terça-feira, 30 de agosto de 2016

ReVirando a Tropicália



ReVirando a Tropicália
Artur Gomes interpreta a poesia
de Torquato Neto e Paulo Leminski
3 a 10 de setembro - Semana de Cultura
São Fidélis-RJ

let's play that

quando eu nasci 
um anjo louco muito louco 
veio ler a minha mão 
não era um anjo barroco 
era um anjo muito louco, torto 
com asas de avião 
eis que esse anjo me disse 
apertando a minha mão 
com um sorriso entre dentes 
vai bicho desafinar 
o coro dos contentes 
vai bicho desafinar 
o coro dos contentes 

let's play that

Torquato Neto


Dor elegante

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra

Paulo Leminski




veraCidade

por quê trancar as portas
tentar proibir as entradas
se já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas ?

um beija flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável
eu tenho fome de terra e esse asfalto
sob a sola dos meus pés  agulha nos meus dedos


quando piso na Augusta
o poema dá um tapa na cara da Paulista
flutuar na zona do perigo  entre o real e o imaginário
João Guimarães Rosa Caio Prado Martins Fontes
um bacanal de ruas tortas

eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na Cacomanga
matagal onde nasci

com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada
na carne da rua Aurora

Artur Gomes




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