebook.com/events/477866525649361/?fref=ts
SINASEFE – Rua Álvaro Tâmega, 132

Oficina Cine Teatro – sábados das 9 às 12h

Mostra Cine Vídeo – Curtas - Dia 26 de setembro - 19 às 20h

Waterkis – cine denúncia
Curta com depoimentos de estudantes do IFF Campos – Campus Centro – Déh Tavares e Silvio Ribeiro de Castro – imagens captadas em Manguinhos, Campos e Bento Gonçalves-RS – trilha sonora: Engels Espíritos e Riverdies – concepção & direção: Artur Gomes – Fulinaíma Produções 

Veja no youtube
20 às 22h - Primavera dos Anos 60
Re-Virando a Tropicália com a poesia de Torquato Neto
Cia Desafio de Teatro -
Blues Poesia - Dalton Freire e Artur Gomes
Clube do Vinil - Wellington Cordeiro e Marcio Aquino

Loucos Somos Nós – campanha em prol do Abrigo João Vianna – ingresso: material de limpeza e higiene pessoal 


SampleAndo

o poema pode ser um beijo em tua boca
carne de maçã em maio
um tiro oculto sob o céu aberto
estrelas de neon em Vênus
refletindo pregos no meu peito em cruz
na paulista consolação na água branca barra funda
metal de prata desta lua que me inunda
num beijo sujo como a estação da luz
nos vídeos.filmes de TV
eu quero um clipe
nos teus seios quentes
uma cilada em tuas coxas japa
como uma flecha em tuas costas índia
ninja, gueixa eu quero a rota teu país ou mapa
teu território devastar inteiro
como uma vela ao mar de fevereiro
molhar teu cio e me esquecer na lapa


Artur Gomes
Um exercício do olhar


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Sarau Baião de Dois


Sarau Baião de Dois
Primavera dos Anos 60
Re-Virando a Tropicália com a poesia de Torquato Neto
Cia Desafio de Teatro -
Blues Poesia - Dalton Freire e Artur Gomes
Clube do Vinil - Wellington Cordeiro e Marcio Aquino


Projeto Ocupação Arte e Cultura - SINASEFE
Rua Álvaro Tâmega, 132 - Campos dos Goytacazes
https://www.facebook.com/events/477866525649361/?fref=ts

Loucos Somos Nós – campanha em prol do Abrigo João Vianna – ingresso: material de limpeza e higiene pessoal



Fulinaíma Produções
Artur Gomes – Diretor de Produção e Arte
Rachel Louback – Assistente de Produção

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Louco Somos Nós


Loucos Somos Nós

Quarteto da Cia Desafio de Teatro, formado por Andréa Souza, Adriana Kezen, Emanuel Ribeiro e Luiz Hemp, se apresenta este final de semana, sexta e sábado em São Fidélis, com a performance de Teatro de Rua: Loucos Somos Nós.

Sinopse: 4 malucos recém saídos de um manicômio em Campos, vai parar em São Fidélis, para questionar o estado de secura do rio Paraíba do Sul. Concepção & Direção: Artur Gomes.

Apoio: Secretaria de Cultura e Turismo de São Fidélis e Hotel São José (22)2758-2428 - https://www.facebook.com/hotelsaojosesaofidelis?fref=ts

Cia Desafio de Teatro – Núcleo de Pesquisa Criação e Produção Teatral https://www.facebook.com/desafiodeteatro?fref=ts


Projeto Ocupação Arte Cultura
Oficina Cine Teatro
Sábados – das 9 às 12h – SINASEFE
Rua Álvaro Tâmega, 132 – Campos dos Goytacazes-RJ 


Fulinaíma Produções
Artur Gomes – Diretor de Produção e Arte
Rachel Louback – Assistente de Produção

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

projeto ocupação arte cultura

fotos: Rachel Louback

Projeto Ocupação Arte e Cultura
Núcleo de Pesquisa Criação e Produção Teatral
Oficina Cine Vídeo - sábados das 9 às 12h 
SINASEFE - Rua Álvaro Tâmega, 132

Fulinaíma Produções 
(22)99815-1266 - 

oficina cine teatro


Oficina Cine Teatro
Sábados - das 9 às 12h. Inscrições no Local
 SINASEFE - Rua Álvaro Tâmega, 132 - contato(22)99815-1266




Artur Gomes
Fulinaíma Produções
(22)99815-1266

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

do canavial ao porto


Terra

antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua da minha boca
não cubra mais tua ferida

Artur Gomes
do livro: Suor & Cio - MVPB Edições
Ipanema-RJ - 1985 - www.goytacity.blogspot.com
exposição: Do Canavial ao Porto - fotografia: Wellington Cordeiro - Poesia: Artur Gomes




Sarau Baião de Dois
Primavera dos Anos 60
Re-Virando a Tropicália com a poesia de Torquato Neto
Cia Desafio de Teatro -
 Blues Poesia - Dalton Freire e Artur Gomes
Clube do Vinil - Wellington Cordeiro e Marcio Aquino
Projeto Ocupação Arte e Cultura - SINASEFE
Rua Álvaro Tâmega, 132 - Campos dos Goytacazes


terça-feira, 2 de setembro de 2014

tecidos sobre a pele - suor & cio

fotos: Rachel Louback


TECIDOS SOBRE A PELE

Terra,
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua
da minha boca
não cubra mais tua ferida

entre/aberto
em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
e minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha

amada de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio
o que me dói é ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos por fidelidade

ó terra incestuosa
de prazer e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro à fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante

minha terra
é de senzalas tantas
enterra em ti
milhões de outras esperanças
soterra em teus grilhões
a voz que tenta – avança
plantada em ti
como canavial que a foice corta
mas cravado em ti
me ponho a luta
mesmo sabendo – o vão
estreito em cada porta

Moenda

usina
mói a cana
o caldo e o bagaço
usina
mói o braço
a carne o osso
usina
mói o sangue
a fruta e o caroço
tritura suga torce
dos pés até o pescoço

e
do alto da casa grande
os donos do engenho controlam
: o saldo e o lucro


Artur Gomes
do livro: Suor & Cio - MVPB Edições -
Ipanema-RJ - 1985 - www.goytacity.blogspot.com
 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

torquato neto - pra mim chega


Torquato Pereira de Araújo Neto (Teresina PI, 1944 - Rio de Janeiro RJ, 1972). Cursou Jornalismo no Rio de Janeiro, por volta de 1966, mas não chegou a concluir a faculdade. Nos anos seguintes compôs letras musicadas por Gilberto Gil  ("Geléia Geral", "Louvação"), Caetano Veloso ("Deus Vos Salve a Casa Santa", "Ai de Mim", "Copacabana", "Mamãe, Coragem") e Edu Lobo ("Lua Nova", "Pra Dizer Adeus"). Entre 1970 e 1972 atuou nos filmes Nosferatu no Brasil e A Múmia Volta a Atacar, de Ivan Cardoso, e Helô e Dirce, de Luiz Otávio Pimentel. No período também criou e redigiu a coluna Geléia Geral no jornal carioca Última Hora. Em 1973 ocorreu a publicação póstuma de seu livro de poesia Os Últimos Dias de Paupéria,organizado por Ana Maria S. de Coraújo Duarte e Waly Salomão. Três anos depois, foram incluídos alguns de seus poemas na antologia 26 Poetas Hoje, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda em 1976. Em 1997 foram publicados quatro de seus poemas na antologia bilíngüe Nothing the Sun Could Not Explain, organizada por Michael Palmer, Régis Bonvicino e Nelson Ascher. Torquato Neto foi um dos compositores mais inovadores da canção popular dos anos de 1970. Fonte: www.itaucultural.org.br



let's play that 

quando eu nasci 
um anjo louco muito louco 
veio ler a minha mão 
não era um anjo barroco 
era um anjo muito louco, torto 
com asas de avião 
eis que esse anjo me disse 
apertando a minha mão 
com um sorriso entre dentes 
vai bicho desafinar 
o coro dos contentes 
vai bicho desafinar 
o coro dos contentes 
let's play that


Todo dia é dia D

Desde que saí de casa
Trouxe a viagem de volta
Gravada na minha mão
Enterrada no umbigo, dentro e fora assim comigo
Minha própria condução.
Todo dia é dia dela
Pode não ser pode ser
Abro a porta e a janela
Todo dia, é dia D
Há urubus no telhado
E a carne seca é servida
Escorpião encravado na sua própria ferida
Não escapa, só escapo pela porta da saída
Todo dia mais um  dia
De amar-te e a morte morrer
Todo dia  mais um  dia, menos dia
dia D



GO BACK

Você me chama
Eu quero ir pro cinema
você reclama
meu coração não contenta
você me ama
mas de repente a madrugada mudou
e certamente
aquele trem já passou
e se passou
passou daqui pra melhor,
foi!

Só quero saber
do que pode dar certo
não tenho tempo a perder


você me pede
quer ir pro cinema
agora é tarde
se nenhuma espécie
de pedido
eu escutar agora
agora é tarde
tempo perdido
mas se você não mora, não morou
é porque não tem ouvido
que agora é tarde
- eu tenho dito -
o nosso amor michou
(que pena) o nosso amor, amor
e eu não estou a fim de ver cinema
(que pena)


rio/agosto/71

Literato cantabile

agora não se fala mais
toda palavra guarda uma cilada 
e qualquer gesto é o fim
do seu início;

agora não se fala nada
e tudo é transparente em cada forma 
qualquer palavra é um gesto
e em sua orla
os pássaros de sempre cantam
nos hospícios.

você não tem que me dizer
o número de mundo deste mundo 
não tem que me mostrar
a outra face
face ao fim de tudo:

só tem que me dizer
o nome da república do fundo 
o sim do fim  
e o tem do tempo vindo;

9)
a) A virtude é a mãe do vício
conforme se sabe;
acabe logo comigo
ou se acabe.

b) A virtude e o próprio vício
- conforme se sabe -
estão no fim, no início
da chave.

c) Chuvas da virtude, o vício,
conforme se sabe;
é nela própriamente que eu me ligo,
nem disco nem filme:
nada, amizade. Chuvas de virtude:
chaves.

d) (amar-te/ a morte/ morrer:
há urubús no telhado e carne seca
é servida: um escorpião encravado
na sua própria ferida, não escapa: só escapo
pela porta de saída).

e) A virtude, a mãe do vício
como eu tenho vinte dedos,
ainda, e ainda é cedo:
você olha nos meus olhos
mas não vê nada, se lembra?

f) A virtude
mais o vício: início da
MINHA
transa, início, fácil, termino:
"como dois mais dois são cinco"
como Deus é precipício,
durma,
e nem com Deus no hospício
(durma) nem o hospício
é refúgio. Fuja.


Três da madrugada (1971)

Três da madrugada
Quase nada
Na cidade abandonada
Nessa rua que não tem mais fim 
Três da madrugada
Tudo e nada
A cidade abandonada
E essa rua não tem mais
Nada de mim...
Nada
Noite alta madrugada
Na cidade que me guarda
E esta cidade me mata
De saudade
É sempre assim...
Triste madrugada
Tudo é nada
Minha alegria cansada
E a mão fria mão gelada
Toca bem de leve em mim. 
Saiba:
Meu pobre coração não vale nada 
Pelas três da madrugada
Toda palavra calada
Nesta rua da cidade
Que não tem mais fim
Que não tem mais fim...

11) Nenhuma Dor

Minha namorada tem segredos
Tem nos olhos mil brinquedos
De magoar o meu amor

Minha namorada muito amada
Não entende quase nada
Nunca vem de madrugada
Procurar por onde estou

É preciso, ó doce namorada
Seguirmos firmes na estrada
Que leva a nenhuma dor

Minha doce e triste namorada
Minha amada idolatrada
Salve-salve o nosso amor


Coisa mais linda que existe (1968)

Coisa linda neste mundo 
É sair por um segundo
E te encontrar por aí
Pra fazer festa ou comício
Com você perto de mim
Na cidade em que me perco
Na praça em que me resolvo
Na noite da noite escura
É lindo ter junto ao corpo 
Ternura de um corpo manso 
Na noite da noite escura
Coisa linda neste mundo
É sair por um segundo
E te encontrar por aí
Pra fazer festa ou comício 
Com você perto de mim
O apartamento, o jornal
O pensamento, a navalha
A sorte que o vento espalha
Essa alegria, o perigo
Eu quero tudo contigo
Com você perto de mim 
Coisa linda neste mundo
É sair por um segundo
E te encontrar por aí
Pra fazer festa ou comício 
A coisa mais linda que existe 
É ter você perto de mim

Gravação: Gal Costa em Gal Costa (1969).

Pra Dizer Adeus

Adeus
Vou prá não voltar
E onde quer que eu vá
Sei que vou sózinho

Tão sozinho amor
Nem é bom pensar
Que eu não volto mais
Desse meu caminho

Ah! pena eu não saber
Como te contar
Que esse amor foi tanto
E no entanto eu queria dizer

Vem
Eu só sei dizer
Vem
Nem que seja só
Pra dizer adeus


Geléia Geral

Um poeta desfolha a bandeira
E amanhã tropical se inicia
Resplandente, cadente, fagueira
Num calor girassol com alegria
Na geléia geral brasileira
Que o Jornal do Brasil anuncia

Ê, bumba-yê-yê-boi
Ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê
É a mesma dança, meu boi

A alegria é a prova dos nove
E a tristeza é teu porto seguro
Minha terra é onde o sol é mais limpo
E Mangueira é onde o samba é mais puro
Tumbadora na selva-selvagem
Pindorama, país do futuro

Ê, bumba-yê-yê-boi
Ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê
É a mesma dança, meu boi

É a mesma dança na sala
No Canecão, na TV
E quem não dança não fala
Assiste a tudo e se cala
Não vê no meio da sala
As relíquias do Brasil:
Doce mulata malvada
Um LP de Sinatra
Maracujá, mês de abril
Santo barroco baiano
Superpoder de paisano
Formiplac e céu de anil
Três destaques da Portela
Carne-seca na janela
Alguém que chora por mim
Um carnaval de verdade
Hospitaleira amizade
Brutalidade jardim

Ê, bumba-yê-yê-boi
Ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê
É a mesma dança, meu boi

Plurialva, contente e brejeira
Miss linda Brasil diz "bom dia"
E outra moça também, Carolina
Da janela examina a folia
Salve o lindo pendão dos seus olhos
E a saúde que o olhar irradia

Ê, bumba-yê-yê-boi
Ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê
É a mesma dança, meu boi

Um poeta desfolha a bandeira
E eu me sinto melhor colorido
Pego um jato, viajo, arrebento
Com o roteiro do sexto sentido
Voz do morro, pilão de concreto
Tropicália, bananas ao vento

Ê, bumba-yê-yê-boi
Ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê
É a mesma dança, meu boi
14) Marginália II

Eu, brasileiro, confesso
Minha culpa, meu pecado
Meu sonho desesperado
Meu bem guardado segredo
Minha aflição

Eu, brasileiro, confesso
Minha culpa, meu degredo
Pão seco de cada dia
Tropical melancolia
Negra solidão

Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo

Aqui, o Terceiro Mundo
Pede a bênção e vai dormir
Entre cascatas, palmeiras
Araçás e bananeiras
Ao canto da juriti

Aqui, meu pânico e glória
Aqui, meu laço e cadeia
Conheço bem minha história
Começa na lua cheia
E termina antes do fim

Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo

Minha terra tem palmeiras
Onde sopra o vento forte
Da fome, do medo e muito
Principalmente da morte
Olelê, lalá

A bomba explode lá fora
E agora, o que vou temer?
Oh, yes, nós temos banana
Até pra dar e vender
Olelê, lalá

Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo


O poeta nasce feito

o poeta nasce feito
assim como dois mais dois; 
se por aqui me deleito
é por questão de depois

a glória canta na cama
faz poemas, enche a cara 
mas é com quem mais se ama 
que a gente mais se depara

ou seja:

quarenta e sete quilates 
sessenta e nove tragadas
vinte e sete sonhos, noites 
calmas, desperdiçadas.

saiba, ronaldo, acontece 
uma vez em qualquer vida: 
as teias que a gente tece 
abrem sempre uma ferida

no canto esquerdo do riso? 
no lado torto da gente? 
talvez.
o que mais forte preciso 
não sei sequer se é urgente.

nem sei se eu sou o caso 
que mais mereço entender -
de qualquer forma, o A-caso 
me deixa tonto. e querer

não é sentar, ter na mesa 
uma questão de depois:
é, melhor, ver com certeza 
quem imagina um mais dois.


24) Pessoal Intransferível

Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. É o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela. Nada no bolso e nas mãos. Sabendo : perigoso, divino, maravilhoso.

Poetar é simples, como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena etc. Difícil é não correr com os versos debaixo do braço. Difícil é não cortar o cabelo quando a barra pesa. Difícil, pra quem não é poeta, é não trair a sua poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo; menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes. E sair por aí, ainda por cima sorridente mestre de cerimônias, "herdeiro" da poesia dos que levaram a coisa até o fim e continuam levando, graças a Deus.

E fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar. Citação: leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi. Adeusão.

Publicado na coluna "Geléia Geral", 3a feira, 14/09/71

Andar andei

Não é o meu país
É uma sombra que pende
Concreta
Do meu nariz
Em linha reta
Não é minha cidade
É um sistema que invento
Me transforma
E que acrescento
À minha idade
Nem é o nosso amor
É a memória que suja
A história que enferruja
O que passou
Não é você
Nem sou mais eu
Adeus meu bem
( adeus adeus)
você mudou
mudei também
adeus amor
adeus e vem


 Louvação

Vou fazer a louvação
Louvação, louvação
Do que deve ser louvado
Ser louvado, ser louvado
Meu povo, preste atenção
Atenção, atenção
Repare se estou errado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado
E louvo, pra começar
Da vida o que é bem maior
Louvo a esperança da gente
Na vida, pra ser melhor
Quem espera sempre alcança
Três vezes salve a esperança!
Louvo quem espera sabendo
Que pra melhor esperar
Procede bem quem não pára
De sempre mais trabalhar
Que só espera sentado
Quem se acha conformado

Vou fazendo a louvação
Louvação, louvação
Do que deve ser louvado
Ser louvado, ser louvado
Quem 'tiver me escutando
Atenção, atenção
Que me escute com cuidado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado
Louvo agora e louvo sempre
O que grande sempre é
Louvo a força do homem
E a beleza da mulher
Louvo a paz pra haver na terra
Louvo o amor que espanta a guerra
Louvo a amizade do amigo
Que comigo há de morrer
Louvo a vida merecida
De quem morre pra viver
Louvo a luta repetida
A vida pra não morrer

Vou fazendo a louvação
Louvação, louvação
Do que deve ser louvado
Ser louvado, ser louvado
De todos peço atenção
Atenção, atenção
Falo de peito lavado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado
Louvo a casa onde se mora
De junto da companheira
Louvo o jardim que se planta
Pra ver crescer a roseira
Louvo a canção que se canta
Pra chamar a primavera
Louvo quem canta e não canta
Porque não sabe cantar
Mas que cantará na certa
Quando enfim se apresentar
O dia certo e preciso
De toda a gente cantar

E assim fiz a louvação
Louvação, louvação
Do que vi pra ser louvado
Ser louvado, ser louvado
Se me ouviram com atenção
Atenção, atenção
Saberão se estive errado
Louvando o que bem merece
Deixando o ruim de lado



Mamãe Coragem

Caetano Veloso/Torquato Neto


Mamãe, mamãe, não chore
A vida é assim mesmo
Eu fui embora
Mamãe, mamãe, não chore
Eu nunca mais vou voltar por aí
Mamãe, mamãe, não chore
A vida é assim mesmo
Eu quero mesmo é isto aqui

Mamãe, mamãe, não chore
Pegue uns panos pra lavar
Leia um romance
Veja as contas do mercado

Pague as prestações
Ser mãe
É desdobrar fibra por fibra
Os corações dos filhos
Seja feliz 
Seja feliz

Mamãe, mamãe, não chore
Eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz
Mamãe, seja feliz
Mamãe, mamãe, não chore
Não chore nunca mais, não adianta
Eu tenho um beijo preso na garganta

Eu tenho um jeito de quem não se espanta
(Braço de ouro vale 10 milhões)
Eu tenho corações fora peito
Mamãe, não chore
Não tem jeito
Pegue uns panos pra lavar
Leia um romance
Leia "Alzira morta virgem"
"O grande industrial"

Eu por aqui vou indo muito bem
De vez em quando brinco Carnaval

E vou vivendo assim: felicidade
Na cidade que eu plantei pra mim
E que não tem mais fim
Não tem mais fim
Não tem mais fim



Cogito

Eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
Eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
Eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
Eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.

Texto de José Castello sobre Torquato Neto







CAMPOS DOS GOYTACAZES

Quem sou eu

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meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná