quinta-feira, 18 de outubro de 2018

XX FestCampos de Poesia Falada - Inscrições prorrogadas até o dia 26/10


na foto: Geraldo Evangelista - 
Vencedor do XIX FestCampos de Poesia Falada 2017

RETIFICAÇÃO 04 DOS EDITAIS 

DE CHAMAMENTO PÚBLICO

A Presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Maria Cristina Torres Lima, no uso de suas atribuições legais, torna público, para conhecimento dos interessados, que todos os  Editais referentes à Bienal do Livro de 2018 têm o prazo de inscrição prorrogado até o dia 26/10/2018.
 O Edital 007/2018 (Credenciamento de Livreiros, Distribuidores, Editoras e Demais Interessados) terá a seguinte retificação: Fica revogado totalmente o item 5 (Do Recebimento do Vale Livro), passando a ter a seguinte redação:

5. DA CONTRAPARTIDA.

5.1. Os livreiros, distribuidores e editoras credenciadas neste edital deverão firmar contrato com a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima onde será firmada livre acordo de contrapartida.

O Edital 005/2018 (Credenciamento para Show Temático) passa a ter a seguinte alteração:

8.6. As apresentações deverão ter duração de 1 (uma) hora, com os seguintes horários: nos dias 22/11/2018 das 22hs às 23hs (60 anos de Bossa Nova),
24/11/2018 das 22hs às 23hs (Tim: 20 anos de saudade)

dia 24/11/2018 das 23:45hs às 01hs do dia 25/11/2018 (60 anos de Cazuza)
e dia 25/11/2018 das 12:30 às 13:30hs (80 anos de Martinho da Vila).

O Edital 002/2018 (Credenciamento para XX FestCampos de Poesia Falada),

Edital 003/2018 (Credenciamento para o XXVIII Concurso Nacional de Contos José Cândido Carvalho),

Edital 004/2018 (Credenciamento para Teatro Adulto e Infantil)

e Edital 005/2018 (Credenciamento para Show Musical Temático) divulgarão os selecionados a participar desta Bienal até o dia 30/10/2018.
Campos dos Goytacazes – RJ,  15 de outubro de 2018.
MARIA CRISTINA TORRES LIMA Presidente da FCJOL

XX FESTCAMPOS DE POESIA FALADA NA 10ª EDIÇÃO DA BIENAL DO LIVRO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES – RJ

A Presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Maria Cristina Torres Lima, no uso de suas atribuições legais, convida todos para participarem do XX FestCampos de Poesia Falada, na 10ª edição da Bienal do Livro de Campos dos Goytacazes – RJ, que ocorrerá entre os dias 20/11/2018 e 25/11/2018 no IFF, campus Campos Centro, situado na Rua Dr. Siqueira, 273, Parque Dom Bosco, CEP 28.030-130, Campos dos Goytacazes - RJ, com entrada gratuita.

1. DO OBJETO
1.1. O presente edital tem por objeto o credenciamento de qualquer pessoa física para participar do XX FestCampos de Poesia Falada na 10ª edição da Bienal do Livro de Campos dos Goytacazes - RJ.

2. DAS CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO

2.1. Maiores de 18 anos e com plena capacidade civil,

2.2- Poetas brasileiros residentes no país,

2.3. É vedada a participação de servidores ou dirigentes dos órgãos da administração direta e indireta do Município de Campos dos Goytacazes - RJ, nos termos do artigo 9.°, inciso III, da Lei Federal n.° 8.666/93;

3. DA INSCRIÇÃO E APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS

3.1. A inscrição deverá ser entregue pelo proponente, ou seja, responsável pela poesia, diretamente ou endereçada à Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, situada na Rua Marechal Floriano, 211, Centro, Campos dos Goytacazes – RJ, CEP 28.010-161, no ato da publicação até o dia 26/10/2018 das 09:00hs às 16:00hs, caso o proponente faça uso dos correios, terá como data válida o dia da postagem, tendo como data para o envio até dia 26/10/2018.

As inscrições enviadas com data de postagem após a data limite, não serão consideradas.

3.2. A poesia deverá ser identificada apenas com o pseudônimo, em envelope lacrado, em 03 (três) vias impressas e digitadas com fonte Times New Roman, corpo 12, espaçamento 1,5, em folha A-4, assim como, o remetente também usará apenas o pseudônimo.

3.3. As fichas em anexo, com identificação do autor, autorização para publicação do trabalho, cópia de identidade e outras informações necessárias, deverá ser enviada junto, num envelope menor, lacrado, dentro do envelope maior da postagem.

3.4. O tema da poesia é livre.

3.5. O trabalho deve apresentar, no máximo, duas páginas.

3.6. A inscrição é gratuita.

3.7. Cada autor pode inscrever somente 1 (uma) poesia. Mais de uma poesia inscrita pelo mesmo autor acarretará a exclusão de todas.

3.8. Os originais não serão devolvidos.

3.9. Serão classificados 15 (quinze) poemas para a final, no dia 23/11/2018, que acontecerá em local e horário a serem informados previamente aos 15 concorrentes classificados.

3.10 Os 15 (quinze) trabalhos classificados deverão ser apresentados com seus intérpretes, sendo de inteira e única responsabilidade do concorrente providenciar a indicação dos mesmos, em caso de impossibilidade, o autor poderá requisitar algum dos integrantes dos cursos livres de teatro da FCJOL para interpretar seu poema, devendo para isso, fazer a solicitação de intérprete na ficha a ser enviada no ato da inscrição.

3.11. Estarão em julgamento final os quesitos:
a) Conteúdo poético;
b) Estrutura textual;
c) Interpretação;
d) Interação – poesia, intérprete, público.

 3.12. O autor, ao efetuar inscrição, assume inteira responsabilidade pelas informações prestadas e autoriza divulgação do trabalho a ser apresentado, bem como imagens relacionadas ao mesmo.

3.13. Deverão ser apresentados obrigatoriamente, no prazo estabelecido neste edital, no ato do protocolo, os seguintes documentos de habilitação:

a) cópia da carteira de identidade ou de documento de identidade equivalente;

b) formulário de inscrição no Anexo I, devidamente preenchido, identificado e lacrado, com material exigido nos itens anteriores, em envelope A4 pardo.

3.14. Serão desclassificados:

a) Textos que não se enquadrem no gênero “poesia”;

b) Textos que não sejam de autoria do autor proponente.

c) Autores que se inscreveram com mais de (1) uma poesia.

3.15. A poesia deverá ser lida pelo próprio autor ou por terceiro devidamente autorizado pelo mesmo ou, à sua revelia, por determinação dos julgadores, na divulgação do resultado final.

4. DO PAGAMENTO
 4.1. Os Autores selecionados receberão, por sua apresentação, os valores conforme classificação final:

1° lugar – R$ 2.000,00 (dois mil reais para o autor da melhor poesia),
2° lugar – R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais para o autor da segunda 
melhor poesia),

3° lugar – R$ 1.000,00 (hum mil reais para o autor da terceira melhor poesia)

e – R$ 1.200,00 (hum mil e duzentos reais para o primeiro lugar do melhor intérprete das poesias),

R$ 800,00 (oitocentos reais para o segundo melhor intérprete das poesias)

e R$ 500,00 (quinhentos reais para o terceiro melhor intérprete das poesias).

4.2. A Conta Corrente informada na ficha de inscrição deverá ser do autor do poema. Também deverá ser informada a Conta Corrente do intérprete, se o mesmo não for o autor do trabalho. Em ambos os casos não será aceita Conta Poupança.

4.3. Os vencedores, assim que solicitados, deverão enviar xerox dos seguintes documentos: CPF, RG, PIS/PASEP, Comprovante de Residência e Cartão Bancário.

4.4. Os vencedores receberão por e-mail o recibo da premiação, que deverá ser assinado e reenviado como anexo no corpo da resposta. Em caso de recusa, não haverá liberação da premiação.

5. DA SELEÇÃO E DIVULGAÇÃO

5.1. Os participantes serão considerados inabilitados quando não apresentarem os documentos exigidos no item 3, deste Edital.

5.2. A comissão julgadora para a seleção e para a final do XX FestCampos de Poesia Falada será formada por um mínimo de 03 (três) jurados, todos profissionais ligados à literatura, teatro e comunicação, escolhidos pela gerência do Departamento de Literatura da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima.

5.3. Os resultados e demais decisões e/ou comunicações, serão apresentados no dia 23/11/2018.
6. DOS RECURSOS

6.1. Qualquer cidadão é parte legítima para impugnar o presente edital por irregularidade na aplicação da Lei nº. 8666/1993, devendo protocolar o pedido em até 5 (cinco) dias úteis que antecederem a abertura das inscrições.

6.2. O prazo para interposição de recurso será de 02 (dois) dias úteis, contados da data da divulgação.

6.3. O recurso deverá ser protocolado na sede da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, situada à Rua Marechal Floriano, 211, Centro, Campos dos Goytacazes – RJ, CEP 28.010-161, de segunda à sexta-feira, das 09h às 16h, exceto feriados e pontos facultativos. Durante o prazo recursal e de impugnação, os autos do processo e os documentos relativos à proposta e aos atos decisórios se encontrarão à disposição do interessado para consulta no local e horário acima descritos.

6.4. Os recursos serão analisados pela Comissão que praticou o ato recorrido e, caso mantida a decisão, submetidos ao julgamento final pela Presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima ou outra pessoa por ela delegada.

6.5. É vedada, na fase de recursos, a inclusão de documentos ou informações que deveriam constar originalmente na proposta no momento da inscrição. 

6.6. Os recursos enviados por Correios, fax ou correio eletrônico serão desconsiderados.

6.7. A decisão dos recursos será publicada no Diário Oficial deste Município e/ou no site da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes: www.campos.rj.gov.br.

7. DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

7.1. A habilitação do proponente implica na prévia e integral concordância com as normas deste Chamamento e seu Regulamento.

7.2. Quaisquer informações ou dúvidas de ordem técnica, bem como aquelas decorrentes de interpretação do edital, poderão ser obtidas pelo email festivaldepoesia2018@gmail.com.

7.3. São de exclusiva responsabilidade do habilitado os compromissos e encargos de DIÁRIO OFICIAL DO MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES P O D E R E X E C U T I V O 8 Diário Oficial Assinado Eletronicamente com Certificado Padrão ICP-Brasil, em conformidade com a MP nº 2.200-2, de 2001. O Município de Campos dos Goytacazes garante a autenticidade deste documento, desde que visualizado através do site www.campos.rj.gov.br Nº 198 - Campos dos Goytacazes Segunda-feira, 17 de setembro de 2018 natureza trabalhista, previdenciária, fiscal, comercial, bancária, intelectual (direito autoral e conexo), bem como quaisquer outros resultantes da contratação objetivada neste Chamamento, ficando a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima excluído de qualquer responsabilidade dessa índole.

7.4. A anulação do Chamamento Público, por motivo de ilegalidade, não gera obrigações de indenizar, por parte do Município, ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 59 da Lei Federal n.°8.666/93.

7.5. Em caso de descumprimento de quaisquer das cláusulas deste termo pelos artistas, o mesmo torna-se nulo, podendo as partes envolvidas responder civil, criminal e administrativamente.

7.6. Os casos omissos serão resolvidos pela Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima ou a quem esta delegar.

7.7. Para dirimir as questões oriundas do presente edital ou de sua execução, fica eleito, com renúncia expressa a qualquer outro, por mais privilegiado que seja, o foro da Comarca de Campos dos Goytacazes - RJ.

7.8. Os prazos previstos neste edital poderão ser antecipados e/ou prorrogados a critério da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima. Tal informação será publicada no Diário Oficial deste Município e/ou no site da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes: www.campos.rj.gov.br.

8. DOS ANEXOS 8.1. São partes integrantes do presente Edital os anexos:
ANEXO I – Formulário de Inscrição; ANEXO II - Termo de autorização de uso de imagem.

Campos dos Goytacazes - RJ, 10 de setembro de 2018.
 MARIA CRISTINA TORRES LIMA 
Presidente da FCJOL 

ANEXO I XX FESTCAMPOS DE POESIA FALADA EVENTO
 10ª EDIÇÃO DA BIENAL DO LIVRO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES 

Título da Poesia:__________________________________________________ Pseudônimo: _____________________________________________________ _ DADOS DO RESPONSÁVEL: Nome completo: __________________________________________________ Nacionalidade: __________________________ Profi ssão: ______________________________ Estado Civil: ___________________________ Identidade: _______________________CPF: ___________________________ Endereço: ______________________________________________________________ Email: ________________________________ Telefone Fixo: ____________________ Celular: _________________________ Conta corrente: ______________ Agência: ________ Banco: ______________ Solicitação de Intérprete: ( ) Sim - ( ) Não
DADOS DO INTÉRPRETE:
Nome completo:_________________________________________________  Identidade: _______________________CPF: ___________________________ Endereço: _______________________________________________________ Email: ________________________________
Telefone Fixo: _____________________
 Celular: _______________________
Conta corrente: ____________ Agência: __________ Banco: _______________
Autorizo A Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima a publicar minha poesia selecionada para o XX FestCampos de Poesia Falada. Data de inscrição: _____/____/2018. _________________________________________ Assinatura

ANEXO II XX FESTCAMPOS DE POESIA FALADA EVENTO 10ª EDIÇÃO DA BIENAL DO LIVRO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES TERMO DE AUTORIZAÇÃO DE USO DE IMAGEM
Eu,_________________________________________________________, (nacionalidade), _____________________ (estado civil), ___________________ (profissão), portador do RG nº ____________, inscrito no CPF nº _____________, residente à Rua _____________________________________________________, nº _______, na cidade de ____________________, telefone ________________,

 AUTORIZO o uso de minha imagem, com fulcro na lei nº 9.610/98 e Código Civil/2002, em todo e qualquer material entre fotos, documentos e outros meios de comunicação, para ser utilizada em campanhas promocionais e institucional da 10ª edição da Bienal do Livro de Campos dos Goytacazes que será realizada no Instituto Federal Fluminense, campus Campos, nesta cidade, no período de 20/11/2018 a 25/11/2018, sejam essas destinadas à divulgação ao público em geral e/ou apenas para uso interno desta instituição.
A presente autorização é concedida a título gratuito, abrangendo o uso da imagem acima mencionada em todo território nacional e no exterior, em todas as suas modalidades e, em destaque, das seguintes formas:
 (I) out-door; (II) busdoor; folhetos em geral (encartes, mala direta, catálogo, etc.); (III) folder de apresentação; (IV) anúncios em revistas e jornais em geral; (V) home page; (VI) cartazes; (VII) back-light; (VIII) mídia eletrônica (painéis, vídeotapes, televisão, cinema, programa para rádio, sites, entre outros). Por esta ser a expressão da minha vontade declaro que autorizo o uso acima descrito sem que nada haja a ser reclamado a título de direitos conexos à minha imagem ou a qualquer outro, e assino a presente autorização em 02 (dias) vias de igual teor e forma. Campos dos Goytacazes - RJ, 04 de setembro de 2018. ____

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

mitológicas


Jura Secreta 106

Clarice deseja o indesejável
na escuridão o que não tem nome
o abominável dos desejos
no sagrado o que não se dizia
descrevias as galáxias de Haroldo
descendo ao concreto de Augusto
como se fosse simbolismo pós-moderno
em Dante queria sempre descer aos infernos
no silêncio seu barulho nas auroras
penetrando meus abismos
em labirintos pra mastigar meus pesadelos
quando a noite se vestia de mistérios
com 7 velas que acendia para Oxossi
entre as matas do seu corpo em desconcerto


Mitológica

O sorriso de Monalisa
na boca de Clarice eletri-fica
Zeus em mim por todas Heras
deusas angelicais
beijam meus lábios canibais
cantando salmos
em hóstias consagradas
no altar – secretas juras
e os bíblicos enciumados
excluíram meus poemas
das sagradas escrituras


Enigma número 2

arde em minhas mãos teus poros
minhas unhas ainda queimam
dentro o sal das tuas ágoras
outubro era quase um mar de folhas
no coliseu dos imigrantes italianos
e nossos corpos não tinham panos
nos planos só o amor das águas
o vinho temperava nossas línguas
ao mastigar a santa ceia
Clarice trigo do pão em minha boca
fermento de Zeus em nossas carnes
no vale Olimpo onde gozamos
com fachos de fogo em nossas veias

Artur Gomes





sexta-feira, 17 de agosto de 2018

jura secreta 103




Jura Secreta 103

Clarice em tudo que ainda não disse
em tudo o que ainda disser
nas páginas de um livro branco
como fosse um chocolate
quem sabe vento de maio
as flores do mal desfolhasse
nas pétalas do bem-me-quer
num carnaval na quarta-feira
Clarice a porta/bandeira
do mestre/sala  Federico Baudelaire

Artur Gomes
Fulinaíma MultiProjetos
(22)99815-1266 - Whatsapp


sábado, 11 de agosto de 2018

intervenção poética



meu poema no Lula Livro

 intervenção poética

minha metralhadora
cospe poesia porque o tempo não para
coice dentro da noite
caçando luz na escuridão

o tempo despeja
os ponteiros do relógio
sobre nossas carcaças
fumegantes

nervos e músculos
sustentam ossos em nossos corpos
vulneráveis aos contra-templos
dos trilhos

clamo por  intervenção poética
no morro do encantado
lançando fogos de artifícios
chuva de poemas
na cabeça dos fardados
com  papel para imprimir
flores - na boca dos fuzis
de cada soldadinho de chumbo

Artur Gomes



sexta-feira, 3 de agosto de 2018

juras secretas


Juras Secretas 
feitiçarias de Artur Gomes - por Michèle Sato 

Difícil iniciar um prefácio para abordar feitiçarias de um grande mestre. A mágica aparição do texto transborda sentidos cósmicos, como se um feixe de luz penetrasse em um túnel escuro dando-lhe o sorver da vida. Diariamente, recebo um deserto imenso de poemas e a leitura se esvai com “batatinha quando nasce põe a mão no coração”. Um ou outro me chama a atenção, desde que sou do chamado “mundo das ciências” e leio poemas com coração, mas inevitavelmente aguçado pelo olhar crítico vindo do cérebro. 

A academia pode ser engessada, mas é, sobremaneira, exigente. Aplaude o inédito, reconhecendo que o poema é um caos antes de ser exteriorizado, mas harmônico, quando enfeitiçado. A leitura requer algo como canto do vento, que não seja fugaz, mas que acaricie no assopro da Terra. Por isso, é com satisfação que inicio este pequeno texto, sem nenhuma pretensão de esgotar o talento do grande mestre, mas responder aos poemas de Artur que brilham, soltam faíscas, incendeiam-se em erotismo e garras enigmáticas. Ele transcende regras, inventa palavras, enlouquece verbos. E as relações estabelecidas revelam a desordem dos sonhos na concretude harmônica de suas palavras. 

A aventura erótica não se despede de seu olhar político. Situado fenomenologicamente no mundo, e transverso nele, Artur profana o sagrado com suas invenções transgressoras. Reinventa a magia e decreta uma nova vida para que o mundo não seja habitado somente pelos imbecis. Dança no universo, com a palavra fluída, imprevistos pitorescos, mordidas e grunhidos. Reaparece no meio de um cacto espinhoso, mas é absurdamente capaz de ofertar a beleza da flor. Contemporâneo e primitivo se aliam, vencem os abismos como se ao comerem as palavras monótonas, pudessem renascer por meio da antropofagia infinita de barulhos e silêncios. O sangue coagulado jorra, as cavernas se dissolvem e é provável que poucos compreendam a beleza que daí se origina. 

Nos labirintos de suas palavras, resplandece o guerreiro devorador, embriagado, quase descendo ao seu próprio inferno. Emana seu fogo, na ardência de sexo e simultaneamente na carícia do amor. Pedras frias se aquecem, coram com o tom devasso que colore a mais bela das pornofonias. Marquês de Sade sente inveja por não ser o único déspota das palavras sensuais. E os poemas de Artur reflorescem, exalam odor como desejos secretos e risos que ecoam no infinito. 

não fosse essa alga queimando em tua coxa ou se fosse e já soubesse mar o nome do teu macho o amor em ti consumiria (jura secreta 5) 

De repente um cavalo selvagem cavalga na relva úmida, como se o orvalho da manhã pudesse revelar o fogo roubado das pinturas rupestres. Ao som de tambores, suas palavras se tornam arte em si, como se fossem desenhos projetados em um fantástico mundo vertiginoso. Seres encantados surgem das águas originários de sentimento, abraçadas nas pedras lisas, rugosas, esverdeadas da terra. O fogo dança em vulcões e a metamorfose é percebida em seus ares. Os elementos se definem como bestas, humanos, ou segmentos da natureza como uma orquestra sinfônica que vai além da sonoridade. Adentram sentidos polissêmicos e, neste momento, até o André Breton percebe o significado das palavras de Artur, pois a beleza é convulsiva e crava no peito feito cicatriz. 

e o que não soubesse do que foi escrito está cravado em nós como cicatriz no corte (jura secreta 10) 

Da violação do limite, do fruto proibido ou da linguagem erótica, os poemas de Artur são orgasmos literários que oscilam entre o sacro e o profano. Sua cultura, visão de mundo e inteligência possibilitam ir além da pura emoção sentimental, evocando a liberdade para que a terra asfixiada grite pela esperança. Artur comunga com outros seres a solidariedade da Terra, ainda que por vezes, seja devastador em denunciar disparidades, mas é habilidoso em anunciar acalentos. A palavra poética desfruta fronteiras, e Roland Barthes diria que a história de Artur é o seu tributo apaixonado que ele presta ao mundo para com ele se conciliar. Em sua linguagem explosiva, provavelmente está a intensidade de sua paixão - um amor perverso o suficiente para viciar em suas palavras, mas delicado o bastante para dar gênese ao mundo enfeitiçado pela habilidade de sua linguagem. 

A essência deste perfume parece estar refletida num espelho, pois se as linguagens podem incluir também o silêncio, as palavras de Artur soam como uma melodia. Projetada numa tela, a pintura erótica torna-se sublime e para além de escrevê-las, ele vive suas linguagens. Esta talvez seja a diferença de Artur com tantos outros poetas: a sua capacidade de transcender a tradição medíocre para viver um intenso de mistério de sua poética. Ele não duvida de suas palavras, nem as censura para não quebrar seu encanto, mas devora em seu ser na imaginação e no poder de sua criação. Criador e criatura se misturam, zombam da vida, gargalham da obviedade. Põem-se em movimento na dança estrelas que iluminam a palavra. 

Os fragmentos poéticos são misteriosos de propósito, uma cortina mal fechada assinala que o palco pode ser visto, porém não em sua totalidade. Disso resulta a sedução para que ele continue escrevendo, numa manifestação enigmática do poder surrealista em nos alertar sobre nossas incompletudes fenomenológicas. O imperfeito é o sentido da fascinação, diria Barthes em seus fragmentos de um discurso amoroso. E a poética de Artur não representa ressurreição, nem logro, senão nossos desejos. O prazer do texto pode revelar o prazer do autor, mas não necessariamente do leitor. Mas Artur lança-se nesta dialética do desejo, permitindo um jogo sensual que o espaço seja dado e que a oportunidade do prazer seja saciada como se fosse um "kama sutra poético" para além do prazer corporal. Esta duplicidade semiológica pode ser compreendida como subversiva da gramática engessada - o que, em realidade, torna seus textos mais brilhantes. Não pela destruição da erudição, mas pela abertura da fenda, para que a fruição da linguagem seja bandeira cultural da liberdade. 

E a sua liberdade projeta-se num horizonte onde a dimensão sócio-ambiental é freqüentemente presente. É uma poesia universal de representações urbanas e rurais, de flora, fauna e fontes de praças públicas. Desacralizando o “normal previsível”, borda em sua costura de mosaicos, esquinas e passaredos. 

eu sei de gente e de bichos ambos atolados no lixo tem gente que come bicho tem bicho que come gente tem gente que vive no lixo tem lixo que mora no bicho gente que sabe que é bicho e bicho que pensa ser gente (jura secreta 28) 
A poética das Juras Secretas opõem-se a instância pretérita numa espiral de presente com futuro. Metafisicamente, desliga-se do momento agonizante e os olhos do poeta não se cansam, ainda que a paisagem queira cansá-los. Seu toque lembra o neoconcretismo, por vezes, cuja aparição na semana da arte moderna mexeu com os mais tradicionais versos da literatura ordinária. Mas sua temporalidade vence Chronos, na denúncia de um calendário tirano ao anúncio de Kairós, também senhor do tempo, mas que media pelos ritmos do coração. 

20 horas 20 noites 20 anos 20 dias até quando esperaria... até quando alguém percebesse que mesmo matando o amor o amor não morreria
. (jura secreta 51) 


É óbvio que a materialidade da linguagem, sua prosódia e seu léxico se mantêm no texto. Mas foge das estruturas engessadas do arrombo repetitivo, florescendo em neologismos verossímeis e ritmos cardíacos. Amiúde, são palavras jorradas em potente cultura significante. No chão dialogante, este poeta desestabiliza a normalidade com suas criações. 

por que te amo e amor não tem pele nome ou sobrenome não adianta chamar que ele não vem quando se quer porque tem seus próprios códigos e segredos mas não tenha medo pode sangrar pode doer e ferir fundo mas é razão de estar no mundo nem que seja por segundo por um beijo mesmo breve por que te amo no sol no sal no mar na neve(jura secreta 34) 

ARTUR GOMES é, para mim, um grande relato de seu próprio devir, que sabe poetizar a partir de seu vivido. E por isso, enfeitiça. 

quinta-feira, 12 de julho de 2018

juras secretas




13 de julho (sexta-feira) 18h30 horas
Performance "Poesia Viva Poesia",
seguida do Lançamento do livro
JURAS SECRETAS (Editora Penalux)
de Artur Gomes
Local:
ALPHARRABIO LIVRARIA E EDITORA
Rua Eduardo Monteiro, 151
Santo André – SP
4438-4358

pele grafia

meus lábios em teus ouvidos
flechas Netuno cupido
a faca na língua a língua na faca
a febre em patas de vaca
as unhas sujas de Lorca
cebola pré sal com pimenta
tempero sabre de fogo
na tua língua com coentro
qualquer paixão re/invento

o corpo/mar quando agita
na preamar arrebenta
espuma esperma semeia
sementes letra por letra
na bruma branca da areia
sem pensar qualquer sentido
grafito em teu corpo despido
poemas na lua cheia

Artur Gomes

clic  para ler mais sobre o evento 

https://www.facebook.com/347044205324872/photos/a.509316345764323.126458.347044205324872/2125120630850545/?type=3&theater

terça-feira, 10 de julho de 2018

juras secretas - poesia viva poesia




Juras Secretas – Poesia Viva Poesia


Dia 25 de julho – 19h
Teatro de Bolso – Procópio Ferreira
Campos dos Goytacazes-RJ

“Juras Secretas” é o décimo terceiro livro do poeta, ator, performer, videomaker e professor de teatro Artur Gomes. São 100 juras poéticas, agora compartilhadas, tornadas públicas, num lirismo transgressor, em caudalosas intertextualidades e a fúria semântica presente no conjunto de sua obra.

Mais antropofágico do que nunca, mais antropomágico do que sempre, em “Juras Secretas” Artur Gomes canibaliza referências, estiliza o idioma e devora voraz o tropicalismo nosso de cada dia. Em sua estética singular e transbordante, os versos são escandidos em vocábulos plenos de sonoridades musicais e imagens metafóricas, que vão do surrealismo mais onírico à temáticas politicamente contundentes e eroticamente profanas.

Com bela capa de Felipe Stefani, prefácio de Michelle Sato e posfácio de Tanussi Cardoso, a Editora Penalux vem com “Juras Secretas” somar na literatura contemporânea brasileira com a mais nova sagaranagem fulinaímica de Artur Gomes.


Tchello d´Barros 

CAMPOS DOS GOYTACAZES

Quem sou eu

Minha foto
meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná