domingo, 24 de julho de 2016

sob fios elétricos


sob fios elétricos
a vida por um fio



a eletricidade não falha
é um risco
nesta cidade de palha



revoada numa tarde cinza
enquanto da sacada
meu olho gótico TVia


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sexta-feira, 22 de julho de 2016

gothan city




Gothan City
qualquer coincidência não é mera semelhança

o que tens aqui. ela não tem a língua dentro da boca. ele não tem um olho embaixo da testa. caminha disfarçada  ao lado do palácio em direção a vala. a bala passa raspando os dentes dele. a vala engole carne e osso dela. o disfarce está exposto ao lado da vala para cobrir o esgoto que fede a céu aberto no museu das precariedades. quem caminha pelas calçada corre o risco de quebrar pés e pernas nas crateras que percorrem todas vielas e becos da cidade fantasma.


Artur Gomes

quarta-feira, 20 de julho de 2016

agro negócio


em nome da produção de alimentos
os assassinos do planeta
se travestem em salvadores da pátria



qualquer palavra eu invento
na carnadura dos ossos
na escriDura do éter
na concretude do vento
na engrenagem da sílaba
vocabulário onde posso
dar nome próprio ao veneno
que tem o Agro Negócio


Imbé

sendo a dor o que me resta
do pulmão desta floresta
só me cabe erguer o grito
com a gana dos aflitos
antes que a morte faça festa



sagaraNAgem
a engrenagem
cada vez mais funda
onde nervo/osso
se encontra lá no fundo
cada vez mais poço



Gargaú

quem tem sangue na veia
nem guaiamum nem caranguejo
mas também sente essa dor
na salivado desejo
em tua língua meu amor
e que a lama desse mangue
possa parir alguma flor


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segunda-feira, 18 de julho de 2016

cena 7 - Alice no país da imaginação


Curso de Artes Cênicas - O Espelho
Cena 7 Alice no país das imaginações

Federico - quando foi?

Alice - em 2005

Federico - onde?

Alice - numa cachoeira em São Fidélis

Federico - como assim?

Alice - bem perto da serra

Federico - não me lembro

Alice - eu tinha 4 anos de idade e você vivia saindo com uma amiga da minha mãe de nome Ana Beatriz

Federico - nossa que memória!

Alice - cresci com as lembranças daquele dia

Federico - minha memória apagou, não me lembro de nada. me deu um branco, que nem sei mais São Fidélis onde fica

Alice - deixa de ser bobo, que sabe sim, como não sabe, se te vi passar de ônibus dia desses indo para lá.

Federico - deve ter sido outro Federico, porque tem muitos anos que não escrevo uma cidade poema

Alice - minha mãe estava comigo e disse que era você sim

Federico - sua mãe pirou!

Alice - bem que ela me disse que desconfia de você

Federico - não sei porque

Alice - ela me diz que você vive metendo  metáforas na cabeça das pessoas

Federico - nada disso, as pessoas  é que são maliciosas

Alice - mas eu não tenho nada de malícia e sei direitinho interpretar o que você diz

Federico - filha de quem é, não poderia ser diferente

Alice - nem me venha com meta-física

Federico - nem meta nem física que nada. a menina dos meus olhos. com os nervos à flor da pele brinca de bem-me-quer. ela ainda pensa que é menina. mas já é quase uma mulher.

Alice - ai minha timidez!

Federico - nem vem que isso você não tem

Alice - você nem me conhece direito

Federico - você é quem pensa

Alice - penso o quê?

Federico - ali,
quando alice 
viu e não disse
se ali
 alice dissesse
quanta palavra veio
 e não desce
ali, bem ali 
dentro da alice

só alice com alice 
ali se parece. 

(paulo leminski)

passarada


onde me queres pássaro
sou todo homem
com tua sede e fome


onde o lirismo exala
romantismo pleno
abre minha porta e entre
como meu amor supremo
declaro-te minha musa
por todo agora e sempre


fosse eu um pássaro
um tanto mais ou tanto menos
beija-flor em pleno vôo
beijasse a tua flor de vênus


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domingo, 17 de julho de 2016

juras secretas


esta cerca de arame farpado
rasga meus nervos e músculos
nos tecidos do amor que não tivemos



jura secreta 84

a língua lambe a palavra
na miragem meta física
metáfora de fogo 
na ponte que atravessamos
para o outro lado do poema

ela passeia entre os fios elétricos
dos meus dedos e músculos
onde andorinhas
não conseguem decifrar

se eu desatar os nós do teu umbigo
desvendaremos as pirâmides do Egito
tocaremos infinitos
pra muito além do além mar



jura secreta 85

a menina de unhas azuis
tem no cais olhos de luz
como um peixinho dourado
na tatuagem das costas

sob os tecidos oculta
na tua língua mil falas
com seus biscoitos de folhas

o chocolate entre os dentes
quando seu beijo é de menta
em teu pulsar imaginário
na pele e pelos um  relicário
que só um dedo roçou
nalguma cena em suspense
que Fellini nunca pensou

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sexta-feira, 15 de julho de 2016

sagaranagens


nesse espelho d´água
levo minhas mágoas
por uma ponte para o nada


o destino do acaso é o vazo de zinco
aparando a goteira na varanda da viúva
enquanto Amanda beija-flor depois da chuva


na pedra do arpoador
o mar em êxtase beija meu calcanhar
 tão sagarana que te jogo ao mar
dos lençóis na minha cama


nossas palavras escorrem
pelo escorrer dos anos
estradas virtuais fossem algaravias
nosso desejo que não se concreta
e eu tenho a fome entre os dedos
a sede entre os dentes
e a língua na escrita
que ainda não fizemos
e o que brota desse amor latente
se o desejo é tua boca no lençol dos dias?

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segunda-feira, 11 de julho de 2016

jura secreta 14


jura secreta 14

eu te desejo flores
lírios brancos margaridas
girassóis rosas vermelhas
tudo quanto pétala
asas estrelas borboletas
alecrim bem-me-quer e alfazema

eu te desejo emblema
deste poema desvairado
com teu cheiro teu perfume
teu sabor teu suor tua doçura
e na mais santa loucura
declarar-te amor até os ossos

eu te desejo e posso
palavrAr-te até a morte
enquanto a vida nos procura



Terra,
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua da minha boca
não cubra mais tua ferida

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segunda-feira, 4 de julho de 2016

ReVirando a Tropicália



ReVirando a Tropicália
a poesia de Torquato Neto e Paulo Leminski, mais uma vez no palco interpretada por Artur Gomes

A tropicália levo no pulso
no impulso de sacar o que é nosso
muito além do que me vem
de outros trópicos

Desde 1983 quando criei o projeto Mostra Visual de Poesia Brasileira que a poesia de Torquato Neto e Paulo Leminski me ins-pira, me trans-pira, me pira.
Piracicaba Piracema. Lendo e selecionando poemas dos dois para os cadernos da MVPB que editei até 1993 seria impossível não levá-los para o palco algum dia.

Em 1993, em parceria com a minha grande amiga Dalila Teles Veras, levamos a idéia do projeto ao SESC São Paulo, como uma homenagem ao centenário de Mário de Andrade, sendo prontamente aceito e executado pela unidade do SESC São Caetano.

Nasceu neste ano de 1993,  então,  o desejo de uma performance com a poesia desses dois ícones da poesia contemporânea, por serem os dois autores brasileiros que mais me instigam, não apenas pela força de seus versos despojados e  muitas vezes também pela ironia em tratar o existencial em suas obras.

Desde então a poesia dos dois, passou a fazer parte do meu repertório de performance, e tem me acompanhado pelos palco onde tenho atuado por este Brasil afora. Mais uma vez em agosto, o mês do cachorro loco, volto a interpretá-los. O endereço ainda é segredo, mas breve será noticiado.



Let's Play That
Torquato Neto
 
quando eu nasci
um anjo louco muito louco
veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo muito louco, torto
com asas de avião

eis que esse anjo me disse
apertando minha mão
com um sorriso entre dentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
let's play that




Ali

ali

ali
se

se alice
ali se visse
quanto alice viu
e não disse

se ali
ali se dissesse
quanta palavra
veio e não desce

ali
bem ali
dentro da alice
só alice
com alice
ali se parece


SagaraNAgens Fulinaímicas


guima meu mestre guima
em mil perdões eu vos peço
por esta obra encarnada
na carne cabra da peste
da hygia ferreira bem casta
aqui nas bandas do leste
a fome de carne é madrasta

ave palavra profana
cabala que vos fazia
veredas em mais sagaranas
a morte em vidas severinas
tal qual antropofagia
teu grande serTão vou cumer


 nem joão cabral severino
nem virgulino de matraca
nem meu padrinho de pia
me ensinou usar faca
ou da palavra o fazer

a ferramenta que afino
roubei do meste drummundo
que o diabo giramundo
é o narciso do meu Ser


Artur Gomes

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CAMPOS DOS GOYTACAZES

Quem sou eu

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meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná