segunda-feira, 18 de junho de 2018

juras secretas - resenha




Resenha do livro Juras secretas de Artur Gomes

Juras secretas de um trovador contemporâneo

“Só uma palavra me devora / Aquela que meu coração não diz”. Esses versos de Jura secreta, canção de autoria da compositora brasileira Sueli Costa e Abel Silva, conhecida por grande parte do público pela passionalidade interpretativa da cantora Simone, pluraliza-se e faz emergir Juras secretas, décimo terceiro livro do poeta Artur Gomes. Não que haja intertextualidade explícita entre a canção e os poemas do livro, mas denota o intertexto como uma das principais marcas do poeta, recurso presente em seus livros anteriores.

Em SagaraNagens Fulinaímicas (2015), já se percebia um Artur Gomes um pouco distinto da ferocidade de crítica política predominante, por exemplo, em Couro cru & Carne viva (1987). Em Juras secretas, o poeta assume de vez sua faceta lírica, e é essa que pontua as cem “juras” que preenchem o miolo do livro.

Jura secreta 45

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais

e minha língua fosse
  furor dos Canibais

E é com furor canibalesco que se nota, na tessitura poética de muitos versos, o poeta que se dedica também à leitura da literatura e de outras artes. Antropofágico, herdeiro de Oswald Andrade e do Tropicalismo, a língua do poeta devora tudo que o coração não diz para permitir que a poesia o diga. Hilda Hilst, Portinari, Glauber Rocha, são signos que denotam o repertório de um leitor-espectador de várias linguagens e que não esconde essas influências. Porém sua poesia não é enciclopédica. As alusões promovem efeitos sonoros e imagéticos que contribuem para o desenvolvimento de uma estilística pessoal e funcional.

Jura secreta 13

quantas marés endoidecemos
e aramaico permaneço doido e lírico
em tudo mais que me negasse
flor de lótus flor de cactos flor de lírios
ou mesmo sexo sendo flor  ou faca fosse
Hilda Hilst quando então se me amasse

ardendo em nós salgado mar e Olga risse
olhando em nós flechas de fogo se existisse
por onde quer que eu te cantasse ou Amavisse

 Artur Gomes é um dos poucos poetas que mantém viva a tradição da oralidade. Participa de vários encontros Brasil afora recitando seus versos como um trovador  contemporâneo. Nota-se, na estrutura musical de sua poesia e nas imagens que cria, uma obra que se materializa por completo quando dita em voz alta. Mas mesmo no silêncio do quarto, da sala, da praia ou no barulho do carro, trem ou metrô; a poesia de Juras secretas oferece viagens estéticas aos que sabem que a poesia não está morta como andam pregando por aí.

Jura secreta 43

com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada
na carne da rua Aurora


Adriano Carlos Moura
Mestre em Cognição e Linguagem (Uenf). Professor de Literatura do IFF – Atualmente faz doutorado na Universidade Federal de Juiz de Fora-MG



terça-feira, 29 de maio de 2018

festival transepoéticas



Minha participação

Dia 10 - 15h - Auditório 1
lançamento do livro Juras Secretas
Dia 10 - 20h - performance

Poesia  Viva Poesia 

O poeta enquanto coisa

o meu lugar não é aqui
o meu lugar não é ali
o meu lugar é lá

onde garrincha entorta
os laterais esquerdos
dibla até o goleiro
e debaixo da trave
não faz o gol
volta ao meio do campo
para re-começar o desconcerto

Artur Gomes 
www.fulinaimicas.blogspot.com
portalfulinaima@gmail,com
(22)99815-1266 - whatsaapp

domingo, 20 de maio de 2018

sarau baião de dois


Sarau Baião de Dois

Nesta sexta feira 25 a partir das 20h no Sinasefe IF Fluminense - Rua Álvaro Tâmega 132 - Sarau Baião de Dois - Imperdível! Música Poesia - rifa com lindos objetos poéticos e deliciosas iguarias vindas diretamente de Guarapari
obs. o livro Juras Secretas - pode ser adquirido também pela loja virtual da Editora www.penaluxeditora.com.br/loja



poesia viva poesia




Poesia Viva Poesia
Livro: "Juras secretas", poesia. Autor: Artur Gomes.


Lançamento - 10 de junho - 20h
com a performance Poesia Viva Poesia
Museu Nacional de Brasília -
Festival Transepoéticas

Jura secreta 14

eu te desejo flores lírios brancos
margaridas girassóis rosas vermelhas
e tudo quanto pétala
asas estrelas borboletas
alecrim bem-me-quer e alfazema
eu te desejo emblema 
deste poema desvairado
com teu cheiro teu perfume
teu sabor teu suor tua doçura
e na mais santa loucura
declarar-te amor até os ossos
eu te desejo e posso
:
palavrArte até a morte
enquanto a vida nos procura


Artur Gomes
Fulinaíma MultiProjetos
portalfulinaima@gmail.com
(22)99815-1266 - whatsapp

quarta-feira, 16 de maio de 2018

juras secretas - livro - lançamento



Livro: "Juras secretas", poesia. Autor: Artur Gomes.


Lançamento - 10 de junho - 20h
com a performance Poesia Viva Poesia
Museu Nacional de Brasília -
Festival Transepoéticas

Jura secreta 14

eu te desejo flores lírios brancos
margaridas girassóis rosas vermelhas
e tudo quanto pétala
asas estrelas borboletas
alecrim bem-me-quer e alfazema

eu te desejo emblema 
deste poema desvairado
com teu cheiro teu perfume
teu sabor teu suor tua doçura
e na mais santa loucura
declarar-te amor até os ossos
eu te desejo e posso
:
palavrArte até a morte
enquanto a vida nos procura


Artur Gomes
Fulinaíma MultiProjetos
portalfulinaima@gmail.com
(22)99815-1266 - whatsapp




terça-feira, 24 de abril de 2018

sarau baião de dois - Dia 27/4 - no Sinasefe - 20h



Sarau Baião de Dois

Dia 27 Abril - 20h
Sinasefe If Fluminense -
 Rua Álvaro Tâmega, 132 - Campos dos Goytacazes-RJ
espaço para poetas, músicos, atores mostrar e vender sua Arte

Esfinge
poema do livro: Juras Secretas
lançamento em junho pela Editora Penalux

o amor 
não e apenas um nome 
que anda por sobre a pele
um dia falo letra por letra 
no outro calo fome por fome 
é que a flor da minha pele
consome a pele do meu nome
cravado espinho na chaga 
como marca cicatriz 
eu sou ator ela esfinge 
ana alice/beatriz
assim vivemos cantando 
fingindo que somos decentes 
para esconder o sagrado 
em nosso profanos segredos
se um dia falta coragem 
a noite sobra do medo
na sombra da tatuagem 
sinal enfim permanente 
ficou pregando uma peça 
em nosso passado presente
o nome tem seus mistérios 
que se escondem sob panos
o sol e claro quando não chove 
o sal e bom quando de leve 
para adoçar desenganos 
na língua na boca na neve
o mar que vai e vem 
não tem volta
o amor é a coisa mais torta 
que mora lá dentro de mim 
teu céu da boca e a porta 
onde o poema não tem fim

artur gomes 
Fulinaima Multiprojetos
portalfulinaima@gmail.com
(22)99815-1266 - whatsaap


segunda-feira, 23 de abril de 2018

sax blues poesia - 25 de abril 20h no Teatro de Bolso



Sax Blues Poesia
performance poética musical
Dia 25 Abril - 20h
Teatro de Bolso Procópio Ferreira - 50 Anos
 
Campos dos Goytacazes-RJ

com Artur Gomes, Dalton Freire, Duo Vox (Álvaro Manhães e Ivih Cabral)
participação especial: Ana Carolina Vieira Petrucci

entredentes

olhei a cara do tempo
ela estava fechada
não me dizia nada
pensei as sagaraNAgens
que o tempo fazia comigo

peguei do tempo o umbigo
cortei na ponta da faca
e a tua cara de vaca
sangrei sem nenhum remorso
porque isso o tempo não tem

agora o tempo sorri
me mostra os dentes da boca
e a tua cara de louca
é a minha cara também

arturgomes
Fulinaíma MultiProjetos
portalfulinaima@gmail.com
(22)99815-1266 - whatsaap


quarta-feira, 4 de abril de 2018

Usina é Usura




USINA

Antônio Roberto Kapi de Góis Cavalcanti

Usina:

Usina são uns olhos
despertos antes do sol,
a boca mal-lavada
num gole de café...
e um esfregar de mãos
para aquecer o dia.

Usina é uma longa
E curta caminhada,
Inventada em carrocerias,
carroças e bicicletas.

Ou um usar de pés
pra se fazer o dia.

Usina é um balé!
de lenços-de-cabeça,
camisas de xadrez,
foice e facão...
entre gole e outro
de café,

Usina é um apito
de sol a pino,
feito de marmitas,
quando os olhos nada dizem
e as bocas são limpas
por mãos em costas.

Usina é um gosto
(doce-amargo)
de uns caldos escorrendo,
ora nas moendas
ora nos moídos...

É um fazer de conta,
Pós-apito,
Na birosca ao lado
Com uns parceiros:
Um remedar da vida.

Depois
Um mal dormir
De pais e filhos
(de fome, de frio, de medo)
Para que antes que o sol
Se tenha despertado,

— USINA É USURA!

São uns olhos
Que se estendem
Quando em vez
À casa-grande...
São umas vidas
Escapando pela chaminé

quinta-feira, 8 de março de 2018

Todo Dia É Dia Dela



Todo Dia É Dia Dela
Todo Dia É Dia D

Mulher
meu poema
se completa em teu vestido
roçando tua carne
no algodão tecido

Meu ofício é de poeta
pra rimar poema e blusa
e fica na tua pele
pelo tempo em que me usa

Artur Gomes

terça-feira, 6 de março de 2018

Um Divã Em Cada Esquina


Retomando uma ideia de 30 anos atrás (1987), quando no Studio 52, com Genilson Paes Soares Oscar Wagner, Nilson Siqueira e Mário Sérgio Cardoso (arquiteto pós moderno), criamos o projeto de psicanálise popular: Um Divã Em Cada Esquina, para talvez quem sabe Campos ex-dos Goytacazes retomar a sua sanidade mental, porque está brabo!




o fauno e a flauta

o fauno lê Baudelaire
do outro lado da trama
enquanto dorme a donzela
com uma rosa entre as coxas

o fauno traça o poema
na geografia do corpo
atravessa o vértice do tempo
com o seu falo em chamas
por não ter juízo

e com a flauta toca 
pétala por pétala
na porta de entrada
do pontal do paraíso

Artur Gomes

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

sax blues poesia


Sax Blues Poesia
Artur Gomes - voz - poesia
Dalton Freire - Sax - Flauta
Álvaro Manhães - voz e violão
Dia 6 - fevereiro 20:00h
Tenda Para Todos - Farol de São Tomé
Realização: Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima

Ind/Gesta

não prego prego sem estopa
nem tapo o sol com a peneira
não troco manguinhos por mangueira
nem pulga por carrapato
eu sou a mosca
que pousou na tua sopa
a pedrinha
que entrou no teu sapato

Artur Gomes



quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Mostra Cinema Ambiental

Mostra Cine Ambiental
exibição de  curtas mostrando a situação
ambiental de diversas cidades brasileiras
27 - janeiro - 2018 - 21:00h
Estação 353 - São Francisco do Itabapoana

sem meias palavras ando descalço
pra pisar a lavra da palavra chão

Studio Fulinaíma Produção Audiovisual



EuGênio Mallarmé

Meu ator preferido desabafava ontem comigo sobre as dificuldades de subir ao palco hoje para interpretar grandes personagens. Para ele não há mais diretores e produtores preocupados em produzir teatro, e sim, entretenimento, besteirol, stand up. Discípulo direto de Antonin Artaud reclama desse vazio monumental fazendo com que grandes atores se exilem dentro do seu próprio corpo.

Cristina Bezerra

“Quem sou eu?
De onde venho?
Sou Antonin Artaud
e basta que eu o diga
Como só eu o sei dizer
e imediatamente
hão de ver meu corpo
atual,
voar em pedaços
e se juntar
sob dez mil aspectos
diversos.

Um novo corpo
no qual nunca mais
poderão esquecer.
Eu, Antonin Artaud, sou meu filho,
meu pai,
minha mãe,
e eu mesmo.
Eu represento Antonin Artaud!
Estou sempre
morto.Mas um vivo morto,
Um morto vivo.
Sou um morto
Sempre vivo.
A tragédia em cena já não me basta.
Quero transportá-la para minha vida.
Eu represento totalmente a minha vida.
Onde as pessoas procuram criar obras
de arte, eu pretendo mostrar o meu
espírito.
Não concebo uma obra de arte
dissociada da vida.
Este Artaud, mas, por falta do que fazer…
Eu, o senhor Antonin Artaud,
nascido em Marseille
no dia 4 de setembro de 1896,
eu sou Satã e eu sou Deus,
e pouco me importa a Virgem Maria.




CAMPOS DOS GOYTACAZES

Quem sou eu

Minha foto
meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná