segunda-feira, 4 de julho de 2016

ReVirando a Tropicália



ReVirando a Tropicália
a poesia de Torquato Neto e Paulo Leminski, mais uma vez no palco interpretada por Artur Gomes

A tropicália levo no pulso
no impulso de sacar o que é nosso
muito além do que me vem
de outros trópicos

Desde 1983 quando criei o projeto Mostra Visual de Poesia Brasileira que a poesia de Torquato Neto e Paulo Leminski me ins-pira, me trans-pira, me pira.
Piracicaba Piracema. Lendo e selecionando poemas dos dois para os cadernos da MVPB que editei até 1993 seria impossível não levá-los para o palco algum dia.

Em 1993, em parceria com a minha grande amiga Dalila Teles Veras, levamos a idéia do projeto ao SESC São Paulo, como uma homenagem ao centenário de Mário de Andrade, sendo prontamente aceito e executado pela unidade do SESC São Caetano.

Nasceu neste ano de 1993,  então,  o desejo de uma performance com a poesia desses dois ícones da poesia contemporânea, por serem os dois autores brasileiros que mais me instigam, não apenas pela força de seus versos despojados e  muitas vezes também pela ironia em tratar o existencial em suas obras.

Desde então a poesia dos dois, passou a fazer parte do meu repertório de performance, e tem me acompanhado pelos palco onde tenho atuado por este Brasil afora. Mais uma vez em agosto, o mês do cachorro loco, volto a interpretá-los. O endereço ainda é segredo, mas breve será noticiado.



Let's Play That
Torquato Neto
 
quando eu nasci
um anjo louco muito louco
veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo muito louco, torto
com asas de avião

eis que esse anjo me disse
apertando minha mão
com um sorriso entre dentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
let's play that




Ali

ali

ali
se

se alice
ali se visse
quanto alice viu
e não disse

se ali
ali se dissesse
quanta palavra
veio e não desce

ali
bem ali
dentro da alice
só alice
com alice
ali se parece


SagaraNAgens Fulinaímicas


guima meu mestre guima
em mil perdões eu vos peço
por esta obra encarnada
na carne cabra da peste
da hygia ferreira bem casta
aqui nas bandas do leste
a fome de carne é madrasta

ave palavra profana
cabala que vos fazia
veredas em mais sagaranas
a morte em vidas severinas
tal qual antropofagia
teu grande serTão vou cumer


 nem joão cabral severino
nem virgulino de matraca
nem meu padrinho de pia
me ensinou usar faca
ou da palavra o fazer

a ferramenta que afino
roubei do meste drummundo
que o diabo giramundo
é o narciso do meu Ser


Artur Gomes

www.fulinaimicas.blogspot.com 
portalfulinaima@gmail.com
FULINAÍMA Produções
(22)99815-1266  (22)98141-4991




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